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Title: Cidade Paisagem: novas perspectivas sobre a preservação da paisagem urbana no Brasil.
metadata.dc.creator: Casado, Tatiana Caniçali
Keywords: Landscape; Heritage; Contemporary dynamic; IPHAN;Dinâmicas contemporâneas
Issue Date: 2-Sep-2010
Publisher: Universidade Federal do Espírito Santo
Abstract: A construção da paisagem no meio científico e social, tanto no discurso quanto no método, é abordada neste estudo como processo complexo, a partir do qual se desenvolveram relações de domínio sobre a percepção do espaço, que perduram fortemente consolidadas, desde a gênese conceitual do termo até sua práxis atual. Historicamente, os estudos acerca da paisagem desenrolaram-se vagarosamente, imersos em questionamentos muitos, frente à multiplicidade de sentidos que o conceito oferece. Na psique, a noção de paisagem está presente há muito, como prática inconsciente do homem, antes mesmo da formulação de qualquer hipótese ideológica. Entretanto, sua materialização no consciente social só se concretiza a partir da pintura, e, principalmente, com a perspectiva, através da tecnicidade do olhar, antes, vagante do infinito, agora, ordenado em uma moldura. Desde então, a paisagem é percebida segundo o ordenamento do olhar, como o equivalente da natureza e do belo, assumindo, ao mesmo tempo, importante valor simbólico, uma vez que está ligada aos processos mnemônicos e subjetivos que o indivíduo constrói com o território. O domínio sobre essa experiência espaço-cognitiva, característica do contemporâneo, consolida, no imaginário social, a formação de consensos sobre a paisagem, cujas referências estéticas fazem um apelo cultural, muito pertinente às atuais dinâmicas capitalistas de produção do espaço de escala mundial, principalmente as de espetacularização e mercadorização das cidades promovidas pelo city marketing. No Brasil, essa ideologia consensual da paisagem ultrapassa o imaginário social e domina também o político, haja vista o principal instrumento de preservação da paisagem, o Decreto-lei 25, de 30 de novembro de 1937, e seu limite àquelas de excepcional valor ou feição notável. A análise dos processos de tombamento para inscrição de bens pelo valor paisagístico revela a dominante, senão exclusiva, adoção de critérios de seleção relacionados a aspectos estéticos. Excluem-se, portanto, do que a nação considera patrimônio, paisagens outras que, embora não possuam, a princípio, valor estético notável, exercem papel fundamental como herança das relações antepassadas entre o homem e o espaço e condição pré-existente para as mesmas relações do presente e futuras. A partir desta contextualização histórica, a pesquisa procura transpor para a contemporaneidade a análise ideológica do conceito e sua relação com a formação da paisagem no imaginário coletivo, a fim de reconhecer, nas práticas atuais de preservação da paisagem, o quanto essa gênese, enraizada na estética, permanece fortemente consolidada, alimentando as dinâmicas atuais de consumo e mercadorização da cidade. Portanto, como conclusão preliminar, pode-se afirmar que a identificação de paisagens de diferenciado valor, sobretudo estético, sustenta e reforça o tratamento da cidade como objeto, como mercadoria padrão a ser vendida/negociada no mercado mundial, em detrimento de seu reconhecimento enquanto processo dinâmico que, embora inserido no contexto global, desenvolve peculiaridades e especificidades, inerentes à produção do espaço, tal como Lefebvre preconiza, ou seja, à própria produção da vida, produto social, por característica, gerador de dissensos. Palavras-chave: Paisagem. Patrimônio. Dinâmicas contemporâneas. IPHAN.
The edification of the landscape in the scientific and social field, in speech as in the method, is taken in this study as a complex process, from which were developed relationships of dominance on the perception of space, which persist strongly consolidated, since the genesis of the conceptual practice till its actual praxis. Historically, the landscape studies took place slowly, immersed in many questions, in face of the multiplicity of meanings that the concept offers. In the psyche, the notion of landscape is present since a long time ago, as an unconscious human being practice, even before any ideological hypothesis formulation. However its materialization in the social conscious will come only from painting, and specially with the perspective, through the technicity of the view, at first wandering the infinity, now ordained in a „frame‟. Since then, the landscape is perceived according to the order of the view, as the equivalent of nature and beauty, assuming at the same time, an important symbolic value, since it is linked to mnemonic and subjective processes that the being build with the territory. The domain on this space-cognitive experience, characteristic of the contemporary, consolidates in the social imaginary, building consensus on the landscape, whose aesthetic references make a cultural appeal, very pertinent to the actual capitalist dynamics of production the space worldwide, mainly of the spectacle and commodification of cities promoted by the city marketing. In Brazil, this consensual ideology of the landscape surpass the social imaginary and also dominates the political imaginary, whereas the main instrument for preserving the landscape, Decree-law 25, from November 30, 1937, and its limit to those of exceptional value or remarkable feature. The analysis of the processes for putting under governmental trust for inscription of goods by the landscape value, reveals the dominant, if not exclusive, adoption of selection criteria related to aesthetic aspects. Abstain, therefore, from what the nation considers “patrimony”, other landscapes that, besides not having, at first, remarkable aesthetic value, play a crucial role as an inheritance from ancestor relations between man and space and pre- existing condition for the same present and future relations. From this historical background, the research seeks to transfer into contemporaneity, the ideological analysis of the concept and its relation with the building of the landscape in the collective imaginary, in order to recognize, in current practices to landscape preservation, as much this genesis, rooted in aesthetics, remains strongly consolidated, feeding the current dynamics of consumption and commodification of the city. Therefore, as preliminary conclusion, one can state that the identification of landscapes of different value, especially aesthetic, maintains and intensify the treatment of the city as an object, a „standard‟ commodity to be sold / traded on the world market, in detriment of its recognition as a dynamic process that, even though inserted in the global context, develops specificifities and peculiarities, inherent to the production of space, as Lefebvre preconizes, that is, to the production of life, social product , as characteristic, dissent generator.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/4396
Appears in Collections:PPGAU - Dissertações de mestrado

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