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Título: Efeitos da exposição crônica ao cloreto de mercúrio sobre a pressão arterial e a reatividade vascular de artérias mesentéricas de resistência de SHRs pré-hipertensos
Autor(es): Fardin, Paloma Batista Almeida
Orientador: Vassallo, Dalton Valentim
Coorientador: Simões, Maylla Ronacher
Data do documento: 19-Jun-2019
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: O mercúrio é um metal pesado associado a doenças cardiovasculares. Estudos relataram aumento da reatividade vascular sem alterações na pressão arterial sistólica (PAS) após exposição crônica ao cloreto de mercúrio (HgCl2) em ratos normotensos. No entanto, não sabemos se os indivíduos na fase préhipertensiva, como os ratos espontaneamente hipertensos (SHRs) jovens, são suscetíveis ao aumento da pressão arterial. Nós investigamos se a exposição crônica ao HgCl2 acelera o desenvolvimento da hipertensão em SHRs jovens, através da análise da PAS durante a fase pré-hipertensiva e da função vascular de artérias mesentéricas de resistência (MRAs). SHRs com quatro semanas de idade foram divididos em 2 grupos: o grupo SHR Controle e SHR HgCl2. O grupo SHR Controle recebeu injeções intramusculares (i.m.) de solução salina 0,9% por 30 dias, enquanto o grupo SHR HgCl2 recebeu pelo mesmo tempo injeções i.m. de HgCl2, sendo a dose inicial de 4,6 μg/kg e as doses subseqüentes de 0,07 μg/kg/dia, a fim de atingir uma concentração plasmática final de 29nM. Os animais foram submetidos à pletismografia caudal para mensuração indireta da PAS no primeiro dia do tratamento e semanalmente, até o final. Ao final do tratamento, os animais foram anestesiados e eutanaziados, sendo removidos o coração, o leito mesentérico e o sangue, para análise de hipertrofia cardíaca, reatividade vascular e análises bioquímicas. Os resultados mostraram que o tratamento com HgCl2 acelerou o desenvolvimento da hipertensão; reduziu a reatividade vascular à fenilefrina nas MRAs; aumentou a produção de óxido nítrico (NO); promoveu disfunção vascular aumentando a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), como o peróxido de hidrogênio (H2O2); aumentou os níveis proteicos de Gp91Phox e níveis in situ de ânion superóxido (O2-); e reduziu a produção de prostanóides vasoconstritores derivados da COX em comparação ao grupo SHR Controle. A exposição ao HgCl2 acelerou o desenvolvimento da hipertensão e somado a isso os animais expostos também exibiram um mecanismo vasoprotetor para contrabalancear o rápido aumento da PAS, diminuindo a reatividade vascular através da superprodução de H2O2 e NO. Nossos resultados sugerem que a exposição ao HgCl2 potencializou esse mecanismo vasoprotetor, uma vez que, antes disso, ocasionou o estabelecimento precoce da hipertensão. Portanto, a exposição crônica ao HgCl2 em animais pré-hipertensos pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, acelerando o desenvolvimento da hipertensão.
Mercury is a heavy metal associated with cardiovascular diseases. Studies reported increased vascular reactivity without changes in systolic blood pressure (SBP) after chronic mercury chloride (HgCl2) exposure in normotensive rats. However, we do not know whether individuals in the prehypertensive phase, such as young spontaneously hypertensive rats (SHRs), are susceptible to increased arterial blood pressure. We investigated whether chronic exposure to HgCl2 in young SHRs accelerates hypertension development by studying the vascular function of mesenteric resistance arteries (MRAs) and SBP in young SHRs during the prehypertensive phase. Four-week-old SHRs were divided into 2 groups: SHR control group and SHR HgCl2 group. The SHR control group received intramuscular injections of 0.9% NaCl for 30 days, while the SHR HgCl2 group received intramuscular injections of HgCl2 for the same period to achieve a final plasma concentration of approximately 29 nM, with an initial dose of 4.6 μg/kg and subsequent doses of 0.07 μg/kg/day. The animals were submitted to caudal plethysmography for indirect measurement of SBP on the first day of treatment and then weekly until the end of the 30-day treatment. At the end of treatment, the animals were anesthetized and euthanized, and the heart, mesenteric bed and blood were removed for analysis of cardiac hypertrophy, vascular reactivity and biochemical analyzes. The results showed that HgCl2 treatment accelerated the development of hypertension; reduced vascular reactivity to phenylephrine in MRAs; increased nitric oxide (NO) generation; promoted vascular dysfunction by increasing the production of reactive oxygen species (ROS), such as hydrogen peroxide (H2O2); increased Gp91Phox protein levels and in situ levels of superoxide anion (O2•-); and reduced vasoconstrictor prostanoids production compared to vehicle treatment. Although HgCl2 accelerated the development of hypertension, the mercury-exposed animals also exhibited a vasoprotective mechanism to counterbalance the rapid increase in SBP by decreasing vascular reactivity through H2O2 and NO overproduction. Our results suggest that HgCl2 exposure potentiated this vasoprotective mechanism, since, before that, it caused the early establishment of hypertension. Therefore, chronic exposure to HgCl2 in prehypertensive animals could enhance the risk for cardiovascular diseases, accelerating hypertension development.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/11337
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