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Título: Valenz(h)uel(l)as : marcas de resistência, memória e cicatriz da ditadura militar argentina na narrativa de Luisa Valenzuela
Autor(es): Vogas, Vitor Bourguignon
Orientador: Salgueiro, Wilberth Claython Ferreira
Data do documento: 9-Mar-2016
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: De 1976 a 1983, a Argentina foi governada por uma ditadura militar. Para manter a população sob controle e eliminar qualquer ameaça à ordem instituída, esse regime autoritário praticou algumas estratégias de dominação no contexto da chamada guerra suja. Nesta dissertação, trataremos de comprovar como Luisa Valenzuela buscou, particularmente entre as décadas de 70 e 90, exercer o que ela mesma tratava como compromisso ético do escritor: denunciar o que os outros nem sequer ousavam mencionar. Baseados em reflexões de Alfredo Bosi, buscaremos demonstrar como, sem perder de vista a qualidade estética nem abrir mão do cuidado com a linguagem, Valenzuela exercitou uma narrativa de resistência, seja tomando-a como tema, seja, destacadamente, como processo inerente à própria escrita. Para isso, valeu-se daquilo que denominamos estratégias de resistência: contra o monopólio do discurso, adotou a pluralidade de vozes, a relativização da realidade e a exposição do discurso literário (logo, de qualquer outro) como construção; para se opor à supressão das diferenças, usou fartamente a ambiguidade e pôs em primeiro plano o mesmo eu que o regime preferia anular; para enfrentar a difusão do medo e o uso sistemático da violência como política de Estado, recorreu ao humor, ao sexo e à erotização da violência mesma; para lutar contra o silêncio e o esquecimento patrocinados pelas autoridades, manifestou a coragem de oferecer um testemunho literário da barbárie inominável, fazendo-o por meio de obras de teor orgulhosamente ficcional. Consciente do poder desestabilizador da palavra, Valenzuela usou como arma declarada a linguagem literária, tão letal e manipulável quanto o veneno dos sapos cuspidos ao falar por uma de suas personagens.
From 1976 to 1983, Argentina was governed by a military dictatorship. In order to keep population under control and eradicate any threaten to the established order, the authoritarian government has performed some strategies of domination in the context of the so-called guerra sucia. In this master’s dissertation, we aim to prove with large evidence that Luisa Valenzuela – particularly between the 70’s and the 90’s – has practiced what she would consider to be the ethical commitment of a writer: denouncing issues that others wouldn’t even dare mentioning. Inspired by the concept of resistance in literature as defined by Bosi, we intend to demonstrate how Valenzuela has developed a narrative of resistance (without sacrificing neither the aesthetic richness of her writings nor the manipulation of language), both as the plot of her stories and (mostly) as the way she approached her arguments. For achieving that, she has used what we will call “strategies of resistance”: to stand up against the monopoly of speech, she’s chosen the plurality of voices, the relativization of reality and the exposure of the manipulation of the literary enouncement (thus of any other speech); as oppose to the elimination of any difference, she’s preferred ambiguity and emphasized the same individualities the system would rather delete; to resist the spread of fear and the methodical use of violence as a government policy, she’s broadly adopted humor and sex, besides approaching violence itself in an erotic way; to fight massive silence and oblivion, she had the courage of leaving a testimony of the unnamable horror, yet through proudly fictional books. Conscious of the destabilizing power of writing, Valenzuela used the literary language as a weapon (as she would call it), as lethal and manageable as the poison of the toads spited out of one of her character’s mouth every time she spoke.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3322
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