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Title: Estratégia como prática na produção do desfile de uma escola de samba
metadata.dc.creator: Júlio, Ana Carolina
Keywords: Estratégia como prática;Práticas sociais
Issue Date: 8-Dec-2015
Abstract: A presente dissertação se propõem a analisar a organização das práticas estratégicas da produção do desfile de uma escola de samba. Para compreender esses fenômenos utilizei a epistemologia de Schatzki e a perspectiva da EPS como minha base teórica. A fim de alcançar o objetivo geral, realizei esta pesquisa por meio da triangulação entre observação participante, entrevistas, pesquisa documental e imagens/fotografias. Ressalto que a pesquisa está delimitada à análise da produção do desfile da Unidos de Jucutuquara, uma escola de samba de Vitória/ES. Em relação à análise e interpretação dos dados, empreguei o procedimento de análise de conteúdo temático a posteriori. Os resultados apontam que o fazer estratégia da Jucutuquara (ilustrado por meio das categorias temáticas que emergiram da análise dos dados) se desdobrou em torno de atividades centrais, envolvendo múltiplos atores, “fazeres” e “dizeres”, regras, entendimentos e teleoafetos. No carnaval atual, espera-se que as escolas tenham fantasias e alegorias bonitas, bem feitas, esteticamente bem apresentadas. Afinal, um desfile só é considerado “bom” quando a escola “traz luxo para avenida”, impactando visualmente o público e, principalmente, os jurados. Os integrantes da Jucutuquara (enquanto praticantes do fazer estratégia) souberam lidar com restrições financeiras e de tempo, tiveram um senso estético refinado, foram criativos, flexíveis, capazes de improvisar, souberam como utilizar materiais mais simples e baratos, ou, até mesmo, de desfiles anteriores, foram hábeis em combinar cores e zelosos com o acabamento de carros e fantasias. Assim, o entendimento, o know-how de cada um desses integrantes em relação a como as práticas carnavalescas acontecem no carnaval capixaba foi fundamental para todo o fazer estratégia da escola, garantindo o vice-campeonato. A dimensão estética da estratégia, tão marcante no contexto da produção carnavalesca, também é um aspecto que pode ser extrapolado para outros contextos organizacionais. Por meio da estética (de aspectos visuais, por exemplo) é possível mobilizar pessoas. Afinal, o fazer estratégia implica desenvolver uma imagem/projeção para o futuro, o que orienta as ações imediatas. O efeito normativo das regras que organizam a produção carnavalesca também permeou o fazer estratégia da escola de samba em análise. As regras eram os quesitos de julgamento do desfile carnavalesco e “Jogar as regras do jogo” foi uma das estratégias adotadas durante a produção do desfile. As teleoafetividades também organizaram, de forma marcante, o fazer estratégia da Jucutuquara. O grande objetivo do carnaval de 2014/2015 foi honrar o pavilhão e a memória do presidente da escola. Esse era o desejo de cada integrante e/ou folião que considerava a Jucutuquara sua “escola do coração”. Diante disso, considero que os objetivos de uma organização estão para além de seus resultados, orientação, sobrevivência ou vantagem competitiva; podendo coexistir com os afetos dos indivíduos enquanto praticantes. Entender os objetivos organizacionais de modo estritamente performático é enxergar apenas a “ponta do iceberg” e não o acontecimento das organizações enquanto um fenômeno social. Os objetivos (senso de propósito) de uma organização, ao serem incorporados pelos atores sociais durante sua socialização, transformam-se em desejos, abarcando emoções, humores, sentimentos e afetos dos indivíduos enquanto praticantes do fazer estratégia. Dessa forma, a afetividade também pode orientar o que as pessoas fazem; o que pode ser entendido enquanto um traço antropológico dos seres humanos. Por fim, percebo o fazer estratégia enquanto uma realização e não apenas como uma concepção intelectual, o que não se restringe ao contexto do carnaval. O fazer estratégia não ocorre no “vácuo”, não sendo o resultado de decisões tomadas “aqui e agora” por estrategistas visionários. O fazer estratégia é uma realização de todos os envolvidos na concepção e na execução das atividades em torno das quais essa prática se desdobra, abarcando as percepções de seus praticantes em relação ao passado, presente e futuro.
The purpose of this research is to analyze the organization of the strategizing (as a strategic practice) in the Carnival production of Jucutuquara, a samba school from Espírito Santo/Brazil. I used Schatzki`s epistemology and the SAP perspective as my theoretical basis to understand these phenomena. In order to achieve the overall goal, I conducted this research through triangulation between participant observation, interviews, documental research and images/photos. I used the posteriori content analysis procedure on the analysis and interpretation of data. The findings illustrate that Jucutuquara`s strategizing (illustrated through the themes that emerged from the data analysis) unfolded around core activities, involving multiple actors, "doings" and "sayings", rules, understandings and teleo- affective structure. Nowadays, samba schools are expected to have beautiful, well-done and aesthetically well-presented costumes and floats. A Carnival parade is only considered "good" when a samba school "brings luxury to the avenue", visually impacting the public and especially the jury. Members of Jucutuquara (as practitioners of strategizing) knew how to deal with financial and time constraints. They had a refined aesthetic sense, they were creative, flexible and able to improvise. They knew how to use simple and cheap materials, or even materials from previous parades. They were skilled at combining colors and careful with the finishing of floats and costumes. Thus, understandings and know-how of each of these members about how the Carnival practices happen in current and local context were essential for the strategizing, which allowed Jucutuquara to achieve the second place in the Carnival competition. The aesthetic dimension of the strategizing, visibly noticed in the context of the Carnival production, is also an aspect that can be extrapolated to other organizational contexts. Through the aesthetic (visual aspects, for example) it is possible to mobilize people. After all, strategizing involves developing an image/projection for the future, which guides the immediate actions. The regulatory effect of the rules that organized the Carnival production also permeated the strategizing. The judgment categories were the rules, and "Playing the rules of the game" was one of the strategies adopted during the production of the parade. The teleo-affective structure also organized the strategizing of Jucutuquara. The main goal of the Carnival 2014/2015 was honoring the flag and the memory of the president of the school. This was the desire of each member who considered Jucutuquara his "school of the heart". Therefore, I consider that the objectives of an organization not involve only its results, orientation, survival or competitive advantage. Those examples of objectives can coexist with the affections of individuals as practitioners. The affection can also guide what people do; which may be understood as an anthropological trait of human beings. Finally, I realize that strategizing is performative; it is not just an intellectual conception, which is not restricted to the samba school context. The strategizing does not occur in the "vacuum" and it is not the result of decisions make "here and now" by visionary strategists. The strategizing is a performance of all involved in the design and execution of the activities around which the practice unfolds, encompassing the perceptions of practitioners into the past, present and future.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/1860
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