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Título: Lugares do organismo na análise do comportamento: uma reflexão conceitual e quantitativa
Autor(es): Fonseca, Kelvin
Orientador: Zilio, Diego
Data do documento: 20-Mar-2019
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: A análise do comportamento é definida como a ciência que estuda o comportamento dos organismos, porém o organismo não recebe a mesma atenção que o comportamento na área. Em manuais de princípios básicos e vocabulários não é possível encontrar uma definição explícita e consensual desse organismo, e apesar do termo estar presente no título de uma das obras mais significativas da área, o The Behavior of Organisms de B. F. Skinner, seu status dentro da comunidade analítico-comportamental parece incerto, e sua função tem sido frequentemente debatida. Além disso, em livros introdutórios de psicologia e na literatura não-comportamental podem ser encontradas críticas à análise do comportamento que a desenham como pressupondo uma concepção de humano simplista. Dado que a ausência de uma formulação direta pode resultar em confusão conceitual em pesquisas dentro da área bem como a perpetuação de críticas equivocadas fora dela, esse trabalho buscou tornar nítido se há uma definição para o termo no campo. Por meio do Procedimento de Interpretação Conceitual de Texto (PICT), analisamos uma amostra da literatura analítico-comportamental e também da obra de B. F. Skinner visando encontrar uma formulação do termo. Notamos que o organismo é um lócus onde convergem múltiplas discussões na análise do comportamento, e que longe de ter um significado unívoco e homogêneo na área, podem ser encontradas pelo menos 10 diferentes concepções do termo em 86 anos de textos da literatura, e ele surge em pelo menos 15 diferentes contextos em 60 anos da obra de Skinner. Dessas 10 IV diferentes concepções encontradas na literatura analítico-comportamental, 9 versavam sobre organismos individuais e uma sobre uma metáfora organísmica de sociedade, e foram divididas em 3 grandes grupos, a depender de como lidavam com o critério demarcador entre organismo e ambiente: concepções morfológicas tomavam a pele como a fronteira relevante, concepções transdermais consideravam tal critério insuficiente e propunham outras alternativas, e concepções aorganísmicas propunham a eliminação do termo. Na obra de Skinner, criamos categorias a partir da leitura dos textos, e após uma descrição de algumas delas, evidenciamos que existem pelo menos três ambiguidades na obra de Skinner quanto ao seu tratamento do organismo, relativas ao critério de demarcação entre organismo e ambiente, ao papel da filogênese na constituição do organismo, e à extensão metafórica do organismo individual como modelo de sociedade. Por fim, sugerimos quatro possíveis critérios para guiar a escolha ou a criação de uma concepção de organismo na análise do comportamento: a pele não é tão importante enquanto uma fronteira, o comportamento surge da atividade do organismo como um todo, mutualidade organismo-ambiente, e o comportamento sempre está certo. A escolha por tais critérios deve-se não ao ineditismo das proposições mas à extensão de suas implicações, pois a atividade científica de organismos delineando concepções de organismos têm consequências temporal e espacialmente distantes para outros organismos, visto que ela pode versar sobre o alcance e os limites desses organismos alterarem e serem modificados pelo mundo.
Behavior analysis defines itself as the science which studies the behavior of organisms, but the “organism” doesn’t receive the same attention “behavior” does. In coursebooks of basic principles and vocabularies it’s not possible to find an explicit and consensual definition of this “organism”, and despite the term being present in the title of one of the most significant works of behavior analysis, B. F. Skinner’s The Behavior of Organisms, its status seems uncertain, and its function has been the subject of debate. Also, in introductory books of psychology and non-behavioral-analytic literature can be found some critiques of behavior analysis that portray the field as presupposing a simplistic conception of the human being. Since the absence of a straightforward o rmulation can result in conceptual confusion in research inside the field as well as the perpetuation of misguided critiques outside of it, this work has sought to make it clear if there is a definition for the term in the field. With the Conceptual Interpretation of Text Procedure (PICT), we analyzed a sample of the behavioral-analytic literature and of Skinner’s works seeking to find a formulation for the term. We noted the “organism” is a locus where multiple discussions in behavior analysis flow to, and that far form having a single and homogeneous meaning, at least 10 different conceptions of the term can be found in 86 years of the literature, and it appears in at least 15 different contexts in Skinner’s writings. From 10 of these conceptions found in the behavioral analysis literature, 9 were about individual organisms and one about an organismic metaphor of society; they were divided into three big groups, depending on how they dealt with the demarcation between organism and environment: morphological conceptions took the skin as the relevant border, transdermal conceptions found such criterion lacking and proposed other alternatives, and organismical conceptions proposed the elimination of the term. In Skinner’s writings, we created categories based upon the texts, and after a description of some of them, we argue that there are at least three ambiguities in his writings regarding the demarcation criterion between organism and environment, to the phylogenetic role in the constitution of the organism, and the metaphorical extension of the individual organism as a model of society. Finally, we suggest four possible criteria to guide our choice or creation of a new conception of organism inside behavior analysis: the skin is not as important as a boundary, behavior arises from the activity of the organism as a whole, organism-environment mutuality, and the behavior is always right. The choice for these criteria was due not to these propositions being new in any way but rather to the extension of its implications, since the scientific activity of organisms writing about conceptions of organisms has long overarching consequences over time and space to other organisms, since it can describe the range and the limits of these organisms to change and to be modified by the world.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/11368
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