ECOLOGIAS DO BAIRRO JOSÉ DE ANCHIETA RAPHAEL DA SILVA GAMA SOLER GONZALEZ 1 ACESSO A PÁGINA DO INSTAGRAM PELO LINK https://instagram.com/ecologiasdejosedeanchieta?igshid=YmMyMTA2M2Y= 2 RAPHAEL DA SILVA GAMA Capixaba, filho de dois cariocas que chegaram ao Espírito Santo muito novos. Sou professor, atleta de vôlei, formado em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo, apaixonado por música, Machado de Assis,Carolina Maria de Jesus(que foi a grande influenciadora para a pesquisa do mestrado), e com amor de sobra para com meus familiares e cachorros. 3 Sumário P.5 O início de tudo P.7 ECOLOGIAS DO BAIRRO JOSÉ DE ANCHIETA P.11 Organização da Produção da Página P.12 A página como produto pedagógico P.15 O que colocar na página? P.20 Não só de denúncias vive a página P.23 Referências Bibliográficas 4 O início de tudo Ecologias do bairro José de Anchieta nasce durante a pesquisa-dissertação do mestrado profissional em educação,com o tema Educação ambiental e racismo ambiental no bairro José de Anchieta - Serra/ES e nos cotidianos escolares. Ao longo da pesquisa foram surgindo ideias para elaboração do material pedagógico a partir das conversas com o professor Dr.Soler Gonzalez e também nas escutas com minhas e meus alunas e alunos. Todas as denúncias apresentadas no material pedagógico foram produzidas com imagensnarrativas presentes nos cotidianos do bairro e da vida das e dos alunas e alunos, que mostram a falta de saúde ambiental no território do bairro José de Anchieta. A seguir, iremos apresentar as e aos leitoras e leitores uma síntese da página do instagram “Ecologias de José de Anchieta”, suas denúncias e potencialidades e, como ela ajudou a transformar as ecologias do bairro José de Anchieta e das e dos estudantes. Fortes e calorosos abraços dos autores. Raphael da Silva Gama e Prof. Dr. Soler Gonzalez 5 figura 1: “Pantanal” O bairro sofre constantemente com alagamentos, que sempre são destaques nas mídias mas nunca são resolvidos. 6 ECOLOGIAS DO BAIRRO JOSÉ DE ANCHIETA Produzimos uma página do Instagram com os e as estudantes sobre as ecologias do bairro José de Anchieta mostrando através das ecologias cotidianas, resistências, leituras de mundo em prol de uma educação antirracista, numa luta contra o racismo ambiental e as injustiças ambientais no bairro e nos cotidianos escolares. 7 ECOLOGIAS DO BAIRRO JOSÉ DE ANCHIETA Promover uma educação ambiental crítica que tende a valorizar os sujeitos, as identidades, ancestralidades e os territórios dos sujeitos que, comigo, criam a pesquisa. Através da página do Instagram, será possível realizar uma série de posts narrativos sobre os principais problemas ambientais do bairro, como a turfa e qualidade do ar; enchentes e deslizamentos de terra; educações ambientais de base comunitária; e educações ambientais nos cotidianos escolares. Com isso, o seguidor da página estaria se aproximando das educações ambientais do bairro José de Anchieta, e saindo um pouco da sua bolha social. Os posts serão produzidos através das narrativas dos moradores, professores e alunos do bairro, apresentando quais territorialidades eles possuem com o bairro, quais espaçostempos são utilizados na escola e como o aprenderensinar varia de acordo com cada memória afetiva dos entrevistados. 8 ECOLOGIAS DO BAIRRO JOSÉ DE ANCHIETA Por vivermos numa sociedade que já tem a geração dos millennials, as redes sociais tornam-se mais uma ferramenta de rápido acesso que a internet disponibiliza para seus usuários. Busco desenvolver o aprenderensinar dos alunos através da escuta, possibilitando assim uma melhor compreensão dos textos orais, na criatividade e no senso crítico do educando a respeito das múltiplas educações ambientais presentes no bairro e nos cotidianos da escola. Acredita-se então, que essa ferramenta educativa apresenta desafios tanto para o educando como para o educador, quanto a aproximação da educação com as tecnologias da sociedade. Portanto, é elementar inferir que o seu uso pode contribuir com qualidade do ensino, isto é, se utilizadas através de propostas bem preparadas, como também de acordo com as concepções filosóficas e educacionais (LIMA, et al.,2020, p. 1). Criar posts de Instagram se torna um meio rápido de comunicação entre os indivíduos, em função dos sujeitos estarem conectados às redes sociais e à internet, logo, às informações chegariam de maneira mais veloz em qualquer aparelho que possua conexão com a internet (smartphones, computadores), sendo possível acompanhar as publicações de qualquer lugar. 9 ECOLOGIAS DO BAIRRO JOSÉ DE ANCHIETA Em períodos normais, uma conversa feita no cara a cara seria a ideal, devido à observação das emoções que os entrevistados colocam, ao relembrarem as suas vivências e lutas em meio ao caos ambiental, social e educacional que muitos passam no bairro. Como não será possível esse encontro pessoal, montei um cronograma que seria dividido em etapas de elaboração da página do Instagram. 10 Organização da Produção da Página 11 A página como produto pedagógico No início do ano letivo, os pais, mães e responsáveis precisam comprar inúmeros materiais escolares para seus filhos, que vão desde lápis, borracha, caderno, caneta, até tintas e pincéis, passando pelos tênis para a aula de educação física. Mas hoje, com essa nova geração que está chegando, eles necessitam de um novo material escolar. Um equipamento eletrônico: seja ele um celular, um tablet ou notebook. Se não tiverem, estão “fora da realidade” Se não possuírem tais equipamentos, correm o risco de se tornarem defasados e desinteressantes (SANTOS; SOARES, 2012). Vivemos num mundo informatizado, e, portanto, os profissionais da educação devem seguir o mesmo caminho, afinal a globalização estreita os laços, os caminhos, tornando a comunicação mais rápida entre as pessoas, e a escola não pode estar fora desse sistema. 12 A página como produto pedagógico Artefatos escolares não são mais somente aqueles materiais de usos cotidianos por parte das e dos educandas e educandos . Agora a tecnologia chegou para ficar, e nem pede licença para passar A integração ao mundo tecnológico, midiático e informacional impõe-se como uma exigência quase universal, embora venha se realizando de forma desigual, e até mesmo marginal, conforme as diferenças sociais, econômicas, políticas e culturais entre as regiões do planeta e do país, entre os grupos sociais e entre os indivíduos. Em consequência disso, e apesar disso, essa integração vem se realizando também por meio das práticas cotidianas de professores e alunos, em consonância ou não com projetos singulares das escolas e com as políticas públicas para a educação. Dessa forma,consideramos que o acesso aos artefatos tecnológicos, especialmente os relacionados à indústria da comunicação e da informação é, ao mesmo tempo, uma exigência e um direito daqueles que praticam a educação. Mais do que refutar a intrusão desses artefatos nas escolas,nos cabe indagar o que vamos fazer e o que estamos fazendo com eles. (SANTOS; SOARES, 2012. p.3). 13 A página como produto pedagógico A modernidade pede para que o/a professor/professora esteja conectado às novas tecnologias, justamente por estarmos vivenciando a Revolução-Técnico-Científica-Informacional, que é um novo arranjo global de realidade entre os atores sociais. Quanto mais “tecnicamente” contemporâneos são os objetos, mais eles se subordinam às lógicas globais. Agora, torna-se mais nítida a associação entre objetos modernos e atores hegemônicos. Na realidade, ambos são os responsáveis principais no atual processo de globalização.” (SANTOS,2006. p.161). 14 O que colocar na página? Por trabalharmos com o conceito de racismo ambiental da professora Dra. Selene Herculano na dissertação, a comunidade e as e os alunos possuíam riquíssimos materiais que nos ajudariam a compreender a temática do racismo ambiental O conceito diz respeito às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma desproporcional sobre etnias vulnerabilizadas. O racismo ambiental não se configura apenas por meio de ações que tenham uma intenção racista, mas igualmente por meio de ações que tenham impacto racial, não obstante a intenção que lhes tenha dado origem. Diz respeito a um tipo de desigualdade e de injustiça ambiental muito específico: o que recai sobre suas etnias, bem como sobre todo grupo de populações ditas tradicionais – ribeirinhos, extrativistas, geraizeiros, pescadores, pantaneiros, caiçaras, vazanteiros, ciganos, pomeranos, comunidades de terreiro, faxinais, quilombolas etc. – que têm se defrontado com a ‘chegada do estranho’, isto é, de grandes empreendimentos desenvolvimentistas – barragens, projetos de monocultura, carcinicultura, maricultura, hidrovias e rodovias – que os expelem de seus territórios e desorganizam suas culturas, seja empurrando-os para as favelas das periferias urbanas, seja forçando-os a conviver com um cotidiano de envenenamento e degradação de seus ambientes de vida. (HERCULANO,2006, p.16). 15 No bairro, ecologias diversas me foram apresentadas através das narrativas dos alunos, dos moradores e da minha própria vivência no território. ‘’Por isso mesmo pensar certo coloca ao professor ou, mais amplamente, à escola, o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os das classes populares, chegam a ela – saberes socialmente construídos na prática comunitária – mas também, como há mais de trinta anos venho sugerindo, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino dos conteúdos. Por que não aproveitar a experiência que têm os alunos de viver em áreas da cidade descuidadas pelo poder público para discutir, por exemplo, a poluição dos riachos e dos córregos e os baixos níveis de bem-estar das populações, os lixões e os riscos que oferecem à saúde das gentes. Por que não há lixões no coração dos bairros ricos e mesmo puramente remediados dos centros urbanos? Esta pergunta é considerada em si demagógica e reveladora da má vontade de quem a faz. É pergunta de subversivo, dizem certos defensores da democracia.” (FREIRE,1996, p.17). Diálogos foram feitos com os alunos das turmas que trabalho (8º e 9º anos do ensino fundamental e 1ª,2ª e 3ª séries do ensino médio). Eles me trouxeram, através das escritas e das imagens do bairro, como é viver lá, mostrando-me ecologias que surgem no território, sem contar com as injustiças ambientais, como o caso das enchentes, sempre que acontece uma chuva mais forte, tanto os moradores da parte alta, quanto os da parte baixa do bairro, ficam em estado de alerta. 16 Figura 2 : fumaça da turfa Um grave problema ambiental do bairro é a queimada da turfa.O biólogo Marco Bravo explica que a área da turfa fica no subsolo de vegetação. “O incêndio acontece de forma subterrânea. Essas áreas de baixadas da região do Espírito Santo que vem desde a região de Piúma, passando por Cariacica e chegando no município da Serra são solos turfosos. A turfa é uma matéria orgânica, é um combustível. Esse fogo está debaixo da terra e vai queimando lentamente por causa da umidade do solo”, falou Cravo.(VAREJÃO,2015). 17 Figura 3 : enchentes As enchentes é um outro agravante que assola o bairro. A população já fica em alerta quando começa a chover, pois, infelizmente já estão preparados para todo o caos que virá no período das chuvas. 18 Figura 4 : enchentes Área periférica do bairro José de Anchieta, com baixa saúde ambiental, causando problemas diversos para a população do bairro e também para as e os estudantes. 19 Não só de denúncias vive a página Ajudamos a potencializar nas práticas pedagógicas o sentimento de valorização das ecologias do bairro, das ancestralidades e das identidades das e dos estudantes. Em uma das aulas, as e os estudantes puderam pesquisar sobre o congo e quais são suas raízes, histórias e valores que moldam a estrutura da nossa sociedade. Foi importante para elas e eles compreenderem como a luta por uma educação ambiental antirracista se faz partindo delas e deles próprios, quando nós professores ressignificamos nossas práticas e passamos a “ouvir” mais o que nossas e nossos alunos têm a nos passar. 20 Figura 5 : Congo As e os estudantes passaram a entender mais sobre as ecologias existentes nessa manifestação cultural 21 Figura 6: O poder da representatividade na busca por uma educação antirracista 22 Referências Bibliográficas ALVES,N. Imagens das escolas: sobre redes de conhecimentos e currículos escolares. Educar, Curitiba, n. 17, p. 53-62. 2001. ALVES, N. Cultura e cotidiano escolar. Revista Brasileira de Educação. Maio/Jun/Jul/Ago 2003. No 23. CALDAS, Alessandra Nunes; ALVES, Nilda. 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