Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.ufes.br/handle/10/5230
Title: A Etnobotânica e os saberes dos comerciantes de plantas de uso medicinal e ritualístico em mercados e feiras de municípios do norte do Espírito Santo, Brasil.
metadata.dc.creator: FERREIRA, J. M.
Issue Date: 14-Mar-2014
Publisher: Universidade Federal do Espírito Santo
Citation: FERREIRA, J. M., A Etnobotânica e os saberes dos comerciantes de plantas de uso medicinal e ritualístico em mercados e feiras de municípios do norte do Espírito Santo, Brasil.
Abstract: A Etnobotânica e os saberes dos comerciantes de plantas de uso medicinal e ritualístico em mercados e feiras de municípios do norte do Espírito Santo, Brasil. Resumo Estudos etnobotânicos têm sido relevantes no resgate de conhecimentos locais, sendo os mercados e feiras regionais importantes na aquisição de informações sobre o uso da flora de uma região. Os erveiros apresentam-se como agentes na manutenção, transmissão e divulgação do conhecimento popular sobre as plantas e seus usos. Diante disso, esse capítulo teve o objetivo de conhecer os mercados e feiras onde se encontram comerciantes de plantas medicinais e ritualísticas, as plantas comercializadas por eles, seus usos e os saberes atribuídos a elas em quatro municípios do norte do Espírito Santo: São Mateus, Conceição da Barra, Pedro Canário e Nova Venécia. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas no período de agosto de 2012 a agosto de 2013 com nove erveiros. As plantas foram adquiridas por compra onde eram comercializadas ou coletadas em locais indicados pelos erveiros, herborizadas e identificadas. Foram separadas as autóctones e alóctones; e as naturalizadas das cultivadas. Empregou-se o índice de similaridade de Jaccard, através do método UPGMA, usando a plataforma R. Realizou-se também uma análise de rede de interações, de acordo com as espécies que são comercializadas por cada um dos erveiros e formas de obtenção dessas. O conhecimento dos erveiros vem, em sua maioria, de seus familiares, porém demonstram também ter influência de outras fontes de conhecimento, como programas de televisão e livros. A faixa etária entre eles varia dos 30 a 70 anos e são em sua maioria mulheres. Os erveiros que citaram maior número de espécies são os mais velhos e menos escolarizados. Foram encontradas 155 morfoespécies, sendo que 23 não puderam ter identificação botânica. As famílias mais representativas foram Asteraceae (21 ssp.), Fabaceae (13 ssp.), Lamiaceae (11 ssp.) e Poaceae (5 ssp.). Das cinco formas de obtenção das plantas pelos erveiros a de maior destaque foi através de compra em distribuidoras ou em outros mercados, principalmente entre os erveiros do Mercado Municipal de São Mateus (71,6%) e Nova Venécia (23,2%). O fácil acesso aos fornecedores de plantas ensacadas pode desestimular esses comerciantes à prática do cultivo e da coleta. Por demonstrarem conhecer a existência de leis que regulam coletas de plantas, provavelmente as informações sobre coleta não representem o que ocorre no cotidiano deles. A maioria das espécies é de hábito herbáceo (48%), seguido dos hábitos arbóreo (31%), arbustivo (12%), trepador (9%) e epifítico (1%). Destaca-se o uso das folhas (46%), resultado muito comum em mercados e feiras do sudeste e cascas (22%), mais comuns em mercados do nordeste. Foi citado maior número de espécies de uso medicinal (93%) do que ritualístico (6%), o que pode representar uma omissão de indicação para esta finalidade e 1% de uso veterinário. Das espécies identificadas 47% são autóctones, enquanto 53,2% são alóctones, 37,3% são naturalizadas e 62,6% são cultivadas. O dendograma de similaridade gerou dois grupos. Um entre os três erveiros que citaram maior número de espécies, sendo os de maior similaridade os que mais cultivam e outro entre os erveiros de São Mateus e o de Pedro Canário, que citaram maior número de espécies arbóreas. Palavras-chave: Etnobotânica, Conhecimento local, Erveiros Capítulo 2 Plantas comercializadas como medicinais e ritualísticas em mercados e feiras livres de municípios do Norte do Espírito Santo, Brasil Resumo O Estado do Espírito Santo encontra-se totalmente incluído no domínio Mata Atlântica. Atualmente, restam cerca de 11% da cobertura original, fragmentada devido a exploração de riquezas naturais. No Norte do Estado os remanescentes, apesar de serem poucos, ainda guardam uma grande diversidade e riqueza florística. Há pouca dúvida de que a exploração de plantas medicinais nativas exerça pressão sobre as populações vegetais, sendo as investigações etnobotânicas essenciais em reconhecer e preservar plantas potencialmente importantes. Os mercados tradicionais são fontes para a resiliência e manutenção do conhecimento acerca dessas espécies. O presente trabalho buscou inventariar as espécies mais comercializadas em feiras e mercados de quatro municípios do norte do Espírito Santo, seus usos, importância relativa, propriedades terapêuticas, apontando ainda as autóctones comercializadas que possuem algum status de ameaça. Foram realizadas entrevistas estruturadas e semi-estruturadas com nove erveiros de feira e mercados dos municípios de São Mateus, Conceição da Barra, Nova Venécia e Pedro Canário entre agosto de 2012 e agosto de 2013. Utilizou-se a técnica de listagem livre para se conhecer as espécies consideradas mais vendidas pelos erveiros e calculou-se a saliência cultural entre todos os erveiros e somente entre os do mercado municipal de São Mateus. Calculou-se também a importância relativa das espécies citadas. A listagem livre resultou na citação de 26 espécies. As listagens de cada erveiro variaram de 7 a 14 espécies. As espécies com maiores índices de saliência foram Stryphnodendron adstringens (0,33), Senna alexandrina (0,24) e Chondrodendron platiphyllum (0,22). Os índices de saliência foram baixos, indicando que não houve uma grande dominância de espécie citada nas listagens livres. Não houve alteração entre as três espécies com maiores índices quando calculou-se somente entre os erveiros de São Mateus, também com pequena variação entre seus valores. Os sistemas corporais com maior número de indicações foram para o tratamento das Doenças do aparelho digestivo, Doenças do aparelho geniturinário e Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório não classificados em outra parte, provavelmente por muitas plantas terem sido citadas como anti-inflamatórios em geral. Em relação à importância relativa (IR), 16 espécies apareceram com valores maiores que 1, sugerindo alta versatilidade. Entre elas a Amburana cearensis obteve valor máximo (2), além de alto índice de saliência entre os erveiros do mercado municipal de São Mateus (0,23), seguida da Echinodorus grandiflorus com IR igual 1,7. As espécies mais comercializadas e versáteis, apesar de ameaçadas, são em sua maioria alóctones da região norte do Espírito Santo e da Mata Atlântica (Amburana cearensis e Stryphnodendron adstringens) ou são bem distribuídas pelo estado (Hymenaea courbaril), de onde se pode inferir que o seu uso, nos níveis mantidos até hoje, não causam problemas relativo à conservação local dessa última espécie. Entre as 141 plantas comercializadas, 37 espécies estão na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS). Palavras-chave: Etnobotânica, Plantas medicinais, Mercados locais
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/5230
Appears in Collections:PPGBT - Dissertações de Mestrado

Files in This Item:
File Description SizeFormat 
tese_7531_Dissertação_Juliana.pdf2.31 MBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.