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Title: Mi parlo taliàn : uma análise sociolinguística do bilinguismo português-dialeto italiano no município de Santa Teresa
metadata.dc.creator: Rodrigues, Sarah Loriato
Keywords: Contato linguístico;Bilinguismo;Dialetos da Itália setentrional;Tradição oral
Issue Date: 2015
Abstract: A presente dissertação investiga o atual estágio de manutenção das variedades dialetais da Itália setentrional no município de Santa Teresa, localizado na região serrana do Espírito Santo. Este trabalho se justifica porque, após 141 anos da chegada dos primeiros italianos a esse município, ainda não existem estudos que abordem questões relacionadas aos dialetos italianos da localidade. Considerando esse cenário, o objetivo deste estudo é oferecer um panorama da situação bilíngue português-dialeto italiano no município, com a identificação das áreas de maior ou menor uso do dialeto e ainda os fatores determinantes para a escolha linguística, os domínios de uso e as atitudes linguísticas dos falantes. Um segundo objetivo do estudo foi documentar algumas tradições orais italianas ainda presentes em Santa Teresa. Os dados foram coletados por meio de observação participante, questionário sociolinguístico e 146 entrevistas semiestruturadas, nas quais os informantes foram divididos por local de residência (zona rural e urbana) e em três faixas etárias (entre 08-30 anos, 31-60 e acima de 60 anos de idade). Os resultados encontrados revelam que o termo taliàn, que significa italiano nos dialetos da Itália setentrional (cf. BOERIO, 1856; RICCI, 1906 etc.), é usado pela maior parte dos falantes da faixa etária acima de 60 anos das zonas rural e urbana. Analisando diacronicamente o processo de uso do dialeto italiano através dos diferentes domínios, no período da infância dos informantes e na atualidade, é possível verificar a perda do dialeto no trajeto de vida dos falantes das faixas etárias de 31-60 anos e dos acima de 60 anos. Entre os informantes da faixa etária de 08-30 anos, verifica-se um quase completo monolinguismo português. Entre os informantes da faixa etária de 31-60 anos, o uso do dialeto italiano é fortemente influenciado pela idade do interlocutor: usam-no mais com seus avós do que com seus pais, e com seus pais mais do que com seus irmãos. Entretanto, nenhum informante desta faixa etária relatou usar o dialeto italiano com os filhos. Em resumo, o uso do dialeto italiano somente entre os membros mais idosos indica o processo de sua substituição pelo português e aponta que sua transmissão às gerações mais jovens está seriamente ameaçada. A análise das atitudes linguísticas dos informantes acima de 60 anos permitiu constatar o desprestígio e o preconceito em relação ao uso do dialeto no período da infância dos informantes. Por outro lado, os relatos em relação ao uso do dialeto na atualidade referem-se à associação da língua e da cultura de origem italiana com elementos positivos; à vontade explícita de manutenção do dialeto pelos adultos e idosos, à recuperação da língua de imigração pelos informantes de 08-30 anos. Aliás, entre os mais jovens, percebe-se uma tentativa de retorno às origens, de valorização da cultura e da língua dos antepassados.
This dissertation investigates the present status of maintenance of northern dialectal varieties of Italian in the town of Santa Teresa, located in the mountains of Espírito Santo state in Brazil. This work is justified because 141 years after the arrival of the first Italians in this town, there still have been no studies of the Italian dialects spoken in the area. Considering this scenario, the objective of this study is to offer an overview of the Portuguese-Italian bilingual situation in Santa Teresa, with identification of the areas of greater or lesser use of the dialect, the determining factors in language choice, domains of use, and linguistic attitudes of the speakers. A second objective of the study was to document some oral Italian traditions still present in Santa Teresa. The data were collected through participatory observation, a sociolinguistic questionnaire, and 146 partly structured interviews, in which the informants were divided by place of residence (rural or urban areas), and by three age groups (from 8-30 years of age, 31-60, and over 60). The results reveal that the term taliàn, which means ‘Italian’ in the dialects of northern Italy (cf. Boerio, 1956, Ricci, 1906, etc.) is used by most speakers in the over-sixty age group in rural and urban areas. Analyzing the use of the Italian dialect diachronically through different domains, in the childhood period of the informants and at the present time, it is possible to verify the loss of the dialect over the life of the speakers in the 31-60 and over-60 age groups. Among informants in the 8-30 age group, almost complete Portuguese monolingualism is found. Among those between 31 and 60 years of age, the use of the Italian dialect is strongly influenced by the age of the interlocutor: it is more common with grandparents than with parents, and more common with parents than with siblings. However, no informant of this age group reported using the Italian dialect with their children. In summary, the use of the Italian dialect only among the oldest members indicates the process of replacement by Portuguese and points to the fact that its transmission to younger generations is seriously hampered. The analysis of linguistic attitudes of the informants over 60 revealed a lack of prestige and prejudice against using the dialect during the informants’ childhoods. On the other hand, reports concerning the use of the dialect at the present time refer to the association of the language and culture of Italian origin with positive feelings, to the explicit desire of adults and elders to maintain the dialect, and to the interest in recovery of the language of immigration by informants from 8 to 30 years of age. In fact, among the youngest, an attempt is evident to return to their origins, along with attributing value to the culture and language of their ancestors.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/1524
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