UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS BRUNELA POLLASTRELLI RODRIGUES QUALIDADE DO LENHO DE ÁRVORES DE CLONE DE Eucalyptus grandis X E. urophylla SOB ESTRESSE ABIÓTICO E O IMPACTO NA PRODUÇÃO DE CELULOSE JERÔNIMO MONTEIRO-ES FEVEREIRO - 2013 BRUNELA POLLASTRELLI RODRIGUES QUALIDADE DO LENHO DE ÁRVORES DE CLONE DE Eucalyptus grandis X E. urophylla SOB ESTRESSE ABIÓTICO E O IMPACTO NA PRODUÇÃO DE CELULOSE Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo, como parte das exigências para obtenção do Título de Mestre em Ciências Florestais na Área de Concentração Ciências Florestais. Orientador: Prof. Dr. José Tarcísio da Silva Oliveira Coorientador: Profa. Dra. Graziela Baptista Vidaurre JERÔNIMO MONTEIRO-ES FEVEREIRO – 2013 Dissertação 0066 Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Setorial de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Rodrigues, Brunela Pollastrelli, 1986- R696q Qualidade do lenho de árvores de clone de Eucalyptus grandis x E. urophylla sob estresse abiótico e o impacto na produção de celulose / Brunela Pollastrelli Rodrigues. – 2013. 90 f. : il. Orientador: José Tarcísio da Silva Oliveira. Coorientadora: Graziela Baptista Vidaurre. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Agrárias. 1. Eucalipto. 2. Madeira - Qualidade. 3. Celulose. 4. Indústria madeireira. 5. Madeira – Anatomia. I. Oliveira, José Tarcísio da Silva. II. Vidaurre, Graziela Baptista. III. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Ciências Agrárias. IV. Título. CDU: 630 iv AGRADECIMENTOS A realização deste trabalho não teria sido possível sem a contribuição generosa de diversas pessoas e instituições, aos quais sou profundamente agradecida. AGRADEÇO: Em primeiro lugar, e acima de tudo, a Deus, fonte de força inesgotável, minha luz e sustentação. A minha família, base de tudo. A minha mãe Margarete, minha amiga, com quem sempre contei em todas as decisões da minha vida. Sou grata pelo exemplo de força e determinação. E aos meus avós Miguel e Valdira agradeço pelo afeto, preocupação e pelo exemplo de vida. A minha família Alegrense, que me apoiou nesta caminhada de vida acadêmica, em especial aos Tios Lastênio e Filinha, agradeço pela acolhida, pela preocupação diária, pela confiança, pelos conselhos e ensinamentos de vida. Agradeço também ao amor e carinho das tias Ana e Edna. Aos demais familiares agradeço pelo incentivo, pelo amor e por compreenderem minha ausência em muitos momentos importantes. A Universidade Federal do Espírito Santo pela estrutura e oportunidade a mim concedida de realizar a graduação e o mestrado. Ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais pelo apoio prestado durante toda a realização do mestrado. A CAPES pela bolsa concedida. A Fibria Celulose S.A. pela doação do material de estudo e análises concedidas. Ao profº José Tarcísio da Silva Oliveira pelo convívio ao longo desses quase 7 anos, com quem aprendi muito e me fez entender que com força de vontade, humildade e dedicação conseguimos alcançar nossos objetivos. Agradeço muito ao senhor pela oportunidade de desenvolver este trabalho, pela confiança, amizade, paciência, pelas trocas de ideias e pelo carinho especial. Enfim, agradeço pelo exemplo de professor/pesquisador que és e pelo conhecimento passado. v A profª Graziela Baptista Vidaurre pelo incentivo constante em evoluir nas pesquisas, pelas conversas sempre construtivas, pelo carinho e preocupação ao longo da pesquisa. A profª Mariana Donária Chaves Arantes por aceitar participar da banca, pela troca de informações, pela cumplicidade de nossas conversas e por sua boa vontade em ajudar. Ao pesquisador da empresa Fibria, Jupiter Israel Muro Abad um dos grandes promotores desta pesquisa, que desde o início não mediu forças para me auxiliar. Agradeço pela confiança, por sua boa vontade, pelo incentivo em realizar o estudo e ainda pelo ganho de informação que me proporcionou. Ao profº Mário Tomazello agradeço a atenção dispensada, a boa vontade e as sugestões para melhoria do presente estudo. Aos professores Wendel Andrade, Adair Regazzi, Humberto Fantuzzi, Diego Burak agradeço as discussões relacionadas à pesquisa. Ao profº Roberto Cecílio Avelino pelo incentivo e atenção dispensada. Aos professores do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira pelos ensinamentos de vida acadêmica. Aos funcionários do Laboratório de Ciência da Madeira José Geraldo, Elecy e Roberto (Betinho) pelo auxílio no preparo das amostras, pelas informações passadas e pela amizade. Aos funcionários do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira, Calebe, Valquíria, Elizângela e Dona Marise agradeço pelo apoio e amizade. Ao proprietário da Fazenda Papagaio (senhor Tarcísio) e ao seu caseiro (senhor Gilson) pela receptividade durante as coletas. Na empresa Fibria, agradeço: Ao pesquisador Braz Demuner pelo direcionamento da pesquisa e conselhos a parte. Ao pesquisador Sebastião Fonseca, pelo apoio no direcionamento da coleta de solo. Ao Sebastião Oswaldo da Produção e Suprimento de Madeira. Ao analista de fomento florestal Rodrigo Sander. Aos pesquisadores Reginaldo Mafia e Rodolfo Loss. vi Ao Gilmar Mattedi agradeço por me receber sempre muito bem na área laboratorial do Centro de Tecnologia e aos analistas de pesquisa, do Centro de Tecnologia da Fibria Celulose S.A., em especial ao Helder, Francisco (FEM), Marcelo, Renato, Fátima, Jocemir, Sebastião, Bruno, Agliberto, Mário, Rita, Jaqueline. Arthur e aos Roberto’s pelo auxílio prestado nas análises laboratoriais. Ao Edson Pereira e Eduardo Vieira pelo apoio logístico e técnico nas coletas realizadas durante o mestrado. E aos analistas de pesquisa de campo, pelo auxílio prestado durante a realização das coletas de solo e madeira e ainda pelo direcionamento das mesmas para análise: Júlio Cesar, Edmundo, Joel e Getúlio (aprendi muito com vocês em campo). Na Esalq/ Piracicaba, agradeço: Ao profº Mário Tomazello Filho pela atenção dispensada na realização das análises de raios-X e troca de informações a cerca da técnica utilizada. Ao pessoal do LAIM, em especial a técnica de laboratório Maria e aos alunos de pós-graduação Priscila, Angel, Vinícius, Marcos, Matheus, Alejandro e Alisson pela receptividade. Ao Mário Dobner Jr., pelo auxílio no preparo das amostras. Ao Carlos, Juan Carlos e Pablo, anfitriões em Piracicaba. Aos irmãos que escolhemos: A Daniele, minha amiga-irmã, agradeço pela amizade, pela paciência, e por tornar meus dias corridos, muitas vezes em boas conversas. Ao Wesley (Monge) pelo auxílio na montagem do mapa da área de estudo e pelo carinho especial durante todo esse tempo de convivência. Ao Rafael L. Braz que mesmo distante, mostrou-se um amigo presente. Aos queridos amigos Huezer, Flávio, Thiago Leite, Rafael Bridi, Jordão, Thaís, Flávia, Érico pelo carinho fraternal e pelos momentos de descontração. Aos colegas do Laboratório de Ciência da Madeira pela convivência e pela troca de ideias durante a realização de nossas pesquisas. Aos demais colegas do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da UFES pelos momentos de troca de informação e confraternização. E a todos os sorrisos e gestos de amizade encontrados no decorrer dessa caminhada. vii BIOGRAFIA Brunela Pollastrelli Rodrigues, filha de José Januário Rodrigues (in memoriam) e Margarete Pollastrelli Rodrigues, nasceu na cidade de Fundão, estado do Espírito Santo, aos 26 dias de dezembro de 1986. Estudou apenas em escolas públicas desde sua infância, cursando o ensino fundamental na Escola Profª Maria da Paz Pimentel no distrito de Timbuí, município de Fundão – ES e o ensino médio no Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (atual IFES), na cidade de Colatina – ES. Em 2005, antes de ingressar na Universidade fez o curso pré-vestibular no Projeto Universidade para Todos, oferecido pela Universidade Federal do Espírito Santo, na cidade de Vitória – ES. Em março de 2006 ingressou no curso de Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), na cidade de Alegre – ES. Em fevereiro de 2011 ingressou no Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais, desenvolvendo sua pesquisa na linha de Tecnologia de Produtos Florestais, obtendo o título de mestre em Ciências Florestais em fevereiro de 2013. viii “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. (...) É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo”. Trecho do livro: Mar sem fim (Amyr Klink). ix LISTA DE TABELAS Tabela 1. Valores médios dos teores de cerne e alburno para árvores de híbrido natural de Eucalyptus grandis que cresceram em duas localidades do Espírito Santo e uma localidade de Minas Gerais ....... 11 Tabela 2. Morfologia das fibras de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla 11 Tabela 3. Expressões para cálculo dos índices de qualidade das fibras para produção de papel ............................................................................... 31 Tabela 4. Composição das amostras utilizadas na polpação para o material genético aos 42 meses de idade ......................................................... 35 Tabela 5. Médias dos valores referentes à textura do solo no local do plantio com árvores do híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla em maior e menor grau de estresse .................................... 38 Tabela 6. Médias dos valores de micronutrientes para o solo onde ocorreu maior e menor grau de estresse nas árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla ........................................................................... 39 Tabela 7. Valores médios da fertilidade dos solos com árvores do híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla em maior e menor grau de estresse .......................................................................................... 41 Tabela 8. Valores médios das variáveis dendrométricas para o híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses de idade ............................................................................................................ 42 Tabela 9. Percentuais médios de casca, cerne e alburno e relação cerne/alburno para as árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade ........................................................ 43 Tabela 10. Valores médios para Diâmetro Tangencial de Vasos (DTV) em μm e Frequência de Vasos (FV) em nº de vasos/mm² para o lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade .................................................................................................... 45 Tabela 11. Valores médios dos parâmetros mensurados das fibras (Comprimento de Fibra (C), Largura da Fibra (L), Diâmetro do Lume (DL) e Espessura de Parede (EP) para o lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade nas duas condições de crescimento .......................................................... 46 Tabela 12. Valores dos índices de qualidade de fibras do lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade em duas situações de crescimento ........................................................... 47 Tabela 13. Valores médios de densidade básica para as árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla em dois formatos de amostras: cunha e bagueta ............................................................................................... 49 Tabela 14. Valores médios de densidade básica do lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade nas duas situações de crescimento ........................................................... 50 Tabela 15. Valores médios de densidade básica de cavacos do lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 e aos 42 meses de idade nas duas situações de crescimento .......................... 51 Tabela 16. Densidade aparente média, mínima e máxima do lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade57 x Tabela 17. Valores médios para extrativos, lignina e pentosanas para árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses de idade .................................................................................................... 58 Tabela 18. Valores médios das variáveis de polpação CA – Carga Alcalina (%), TºC – Temperatura (ºC), RA – Residual de Álcali, RD – Rendimento Depurado (%) e CEA – Consumo específico aparente (m³/tsa).para madeira de árvores aos 42 meses Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla nas duas situações de crescimento ..................................... 60 Tabela 19. Valores médios das variáveis de polpação CA – Carga Alcalina (%), TºC – Temperatura (ºC), RA – Residual de Álcali, RD – Rendimento Depurado (%) e CEA – Consumo específico aparente (m³/tsa) para composição de madeira de árvores aos 42 meses Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com maior grau de estresse e um mix de cozimento ............................................................................................ 62 Tabela 20. Valores médios das variáveis de polpação CA – Carga Alcalina (%), TºC – Temperatura (ºC), RA – Residual de Álcali, RD – Rendimento Depurado (%) e CEA – Consumo específico aparente (m³/tsa) para madeira de árvores aos 57 meses de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla nas duas situações de crescimento ..................................... 63 xi LISTA DE FIGURAS Figura 1. Produtividade média das florestas de rápido crescimento (m³.ha-1.ano- 1) em quatro países. (Fonte: Pöyry. Adaptado modificado por Bracelpa, 2012). .................................................................................................... 7 Figura 2. Localização da área de estudo. (Fonte: Limites municipais – IBGE/ Aerofoto – Google) .............................................................................. 18 Figura 3. Valores de precipitação mensal – Precp (mm), temperatura média – Tmed (ºC), temperatura mínima – Tmin (ºC) e temperatura máxima – Tmax (ºC) para a área de estudo. Seta em vermelho: data do plantio do povoamento. ........................................................................................ 19 Figura 4. Plantio com menor (A) e maior (B) grau de estresse abiótico, respectivamente. ................................................................................. 20 Figura 5. Esquema de amostragem das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 meses de idade com maior grau de estresse abiótico (A) e com menor grau de estresse abiótico (B). ...... 21 Figura 6. Esquema de amostragem das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade com maior grau de estresse abiótico (A) e com menor grau de estresse abiótico (B) e coleta de solo no local de estudo. ....................................................... 22 Figura 7. Sequência adotada para coleta de solo. A – Trados e baldes; B – Coleta realizada em profundidade; C e D – Sacos plásticos identificados e baldes usados para homogeneização do solo; E e F – Abertura de trincheiras para visualização do perfil. ............................. 24 Figura 8. Coleta das árvores aos 42 meses de idade: (A) medição do DAP; (B) medição das alturas; (C) retirada dos discos no DAP; (D) discos identificados. ....................................................................................... 26 Figura 9. Coleta das árvores aos 57 meses de idade: (A) medição do DAP; (B) medição do fuste para retirada dos discos, toretes e para cubagem da tora; (C) retirada dos toretes e discos; (D e E) toretes e discos identificados. ....................................................................................... 27 Figura 10. Disco com a demarcação das porções de cerne, alburno e casca. 27 Figura 11. Esquema de amostragem utilizado para avaliação da qualidade da madeira do híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses. ............................................................................. 29 Figura 12. Local de retirada das amostras no disco B para determinação da densidade básica aos 57 meses de idade. .......................................... 31 Figura 13. Preparo de amostras para leitura de raios X. A – Disco polido com os raios demarcados; B – Serra dupla utilizada para retirada das amostras para leitura; C – Amostras retiradas na sala de aclimatação; D – Equipamento de raios X com suporte preto utilizado para encaixar as amostras para leitura; E – Perfil de leitura de dados obtido pelo programa. ............................................................................................ 33 Figura 14. Mapa exploratório – Reconhecimento de solos do município de Teixeira de Freitas, Bahia. ................................................................... 37 Figura 16. Perfis de densidade aparente para o lenho das árvores 1 a 6 de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com menor grau de estresse. .............................................................................................. 52 xii Figura 17. Perfis de densidade aparente para o lenho das árvores 7 a 12 de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com menor grau de estresse. .............................................................................................. 54 Figura 18. Perfis de densidade aparente para o lenho das árvores 13 a 18 de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com maior grau de estresse. ............................................................................................................ 55 Figura 19. Perfis de densidade aparente para o lenho das árvores 19 a 24 de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com maior grau de estresse. ............................................................................................................ 56 xiii LISTA DE QUADRO Quadro 1. Variáveis quantificadas na análise de solo ...................................... 25 Quadro 2. Lista das análises, com suas respectivas metodologias e local de realização ............................................................................................ 28 Quadro 3. Normas utilizadas para as análises químicas da madeira de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses de idade ............................................................................................................ 34 xiv SUMÁRIO RESUMO ......................................................................................................... xvi 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................... 1 1.1. OBJETIVO GERAL ............................................................................... 3 1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................. 3 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................... 5 2.1. GÊNERO Eucalyptus ............................................................................ 5 2.2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA MADEIRA DE EUCALIPTO ............ 6 2.2.1. Eucalipto como matéria prima para produção de celulose ............. 6 2.2.2. O efeito dos fatores abióticos no crescimento do eucalipto .......... 8 2.3. QUALIDADE DA MADEIRA PARA PRODUÇÃO DE PASTA CELULÓSICA ............................................................................................... 10 2.3.1. Características dendrométricas ...................................................... 10 2.3.2. Anatomia da madeira ........................................................................ 11 2.3.3. Massa específica aparente (densidade) .......................................... 12 2.3.4. Química da madeira .......................................................................... 15 2.3.5. Polpação ............................................................................................ 16 3. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................ 18 3.1. PROCEDÊNCIA DAS ÁRVORES E DESENHO EXPERIMENTAL PARA AMOSTRAGEM ................................................................................. 18 3.2. COLETA DO SOLO E ANÁLISES ...................................................... 22 3.3. CARACTERIZAÇÃO DENDROMÉTRICA DAS ÁRVORES ................ 25 3.4. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA MADEIRA ..................................... 28 3.4.1. Anatomia da madeira ........................................................................ 29 3.4.2. Massa específica aparente (densidade) .......................................... 31 3.4.2.1. Densidade básica – cunha e bagueta .......................................... 31 3.4.2.2. Densidade básica de cavacos ...................................................... 32 3.4.3. Densidade aparente (raios x) ........................................................... 32 3.4.4. Análises químicas ............................................................................. 33 3.4.5. Polpação ............................................................................................ 34 3.5. ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS .............................................. 36 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................... 37 4.1. SOLO .................................................................................................. 37 4.2. CARACTERIZAÇÃO DENDROMÉTRICA DAS ÁRVORES ................ 42 4.3. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA MADEIRA ..................................... 45 4.3.1.1. Anatomia da madeira e índices indicativos de qualidade de fibras para produção de papel .................................................................. 45 xv 4.3.2. Massa específica aparente (densidade) .......................................... 49 4.3.2.1. Densidade básica (cunha e bagueta) ........................................... 49 4.3.2.2. Densidade básica de cavacos ...................................................... 50 4.3.2.3. Densidade aparente por densitometria de raios-X ....................... 52 4.3.3. Química da madeira .......................................................................... 58 4.3.4. Polpação ............................................................................................ 60 5. CONCLUSÕES ............................................................................................ 64 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 66 xvi RESUMO RODRIGUES, Brunela Pollastrelli. Qualidade do lenho de árvores de clone de Eucalyptus grandis x E. urophylla sob estresse abiótico e o impacto na produção de celulose. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) – Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre-ES, Orientador: Prof. Dr. José Tarcísio da Silva Oliveira. Coorientadora: Profa. Dra. Graziela Baptista Vidaurre. A grande utilização da madeira de plantações de eucalipto no Brasil é explicada por tal gênero apresentar boa adaptação e produtividade às diversas características edafoclimáticas aqui existentes, que são potencializados pelos estudos e pesquisas na área de melhoramento e manejo florestal. Apesar dos avanços nas pesquisas em melhoramento e manejo do eucalipto, ainda existem alguns riscos que não podem ser previstos no momento da implantação florestal. Estes riscos são relacionados aos fatores ambientais e ao local de crescimento, denominado estresse abiótico, que pode afetar às propriedades da madeira requerida para produzir pasta celulósica. O objetivo do presente trabalho foi estudar árvores em dois estágios de desenvolvimento (42 e 57 meses) provenientes do Sul da Bahia, que cresceram sob efeito de estresse abiótico e conhecer o efeito das condições de estresse sobre a qualidade da madeira produzida. Para os resultados referentes à qualidade da madeira, pode-se observar que o estresse influenciou negativamente nas variáveis dendrométricas, afetando diretamente no volume de madeira produzido pelas árvores. O estresse também gerou reflexos negativos nas propriedades anatômicas, químicas e nos parâmetros de polpação. Nos valores relacionados à densidade, pode-se observar que árvores não tiveram influência do estresse na densidade básica e aparente da madeira por raios-X ao nível do DAP. Entretanto, a densidade básica de cavacos das árvores aos 57 meses de idade foi menor nas árvores que cresceram sob influência do estresse. Assim, as árvores provenientes do estresse abiótico apresentaram um crescimento reduzido, piores propriedades de madeira e polpação, sendo necessário que a mesma seja mais bem distribuída na indústria para que o processo de produção de celulose não seja prejudicado, tanto no rendimento quanto na qualidade da celulose produzida. Palavras-chave: Madeira de eucalipto, estresse de crescimento, produção de celulose, qualidade da madeira. xvii ABSTRACT RODRIGUES, Brunela Pollastrelli. Wood quality of Eucalyptus grandis x E. urophylla tree clones under abiotic stress and the impact on pulp production. 2013. Dissertation (Master’s degree in Forest Sciences) – Federal University of Espírito Santo, Alegre-ES, Advisor: Prof. Dr. José Tarcísio da Silva Oliveira. Co- advisor: Prof. Dr. Graziela Baptista Vidaurre. The elevated usage of wood from eucalyptus plantations in Brazil is explained because such genus presents good adaptation and productivity to the various edafoclimatic characteristics here existent, which are potentialized by the studies and researches on the breeding and forest management area. In spite of the advances on the breeding researches and eucalyptus management, there are still some risks that cannot be predicted at the moment of forest implantation. These risks are related to the environment factors and to the growing local, denominated abiotic stress, which may affect the wood properties that are required to produce cellulose paste. The objective of this work was to study trees in two development stages (42 and 57 months) proceeding from Southern Bahia, which grow under abiotic stress effect and to know the effect of the stress conditions upon the quality of produced wood. For the studies regarding the wood quality, it can be observed that the stress influenced the dendrometric variables negatively, directly affecting the wood volume produced by the trees. The stress also generated negative reflexes on the anatomic, chemical properties and on the pulping parameters. On the values related to density, it can be observed that the trees did not have influence of stress on the basic and apparent density of wood by X-rays to the DBH level. However, the basic density of tree wood-shavings in the 57 months of age was smaller on trees which grow under stress influence. This way, the trees proceeding from the abiotic stress presented a reduced growing, worst wood properties and pulping, and it is necessary that this one must be better distributed on the industry so that the process of cellulose production must not be prejudiced, either on the revenue or on the quality of produced cellulose. Key words: Eucalyptus Wood, growing stress, cellulose production, wood quality. 1 1. INTRODUÇÃO O setor florestal brasileiro é caracterizado por apresentar grande vocação para produção de florestas econômicas. De acordo com dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas – ABRAF (2012), o país conta com mais de 7 milhões de hectares de florestas plantadas, em que aproximadamente 50% dessas áreas são ocupadas por florestas do gênero Eucalyptus, que suprem as grandes demandas das indústrias de celulose e papel do país. A grande utilização dos plantios florestais brasileiros de eucalipto é explicada por tal gênero possuir boa adaptação e produtividade às diversas características edafoclimáticas aqui existentes, juntamente com os esforços em estudos e pesquisas na área de melhoramento e manejo florestal. Em outras palavras, a grande utilização desse gênero está relacionada a uma soma de fatores, como as condições de solo, topografia, recursos hídricos e clima, que em conjunto com a capacidade tecnológica florestal, favorecem a produção de madeira em tempo e área de cultivo menores, resultando em rendimento maior a um menor custo por área. As pesquisas em melhoramento florestal têm por objetivo trabalhar em busca de materiais genéticos que consigam atender ao quesito produtividade, ou seja, que apresentem bom crescimento e desenvolvimento, e ainda que produzam madeiras com qualidade suficiente para atender às demandas fabris e do cliente final. Entretanto, Assis e Mafia (2007) relataram que uma das limitações encontradas no melhoramento florestal para produção da polpa celulósica é justamente conseguir conciliar estas duas características (produtividade e qualidade). O melhorista florestal se depara muitas vezes com espécies produtivas, mas limitadas na qualidade da madeira para atender à produção de celulose. Apesar do avanço na clonagem do eucalipto, ainda existem alguns riscos que não podem ser previstos no momento da implantação florestal. Estes são relacionados aos fatores ambientais e ao local de crescimento, como por exemplo, o estresse abiótico, que pode afetar a qualidade das propriedades da madeira requerida para produzir pasta celulósica. 2 A partir de 2007 alguns plantios florestais localizados no norte do estado do Espírito Santo e no Sul da Bahia, pertencentes a diferentes empresas produtoras de celulose, começaram a apresentar problemas de crescimento das árvores, causados por estresse abiótico. Os sintomas mais comuns observados em campo eram a morte do broto apical, queda das folhas, bifurcação da copa, superbrotação lateral e rachaduras na casca, que dependendo da intensidade gerava a morte de árvores isoladas ou em grandes quantidades de indivíduos próximos. Vários clones do gênero Eucalyptus pertencente às empresas foram afetados por tal fenômeno. Entretanto, um clone em especial, híbrido de Eucalyptus grandis X Eucalyptus urophylla, de uma empresa produtora de celulose do estado do Espírito Santo foi atingido em maior grau e gerou interesse para desenvolver a pesquisa relacionada com a qualidade da madeira, uma vez que havia uma grande área plantada com o mesmo. De acordo com o histórico da empresa, o híbrido clonal relatado foi selecionado para o programa de melhoramento florestal no ano de 1993 e em 2002 foi recomendado para plantios comerciais da empresa, uma vez que apresentava variáveis relacionadas ao crescimento e a qualidade da madeira dentro dos padrões de recomendação usado no programa de melhoramento da empresa. Dentre as variáveis pode-se destacar a densidade básica da madeira de 0,52 g.cm-3 e um incremento médio anual aos 7 anos de 46,5m³.ha-1.ano-1. Em 2008 e 2009 houve o diagnóstico do problema com esse clone e por meio de levantamento realizado nas áreas afetadas verificou-se que cerca de 50% a área plantada com o clone estava afetada pelo estresse abiótico, sendo às áreas com plantios localizadas no estado da Bahia às mais prejudicadas (com 90% da área) (FIBRIA CELULOSE S.A., 2010). Problemas ocorridos por estresse da planta são prejudiciais a todo processo de produção de pasta celulósica, pois podem causar problemas de ordem quantitativa e qualitativa no processo fabril. Por não serem previsíveis, acontecimentos de ordem ambiental acabam por afetar a logística e o abastecimento de madeira na indústria, tanto por não haver madeira disponível para corte na época programada, quanto em diminuição de rendimentos em celulose, uma vez que se trata de um material com problemas de crescimento. 3 Em relação aos problemas qualitativos, pode-se citar a perda de qualidade da celulose, pois em condições adversas de crescimento, a árvore tende a produzir maiores quantidades de lignina e extrativos, que funcionam como uma forma de defesa natural. O aumento dos teores desses componentes da madeira consomem mais reagentes químicos no processo, diminuindo o rendimento de celulose e necessitando que as fibras sejam fortemente atacadas, prejudicando assim, algumas propriedades relacionadas à qualidade da polpa celulósica. Tais propriedades também podem ser mensuradas por meio da estrutura anatômica e das variáveis relacionadas a química e física da madeira. Dessa forma, conhecer a qualidade da madeira de clones que cresceram em condições adversas auxiliará na tomada de decisão, de maneira a indicar o melhor uso desta madeira na indústria de fabricação de pasta celulósica e ainda direcionar as estratégias de melhoramento florestal pelo melhor conhecimento da interação genótipo e ambiente. 1.1. OBJETIVO GERAL O presente estudo teve por objetivo geral verificar a influência do estresse abiótico de crescimento na qualidade da madeira produzida por um clone de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla para produção de polpa celulósica. 1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS  Caracterizar o local de crescimento das árvores em relação às propriedades físicas e químicas do solo;  Verificar se existe diferença das propriedades da madeira e polpa celulósica de árvores com maior e menor grau de estresse em árvores com 42 meses de idade;  Avaliar o impacto da madeira com maior grau de estresse num mix (composição de diferentes madeiras);  Estipular o percentual de uso da madeira com maior grau de estresse no mix (composição de diferentes madeiras), sem causar grandes impactos ao processo industrial de polpação celulósica; 4  Calcular o percentual de cerne, alburno, casca de árvores com maior e menor grau de estresse em árvores com 57 meses de idade;  Estimar o volume de madeira das amostras de árvores com maior e menor grau de estresse em árvores com 57 meses de idade;  Verificar as propriedades da madeira e polpa celulósica de árvores com maior e menor grau de estresse em árvores com 57 meses de idade; 5 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. GÊNERO Eucalyptus As florestas plantadas possuem importância ímpar no suprimento de matéria prima para a sociedade. Em se tratando de florestas plantadas, sem dúvidas o gênero Eucalyptus é o mais utilizado em todo o mundo. Estima-se que a área ocupada por florestas deste gênero ultrapassam os 20 milhões de hectares distribuídos diversas zonas do globo terrestre, como em países de clima tropical, subtropical e temperado (REJMÁNEK e RICHARDSON, 2011). O gênero Eucalyptus é considerado um dos mais importantes gêneros arbóreos por abranger um grupo de plantas com mais de 600 espécies, em sua maioria nativas da Austrália, com indivíduos variando desde pequenos arbustos até as mais altas árvores do planeta (BERTOLA, s.d.). As madeiras de eucaliptos que cresceram na Austrália, seu lugar de origem, estão sendo utilizadas com diversos fins a cerca de 200 anos em várias partes do mundo. Desde usos mais simples até os mais sofisticados, no decorrer destes anos houve um acúmulo de informações a respeito das diferentes propriedades de suas madeiras. Tal gênero vem sendo largamente plantado em todo o mundo, devido a características interessantes como rápido crescimento e pequenos ciclos de rotação. Sua capacidade produtiva, adaptabilidade a diversos ambientes e, sobretudo, a expressiva diversidade de espécies que possui, tornando possível atender os requisitos tecnológicos dos mais diversos segmentos da produção industrial madeireira, são os principais atributos que tornam esse gênero importante como fonte de matéria prima fabril (ASSIS, 1999). Outra característica que faz desse gênero ser amplamente empregado é a amplitude de sua densidade básica, que de maneira geral varia de 0,40 a 1,20 g/cm³, ou seja, vai desde madeiras mais leves, passando por madeiras de média densidade, até às mais pesadas (REMADE, 2003) e ainda é caracterizado por apresentar uma constituição anatômica muito homogênea. Tal aspecto torna as madeiras do gênero Eucalyptus uma grande fonte de matéria prima para as indústrias de celulose, movelaria, construção civil, carvão vegetal, entre outras do setor madeireiro. 6 Em relação às florestas de eucalipto de alta produtividade o Brasil tem se destacado, uma vez que é considerado líder na inovação e adoção de tecnologias para o melhoramento de Eucalyptus (GRATTAPAGLIA, s.d.), dominando a tecnologia de hibridação e clonagem. Dentre os híbridos, o mais utilizado para a produção de celulose está o de Eucalyptus grandis (rápido crescimento e alta produtividade) com o Eucalyptus urophylla (maior rusticidade, resistência e maior densidade), comumente conhecido como “urograndis”. 2.2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA MADEIRA DE EUCALIPTO 2.2.1. Eucalipto como matéria prima para produção de celulose A madeira de eucalipto atende a demanda por biomassa lenhosa com propriedades tecnológicas específicas para diversos setores industriais, mas sem dúvidas possui importância econômica mundial para as indústrias de produção de celulose e papel. No Brasil, dos quase 5 milhões de hectares ocupados por eucalipto, cerca de 3,5 milhões são destinadas as indústrias de celulose e papel (ABRAF, 2012). Sua grande utilização na fabricação de pasta celulósica está relacionada a uma soma de fatores, como as condições de solo, topografia, recursos hídricos e clima, que em conjunto com capacidade tecnológica florestal, favorecem a produção de madeira em tempo e área de cultivo menores, resultando em rendimento maior a um menor custo por área. Graças às vantagens comparativas, o Brasil consagrou-se, como o maior produtor mundial de fibra curta de eucalipto. Tal destaque deve-se aos estudos e pesquisas na área de melhoramento florestal, que permitiram o uso de algumas espécies de Eucalyptus aptas aos plantios comerciais. Dentre as técnicas que alavancaram o uso do eucalipto como matéria prima para indústria de celulose está a clonagem. Esse processo é ideal para maximizar os benefícios da hibridação no contexto de formação de florestas altamente produtivas e de qualidade requeridas para finalidades industriais (ASSIS e MAFIA, 2007). As árvores de eucalipto possuem ótimos aspectos silviculturais, pois em geral, possuem excelente crescimento (Figura 1), são de fácil plantio e com baixa necessidade de poda, pois crescem de maneira retilínea e necessitam de pouco espaçamento em comparação às demais árvores de fibra curta (SUZANO, 2009). 7 Figura 1. Produtividade média das florestas de rápido crescimento (m³.ha-1.ano-1) em quatro países. (Fonte: Pöyry. Adaptado modificado por Bracelpa, 2012). Além das taxas de crescimento requeridas pela indústria, a madeira de eucalipto também atende aos parâmetros de qualidade da madeira para produção de celulose e papel, uma vez que apresenta diversas especificações na fabricação de papéis de fibra curta, como a formação da folha, a opacidade, a lisura, maciez, e entre outras (FOELKEL, 2009). A celulose de eucalipto é utilizada para fabricação de papéis finos, como guardanapo, papel toalha, papel higiênico, papéis para imprimir e escrever entre outros. As empresas nacionais líderes no setor de papel e celulose contam com as maiores produtividades florestais do mundo, chegando a um volume de madeira em torno de 300-500m³.ha-1 em rotações de 5 a 10 anos, produzindo madeira homogênea e de alta qualidade para produção de pasta celulósica (GRATTAPAGLIA, 2001 e NUTTO, 2007). Em consequência do maciço investimento feito, principalmente, pelas indústrias de celulose e papel, nos últimos 40 anos, o Brasil apresentou uma invejável evolução na produtividade das florestas de eucalipto, passando de 15 m3.ha-1.ano-1 para uma média nacional em torno dos 45 m³.ha-1.ano-1. Uma pesquisa realizada com os melhores clones de Eucalyptus cultivados no Brasil demonstrou a 0 10 20 30 40 50 60 Chile (eucalipto) Indonésia (acácia) Uruguai (eucalipto) Brasil (eucalipto) Produtividade média (m³.ha.ano-1) P a ís Potencial Atual 8 elevada produtividade da eucaliptocultura nacional, tendo 20% dos clones atingido IMA (incremento médio anual) igual ou superior a 50 m³.ha.ano-1 e 70% dos clones apresentaram incrementos acima de 40 m³.ha-1.ano-1 (GOMIDE et al., 2005). Atualmente, o Brasil ocupa a colocação de 4º maior produtor mundial de celulose, ficando atrás somente dos EUA, China e Canadá (BRACELPA, 2012), o que torna o setor o mais importante no cenário florestal, com importância significativa na geração de emprego, renda e impostos. 2.2.2. O efeito dos fatores abióticos no crescimento do eucalipto Segundo Oda et al. (2007), muitos estudos com melhoramento de espécies florestais têm demostrado que as interações entre materiais genéticos e diferentes ambientes possuem respostas diferenciadas às condições ambientais. Dessa maneira quando se pensa em estratégias de melhoramento de espécies, deve-se considerar a interação genótipo x ambiente, visando maior produtividade e utilizando materiais que apresentem maior capacidade de adaptação a diferentes locais. Dentre os fatores que influenciam o crescimento das árvores de eucalipto, pode-se destacar aqueles relacionados à precipitação, temperatura e os de cunho nutricional. Quando algum desses se comporta de maneira inesperada ou inadequada, a planta poderá responder negativamente, refletindo no seu crescimento, geralmente, na forma de um estresse fisiológico. Esse tipo de estresse é definido como sendo um desvio significativo das condições ambientais ótimas para a vida da planta, sendo um fator externo que exerce influência desvantajosa na planta, pois induz mudanças e respostas em todos os níveis funcionais do organismo, os quais são reversíveis a princípio, mas podem se tornar permanente (LARCHER, 2000; TAIZ e ZEIGER, 2002). As propriedades físicas e químicas do solo são influenciadas pelo material que deu origem ao solo e esses possuem influência direta sobre o crescimento das plantas. Entre os atributos do solo, aqueles relacionados aos aspectos físicos, pode- se destacar a textura. Essa propriedade física possui influência na capacidade de retenção de água e aeração. Por exemplo, os solos de textura arenosa têm baixa capacidade de retenção de água, são fáceis de arar, possuem altas taxas de percolação e infiltração e são 9 bem drenados e aerados, em comparação com os solos de textura fina. Um solo franco, tendo geralmente densidade intermediária, boa agregação, boa taxa de infiltração e nenhum impedimento à drenagem, representa um solo com ótimas condições físicas, podendo-se esperar boas produções, se outros fatores da produção não forem limitantes (LETEY, 1985, citado por FAGERA e STONE, 2006). Cada nutriente tem um papel especifico no metabolismo das plantas, sendo que para as funções fisiológicas nutricionais, não podem ser substituídos por outro elemento (BALONI, 1979). Normalmente não é possível antever as consequências de diferentes condições edáficas no desenvolvimento das plantas. Sabe-se, porém, que essas diferenças podem resultar em perda de crescimento da floresta e redução da regeneração natural, bem como prejudicar ou impedir o desenvolvimento de mudas e até provocar a morte de árvores adultas (FROEHLICH et al., 1985; HILDEBRAND, 1994; HETSCH et al., 1994, citado por RIGATTO, DEDECEK e MATTOS, 2005). Esses mesmos autores, trabalhando com a influência dos atributos do solo sobre a produtividade de Pinus taeda concluiram que, os solos de textura mais argilosa, independentemente da classe a que pertenciam, propiciaram maiores produtividades de Pinus taeda. Gava e Goncalves (2008) estudaram a relação dos atributos do solo e a qualidade da madeira para produção de celulose em plantio clonal de Eucalyptus grandis com idade próxima aos 7 anos e verificaram que para a situação do estudo o crescimento das árvores estava diretamente associado ao tipo de solo e classes de textura. Ainda nesse mesmo estudo, pode-se observar que a densidade básica da madeira (0,44 – 0,45g.cm-3) variou pouco entre as classes de solo. Em se tratando das propriedades químicas da madeira, os autores verificaram que os valores médios de holocelulose, extrativos e lignina total apresentaram comportamentos diferentes, dependendo do tipo de solo e valores do DAP da árvore. Holocelulose e lignina total foram relacionadas ao tipo de solo e conteúdo de extrativos não variaram entre os tipos de solo e os valores DAP. As propriedades químicas do solo também exercem influência direta no estabelecimento e desenvolvimento das plantas. 10 2.3. QUALIDADE DA MADEIRA PARA PRODUÇÃO DE PASTA CELULÓSICA A qualidade da madeira requerida para produção de celulose deve ser avaliada de maneira dinâmica, levando em consideração não somente os aspectos relacionados com o crescimento volumétrico, mas também os relacionados às propriedades tecnológicas da madeira. Além da densidade básica da madeira, os estudos de caracterização de qualidade da madeira para produção de polpa celulósica devem envolver análises da constituição química da madeira, das características estruturais anatômicas e, também de grande importância, as características tecnológicas da transformação da madeira em polpa celulósica (GOMIDE, FANTUZZI NETO e REGAZZI, 2010). 2.3.1. Características dendrométricas Na indústria de fabricação de celulose vários são os fatores inerentes a produção de madeira que a torna mais ou menos adequada para o processo de polpação. Sua adequação ao processo pode ser influencia pelos percentuais de casca, cerne e alburno presentes no fuste das árvores. A porcentagem de casca, por exemplo, é considerada importante do ponto de vista florestal e industrial, podendo- se superestimar a produtividade na análise dos fustes de plantações florestais (OLIVEIRA et al., 1999). Gonçalves et al. (2010) estudaram os parâmetros dendrométricos em um híbrido clonal de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis e salientaram a importância da quantificação do cerne e alburno, uma vez que maiores proporções de cerne, dificultam o processo de penetração de compostos químicos, devido às suas características anatômicas. Oliveira et al. (2010) estudaram árvores de 64 meses de um clone de Eucalyptus grandis, que cresceram em três localidades, uma no estado Espírito Santo e duas no estado de Minas Gerais para produção de celulose e encontraram valores superiores para o percentual de alburno, como pode ser observado na Tabela 1. Tais valores são explicados pelas diferentes condições de crescimento encontradas em cada localidade. 11 Tabela 1. Valores médios dos teores de cerne e alburno para árvores de híbrido natural de Eucalyptus grandis que cresceram em duas localidades do Espírito Santo e uma localidade de Minas Gerais Região Área do disco (cm2) Teores (%) Relação cerne/alburno Cerne Alburno Domingos Martins-ES 183,42 20,93b 79,07b 0,31b Mutum-MG 191,24 27,12ab 72,88ab 0,40ab Aimorés-MG 209,42 33,44a 66,56a 0,65a *Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância. Fonte: Oliveira et al. (2010). 2.3.2. Anatomia da madeira A anatomia da madeira é uma das características mais importantes para a produção de polpa celulósica, uma vez que para fabricação de papel são necessários os elementos estruturais mais abundantes nas árvores de eucalipto que são as fibras. Barrichelo e Brito (1976) afirmam que a madeira de eucalipto possui uma composição fibrosa em torno de 65% e o comprimento desse elemento anatômico possui relação com as propriedades de resistência ao rasgo e as dobras duplas do papel (SANTOS, 2005). Duarte (2007) estudando a morfologia das fibras de E. urograndis com 5 e 6 anos que cresceram em São Paulo e na Bahia, não encontrou diferenças significativas para tal característica (Tabela 2). Tabela 2. Morfologia das fibras de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla Espécies C (mm) L (µm) DL (µm) EP (µm) E.grandis x E. urophylla (5 anos – São Paulo) 1,12 17,72 10,41 3,65 E.grandis x E. urophylla (5 anos – Bahia) 1,14 17,81 10,44 3,69 E.grandis x E. urophylla – (6 anos – São Paulo) 1,19 18,78 10,38 4,21 C: comprimento (mm); L: largura (µm); DL: diâmetro do lume (µm) e EP: espessura de parede (µm). Fonte: Duarte (2007). Adaptado pelo autor. 12 Os elementos de vasos são muito importantes no processo de polpação, pois eles ajudam no processo de impregnação dos cavacos pelo licor, sendo muito importante que estes não estejam obstruídos por tilas, gomas, resinas ou ainda óleo- resinas (BURGER e RICHTER, 1991). Na qualidade da madeira para a produção de papel, Foelkel (1978) afirma que vasos grandes e abundantes não são desejáveis na fabricação de papéis de imprimir e escrever. Tal fato pode ser explicado pelo defeito conhecido como “vessel pincking”. Entretanto, para papéis absorventes os vasos não são causadores de problemas. Alzate (2004) trabalhando com a caracterização anatômica quantitativa da madeira de 5 clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla ao longo do fuste, encontrou valores para comprimento de fibra variando de variando de 650 a 1360μm e espessura de parede entre 3,22 a 7,28μm. Braz (2011) estudando a madeira de dez clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com idade variando de 30 a 33 meses que cresceram na região do Vale do Rio Doce em Minas Gerais, encontrou valores médios de diâmetro de vasos de 105,71μm e frequência de 11,82 vasos/mm². O mesmo autor encontrou para os parâmetros de fibras valores variando de 943,71 a 1097,77μm para comprimento, de 17,68 a 19,87μm para largura, de 10,05 a 12,66μm para diâmetro do lume e a espessura de parede variando de 3,46 a 4,08μm. Um estudo representativo foi realizado por Gomide et al. (2004) com o objetivo de estudar os principais clones de Eucalyptus das empresas produtoras de celulose kraft do Brasil. Para os parâmetros de fibras, estes autores encontraram um comprimento variando entre 0,95 a 1,07mm, com largura de 17,3 a 19,2μm e espessura de parede de 4,6 a 5,2μm. 2.3.3. Massa específica aparente (densidade) Fonseca, Oliveira e Silveira (1996) estudando um conjunto de características para avaliar a “árvore industrial” puderam verificar que juntamente com o crescimento volumétrico e o rendimento do processo de polpação a densidade básica é uma propriedade muito importante e considerada de impacto no processo de polpação. 13 Em linhas gerais, madeiras com menores valores de densidade tendem a ser mais favoráveis à produção de polpa celulósica, uma vez que a necessidade de álcali para cozimento será menor, podendo apresentar melhores valores para rendimento depurado. Queiroz et al. (2004) realizaram um estudo com dois clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com densidades diferentes, o clone A com 0,447 g.cm-3 e um clone B com uma densidade básica de 0,552 g.cm-3 Os autores puderam concluir que o clone de menor densidade apesar consumir menos reagentes para seu cozimento apresentou um maior consumo específico de madeira, ao contrário do clone de maior densidade. Em estudo realizado por Alzate (2004) com madeira de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla, a autora encontrou um intervalo de densidade básica média que varia de 0,48 a 0,60 g.cm-3 para árvores com idade de 8 anos. Já em estudo recente realizado por Costa (2011), com árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla que cresceram no Distrito Federal, foi possível constatar valores médios de densidade básica de 0,55 g.cm-3 para árvores com 6 anos. Todavia, valores menores foram encontrados por Mauri (2010) estudando o mesmo híbrido clonal em mesma idade. A presente autora encontrou valores médios de densidade de 0,48 g/cm³, mas que cresceram no estado de Minas Gerais. Já Mokfienski (2004) trabalhando com dois híbridos de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 5,5 anos, provenientes de Minas Gerais, encontrou valores médios de densidade básica diferentes. O clone 1 apresentou 0,421 g.cm-3 enquanto o clone 2 apresentou 0,525 g.cm-3. Alzate, Tomazello Filho e Piedade (2005), estudando densidade básica da madeira de E. grandis, E. saligna e E. urograndis provenientes do estado de São Paulo com idade de 8 anos, encontraram valores médios de densidade básica bem próximos, sendo o maior valor para o híbrido clonal (Tabela 3). 14 Tabela 3- Valores médios de densidade básica da madeira de E. grandis, E. saligna e E. urograndis aos 8 anos de idade Material Densidade Básica (g/cm³) E. grandis 0,46 (0,03) (7,47)* E. saligna 0,47 (0,01) (2,40) E. urograndis 0,49 (0,02) (4,87) *Os valores entre parênteses correspondem ao desvio padrão (g/cm³) e ao coeficiente de variação (%), respectivamente. Fonte: Alzate, Tomazello Filho e Piedade (2005). GOUVÊA et al. (2009) avaliaram a qualidade da madeira de clones de eucalipto aos 3 anos de idade plantados em 4 regiões de Minas Gerais e encontraram valores de densidade básica variando de 0,43 a 0,46 g/cm³. Existe uma variação dos valores de densidade dentro das árvores, onde a mesma varia tanto no sentido longitudinal quanto no sentido medula-casca. Nesse sentido, a técnica de densitometria de raios X consegue, de forma bastante precisa, obter resultados das variações radiais da densidade aparente do lenho de árvores. Por meio da avaliação do perfil radial de densidade da madeira por densitometria de raios X em clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 8 anos de idade, Alzate (2004) conseguiu dividir a densidade aparente das arvores estudadas em 3 modelos de variação. No primeiro ocorria um ligeiro aumento dos valores médios da densidade da madeira no sentido medula-casca, o segundo destacava valores de densidade aparente praticamente lineares da medula para casca e por último, verificou-se o terceiro padrão onde ocorria um aumento dos valores de densidade na região próximo à medula ate cerca de 1,5cm, seguindo-se uma redução até cerca de 3,5-4,0cm e de posterior aumento em direção a casca. Oliveira (2011) afirma em seu estudo realizado com árvores de Eucalyptus grandis que a técnica de densitometria de raios X possibilitou a análise precisa das variações radiais da densidade aparente do lenho. A mesma autora conclui nesse estudo um aumento da densidade do lenho no sentido medula-câmbio e ainda o lenho possuiu variações de densidade significativas, com valores entre 0.3-0.4 g/cm³ na região próxima à medula e 0.8-0.9 g/cm³ de densidade na região próxima ao 15 câmbio para a altura 1, e com valores entre 0.4-0.5 g/cm³ na região próxima à medula e 0.7-0.8 g/cm³ de densidade na região próxima ao câmbio para a altura 2, sendo que esse comportamento da variação radial tem sido comumente observado para o lenho de eucalipto e de outras espécies florestais. 2.3.4. Química da madeira Segundo Foelkel (1977) o conhecimento acerca da natureza química da madeira é de grande importância, pois está diretamente relacionado com as exigências da mesma nos processos de polpação e branqueamento da polpa celulósica. Segundo Duarte (2007) a caracterização química de madeiras destinadas à produção de polpa celulósica é de grande importância, pois está fortemente relacionada com a eficiência do processo de polpação, influenciando no consumo de reagentes químicos, no rendimento de polpa celulósica e na quantidade de sólidos gerados. A madeira de eucalipto é constituída em sua totalidade por holoceluloses, lignina, extrativos e uma fração pequena de substâncias inorgânicas. Na fabricação de pasta celulósica o principal componente extraído para liberar o material fibroso é a lignina e com ela também são extraídos os extrativos, os componentes minerais e pequenos percentuais de holoceluloses também. Dessa maneira a qualidade da celulose ou papel está diretamente relacionada à composição química da madeira. Estudos realizados com várias madeiras do gênero Eucalyptus indicaram teores de hemiceluloses, somatório dos grupos acetila, xilanas, arabinanas, mananas, arabinanas e glucanas presentes nas glucomanas, variando de 16,8 a 26,3 % (COLODETTE et al., 2004). Gomide et al. (2005) avaliou a química da madeira de dez clones de Eucalyptus das principais empresas de celulose do Brasil e encontrou valores para lignina total variando de 27,5 a 31,7%. Para o teor de extrativos, os mesmo autores, encontraram teores variando de 1,76% (densidade de 0,465 g.cm-3) a 4,13% (densidade de 0,510 g.cm-3). 16 Madeiras com maiores teores de lignina necessitam de uma carga alcalina maior para atingir níveis desejáveis no processo de deslignificação. Entretanto, usando uma maior quantidade de álcali ocorrerá uma redução do rendimento, queda de viscosidade e resistência física da polpa celulósica, além de gerar maior quantidade de sólidos para queima em caldeiras de recuperação. Da mesma maneira, os extrativos são componentes indesejáveis para a obtenção de polpa celulósica, uma vez que causam efeito direto no consumo de álcali, no rendimento e na taxa de deslignificação (ALENCAR, 2002; QUEIROZ, et al. 2004; SANTOS, 2005 e SILVA, 2011) 2.3.5. Polpação Segundo Gomide e Colodette (2007) a polpação consiste na separação ou individualização das fibras por meio da degradação química e remoção da camada de lignina que mantém as fibras unidas umas às outras. Esse processo possui grande influência da estrutura anatômica e da composição química da madeira. O processo de polpação mais utilizado é o kraft, por apresentar alta qualidade da celulose obtida, pela facilidade de verificar o teor de lignina residual (número kappa), a viscosidade e propriedades físico-mecânicas. Além disso, gera polpas de alta resistência e branqueabilidade. Todavia, o processo não é seletivo e com a remoção da lignina ocorre a solubilização e degradação das holoceluloses, com consequente perda de rendimento e deterioração das polpas, que pode se intensificar de acordo com algumas variáveis do processo como, carga alcalina, tempo e temperatura de cozimento, entre outros (SILVA, Jr., 1994 e SILVA, 2011). Estudo realizado por Gomide et al. (2010) com clones de Eucalyptus, foi possível demonstrar que a carga de álcali ativo para polpação, o teor de lignina e o teor de extrativos apresentaram efeitos significativos no rendimento da polpação kraft, uma vez que mostraram boas correlações com o processo. Os mesmo autores concluíram nessa pesquisa que a densidade básica da madeira não afetou significativamente o rendimento da polpação, mas sim o consumo de madeira para produção de celulose (m³ madeira/tonelada de celulose). Dessa forma, os autores recomendam que para um programa de melhoramento florestal, seria indicado 17 determinar inicialmente estas características de qualidade da madeira (densidade básica, teor de lignina e teor de extrativos), previamente à determinação das características de polpação que apresenta custo bem mais elevado. Avaliando a influência da produtividade e da idade sobre a qualidade da madeira de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com idade de 4, 5, 6 e 7 anos provenientes de plantios comerciais localizados no distrito de Almeirim (estado do Pará) para produção de celulose, Silva (2011) verificou que a carga alcalina necessária para a obtenção de número kappa 18± 1 foi influenciada pela produtividade. A carga alcalina aplicada foi maior para as madeiras provenientes de áreas menos produtivas. A autora ainda contatou que os maiores rendimentos depurados foram obtidos para madeira com 4 e 5 anos, sendo o material com 7 anos o de menor desempenho devido a alta carga alcalina necessária no cozimento. 18 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. PROCEDÊNCIA DAS ÁRVORES E DESENHO EXPERIMENTAL PARA AMOSTRAGEM Para realização do estudo foram coletadas árvores de um clonal híbrido de Eucalyptus grandis X Eucalyptus urophylla aos 42 meses de idade (primeira análise) e depois aos 57 meses de idade (segunda análise). O material é proveniente de área de fomento florestal da Empresa Fibria Celulose S.A., localizada na Fazenda Papagaio, em Teixeira de Freitas, no estado da Bahia, Brasil. A localização da área de estudo é ilustrada na Figura 2. Figura 2. Localização da área de estudo. (Fonte: Limites municipais – IBGE/ Aerofoto – Google) 19 O local de estudo possui uma altitude média de 120m e está localizado entre as coordenadas 39º54’01’’ de longitude Sul e 17º29’17’’ de latitude Oeste. A precipitação média anual é de 1112,8mm, com temperatura média de 23ºC e umidade relativa do ar em torno de 79%. A distribuição da precipitação e temperatura para o local de estudo pode ser observada na Figura 3 e a seta destacada de vermelho refere-se ao mês e ano de plantio. Figura 3. Valores de precipitação mensal – Precp (mm), temperatura média – Tmed (ºC), temperatura mínima – Tmin (ºC) e temperatura máxima – Tmax (ºC) para a área de estudo. Seta em vermelho: data do plantio do povoamento. Dentre as diversas áreas da empresa afetada pelo estresse a Fazenda Papagaio apresentou um talhão bastante peculiar, uma vez que possuía árvores com maior e menor grau de estresse plantados na mesma época. As árvores com diferentes intensidades de estresse abiótico aos 42 meses de idade são mostradas na Figura 4. 20 Figura 4. Plantio com menor (A) e maior (B) grau de estresse abiótico, respectivamente. 21 Primeiramente, para verificar se existia diferença entre os dois níveis de estresse, foram coletadas árvores aos 42 meses de idade. A coleta das árvores foi realizada em zigue-zague com o objetivo de selecionar árvores com maior e menor grau de estresse conforme esquema apresentado na Figura 5. No total, foram selecionadas 9 árvores em cada situação. Depois de selecionadas, foram tomadas medidas do DAP (1,30m do solo) das árvores e depois de abatidas, foram medidas as alturas totais e comerciais. Do DAP foi retirado um disco para estudos relativos à anatomia da madeira e o restante da árvore foi transformada em toretes e depois em cavacos para realização das análises químicas e cozimento. Figura 5. Esquema de amostragem das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 meses de idade com maior grau de estresse abiótico (A) e com menor grau de estresse abiótico (B). Num intervalo de aproximadamente um ano e meio foi realizada uma segunda coleta no mesmo local, com árvores aos 57 meses de idade, com o objetivo de verificar a qualidade do presente material genético próximo à idade de corte realizada para a indústria. Além da coleta das árvores também foi realizada uma coleta de solo com o objetivo de verificar possível diferença das características edáficas entre as áreas A e B. 22 Nesse contexto, a área de pesquisa foi dividida em 4 parcelas (2 com maior grau de estresse e 2 com menor grau de estresse) e depois cada parcela em 3 subparcelas, onde dentro de cada uma foram coletadas 2 árvores de diâmetro médio, totalizando 24 indivíduos (12 árvores para cada situação). A amostragem de solo foi realizada seguindo a amostragem das árvores, onde cada amostra de solo foi formada por uma amostra composta de 4 amostras realizada em 7 níveis de profundidade: 0-20 cm, 20-40cm, 40-60cm, 60-80cm, 80-100cm, 100-140cm e 140- 180cm. O esquema de amostragem das árvores e da coleta de solo pode ser verificado na Figura 6. Figura 6. Esquema de amostragem das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade com maior grau de estresse abiótico (A) e com menor grau de estresse abiótico (B) e coleta de solo no local de estudo. 3.2. COLETA DO SOLO E ANÁLISES Para conhecer as propriedades físicas e químicas do solo no local de estudo, a coleta de solo foi realizada de maneira a cobrir representativamente a área de pesquisa, conforme esquema evidenciado na Figura 6. Dessa forma, com auxílio de um trado de caneco, dentro de cada subparcela, o solo coletado em cada ponto e 23 em cada profundidade era depositado em baldes previamente identificados para posterior homogeneização das composições e retirada de uma amostra. No total, foram coletadas 12 amostras, 6 na região mais afetada pelo estresse (A) e 6 na região menos afetada pelo estresse (B). Depois de coletadas, as amostras foram transferidas para sacos plásticos e identificadas. Em seguida, foram enviadas ao laboratório para realização das análises. Em cada subparcela ainda foram abertas mini-tricheiras com profundidade de 60cm para visualização do perfil do solo. A sequência de coleta de solo pode ser verificada na Figura 7. Para determinar a fertilidade do solo, foi utilizada a metodologia descrita por Raij et al. (2001) e as variáveis referentes a granulometria do solo seguiu a o manual da EMBRAPA (1997). No Quadro 1 estão dispostas as variáveis determinadas no estudo referentes análise do solo. 24 Figura 7. Sequência adotada para coleta de solo. A – Trados e baldes; B – Coleta realizada em profundidade; C e D – Sacos plásticos identificados e baldes usados para homogeneização do solo; E e F – Abertura de trincheiras para visualização do perfil. 25 Quadro 1. Variáveis quantificadas na análise de solo Análises Variáveis Textura (granulometria) Areia fina (dag/kg) Areia grossa (dag/kg) Areia total (dag/kg) Argila (dag/kg) Silte (dag/kg) Fertilidade Cobre (ppm) Ferro (ppm) Manganês (ppm) Zinco (ppm) Acidez potencial: H+Al em meq (meq/100cm³) Matéria orgânica colorimetria (dag/kg) pH em CaCl2 pH em água Boro (ppm) Cálcio em meq (meq/100cm³) Potássio em meq (meq/100cm³) Magnésio em meq (meq/100cm³) Fósforo (ppm) 3.3. CARACTERIZAÇÃO DENDROMÉTRICA DAS ÁRVORES Tanto na primeira coleta com as árvores aos 42 meses de idade quanto na segunda coleta, onde as árvores já estavam com idade de 57 meses, foram tomadas medições de DAP (1,30m do solo) e das alturas comercial e total. Entretanto, na segunda coleta, por ser uma avaliação mais ampla, também foi quantificado os percentuais de casca, cerne e alburno e estimado o volume de madeira produzido pelos dois níveis de estresse pelo método de Smalian, conforme a seguinte equação: ( ) Onde: V = volume da seção considerada (m³); S1 = área seccional de uma extremidade da seção (m²); S2 = área secional da outra extremidade da seção (m²); L = comprimento da seção(m). 26 A sequência de atividades realizadas na primeira coleta e na segunda coleta é ilustrada nas Figuras 8 e 9, respectivamente. Figura 8. Coleta das árvores aos 42 meses de idade: (A) medição do DAP; (B) medição das alturas; (C) retirada dos discos no DAP; (D) discos identificados. 27 Figura 9. Coleta das árvores aos 57 meses de idade: (A) medição do DAP; (B) medição do fuste para retirada dos discos, toretes e para cubagem da tora; (C) retirada dos toretes e discos; (D e E) toretes e discos identificados. A quantificação dos teores de casca, cerne e alburno foi realizada em discos retirados no DAP (1,30m do solo), onde foram tomados diâmetros radiais perpendiculares com e sem casca, diâmetro do cerne e por diferença obteve-se a espessura de alburno. A Figura 10 ilustra as medições realizadas. Figura 10. Disco com a demarcação das porções de cerne, alburno e casca. 28 3.4. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA MADEIRA A avaliação da qualidade da madeira envolveu uma série de análises realizadas em três laboratórios diferentes. No Quadro 2 estão listadas as análises realizadas para caracterização da qualidade da madeira com suas respectivas metodologias e local de realização. Quadro 2. Lista das análises, com suas respectivas metodologias e local de realização Análises Metodologia Local de realização Massa específica aparente (57 meses) MB-26/1940 LCM/UFES* Densidade Básica de Cavacos (42 e 57 meses) ABNT (NBR 11941) LCT/Fibria Densitometria de raios X (57 meses) LAIM/ESALQ/USP LAIM /USP Quantificação anatômica (42 e 57 meses) Rotina do LCM/UFES LCM/UFES Análises químicas (42 e 57 meses) TAPPI CT/Fibria Cozimento (42 e 57 meses) TAPPI CT/Fibria *Laboratório de Ciência da Madeira da Universidade Federal do Espírito Santo (LCM/UFES); Laboratório do Centro de Tecnologia da Fibria Celulose S.A. (LCT/Fibria) e Laboratório de Anatomia e Identificação de Madeira da Universidade de São Paulo (LAIM/USP). O esquema de amostragem dos toretes e dos discos nas árvores, bem como a localização dos corpos de prova nos discos, são ilustrados na Figura 11. 29 Figura 11. Esquema de amostragem utilizado para avaliação da qualidade da madeira do híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses. 3.4.1. Anatomia da madeira De acordo com esquema de amostragem da Figura 11, o disco A foi utilizado para realização das análises relacionadas à anatomia da madeira, onde os corpos de prova para estudo foram retirados em 3 posições equidistantes, com o objetivo de conhecer a variação radial dos elementos anatômicos estudados. As variáveis anatômicas quantificadas foram: diâmetro tangencial dos vasos (μm), frequência dos vasos (número de vasos/mm²), comprimento da fibra (μm), largura da fibra (μm), diâmetro do lume da fibra (μm) e espessura da parede (μm). Para cada variável foram realizadas 40 repetições. Para realizar a mensuração referente aos elementos de vasos foram retirados cortes histológicos do lenho a partir de blocos de madeira de 1,5 x 1,5 cm 30 de seção transversal e 2,0 cm de direção longitudinal, no sentido medula-casca (radial). Após a retirada dos blocos de madeira, os mesmos foram fervidos em água para amolecimento. Os cortes foram realizados em micrótomo de deslize e em seguida preparados em lâminas temporárias, com uso de glicerina e água. As lâminas foram fotografadas por meio de uma câmera digital acoplada a um microscópio e em seguida mensuradas por meio de um software analisador de imagens, Image Pro Express 6.0. Para determinação das mensurações referentes a fibra, foi realizada a dissociação dos elementos celulares (maceração) de acordo com o método preconizado por Nicholls e Dadswel, descrito por (RAMALHO, 1987), consistindo-se em: preparo das lascas de madeira; transferência destas finas lascas para tubos contendo solução macerante; transferência dos tubos lacrados para estufa a 60ºC por 48 horas; lavagem da solução com água corrente; coloração do material com o corante safranina; preparo das lâminas em glicerina para retirada das fotomicrografias. Após o preparo das lâminas, as mensurações seguiram os mesmos procedimentos utilizados para os elementos de vasos. Além de determinar as variáveis referentes às fibras, foram utilizadas as expressões presentes na Tabela 3 para calcular os índices de qualidade da madeira para produção de papel. 31 Tabela 3. Expressões para cálculo dos índices de qualidade das fibras para produção de papel Nome Expressões Índice de Enfeltramento (IE) L C Coeficiente de Flexibilidade (CF) 100 L DL Fração Parede (FP) 100 2   L E Índice de Runkel (IR) DL E2 em que: C = Comprimento da fibra L = Largura da fibra DL = Diâmetro do lume E = Espessura de Parede 3.4.2. Massa específica aparente (densidade) 3.4.2.1. Densidade básica – cunha e bagueta De acordo com o esquema de amostragem ilustrado na Figura 11, apenas na idade de 57 meses foi determinada a densidade por amostras retiradas de discos no DAP. A densidade básica realizada para o disco B foi por meio de amostras na forma de cunha e bagueta (dividida em 3 partes equidistantes), conforme pode ser observado na Figura 12. Esse procedimento teve por objetivo garantir uma maior amostragem do disco e ainda comparar se existia diferença entre um lado e outro do disco por meio de amostragens com formatos distintos. Figura 12. Local de retirada das amostras no disco B para determinação da densidade básica aos 57 meses de idade. 32 Na determinação do volume das amostras de madeira na condição saturada ou verde, foi utilizado o método da balança hidrostática descrito no MB-26/1940 da ABNT, porém com substituição do mercúrio pela água. Para determinação da massa seca utilizou-se uma balança de precisão de 0,01g e secagem completa das amostras foi feita em estufa de ventilação forçada a uma temperatura de 103 ± 2ºC. E por fim a densidade foi determinada pela razão entre a massa completamente seca da amostra por seu volume saturado. 3.4.2.2. Densidade básica de cavacos Em estudos relacionados à qualidade da madeira para produção de celulose, faz-se necessária a determinação da densidade da madeira em forma de cavacos, pois é nessa forma que a madeira abastece o digestor fabril. Dessa maneira, após o abate das árvores em campo, tanto para a idade de 42 meses quanto para a idade de 57 meses, as mesmas foram transferidas para o pátio do laboratório e com o auxílio de um picador, transformada em cavacos. A densidade do material foi determinada pelo método de imersão descrito na NBR 11941 (2003). 3.4.3. Densidade aparente (raios x) As análises relacionadas à densitometria de raios X foram realizadas apenas para a idade de 57 meses e foi utilizado o disco C do DAP das árvores. Primeiramente os discos foram polidos com auxílio de lixas com diferentes granulometrias para obter-se uma boa visualização dos discos e das partes que o compõe com o objetivo de identificar alguma alteração anormal presente no lenho das árvores. Em seguida, as amostras foram preparadas seguindo a metodologia descrita por Tomazello et al. (2008), onde os dois melhores raios (isentos de defeitos) foram extraídos e em seguida seccionados numa serra dupla para o preparo de amostras com 2mm de espessura, com largura de 10mm. As amostras retiradas passaram por um processo de aclimatação por um período de 12 horas a uma temperatura de 20ºC e umidade relativa de aproximadamente 50%. 33 Depois de aclimatadas, as amostras foram transferidas para um suporte metálico e encaixada na parte interna do equipamento de raios-X (QTRS-01X da Quintek Measurement System). Após a calibração, as amostras foram lidas por um feixe colimado de raios X que incidiam na madeira e com o auxílio do software QMS os valores eram transformados em densidade aparente. Dessa maneira, ao final da leitura plotava-se os dados obtidos em planilhas do software Excel, onde tinha-se o perfil radial da densidade aparente. O passo a passo para realização da análise de densitometria de raios x pode ser observado na Figura 13. Figura 13. Preparo de amostras para leitura de raios X. A – Disco polido com os raios demarcados; B – Serra dupla utilizada para retirada das amostras para leitura; C – Amostras retiradas na sala de aclimatação; D – Equipamento de raios X com suporte preto utilizado para encaixar as amostras para leitura; E – Perfil de leitura de dados obtido pelo programa. 3.4.4. Análises químicas As análises químicas foram realizadas para as duas idades. Entretanto, na primeira coleta, as 18 árvores (9 com estresse abiótico e 9 sem estresse abiótico) foram agrupadas de 3 em 3 árvores para a composição das amostras para análise 34 químicas. Já para a segunda coleta, onde foram retiradas 24 árvores para o estudo, metade para cada situação, as amostras para análise química foram obtidas pela composição de duas árvores. Os cavacos depois de secos foram triturados em moinho do tipo Wiley e a serragem produzida foi classificada em peneiras entre 40 e 60 mesh. Para cada amostra foram realizadas as análises descritas no Quadro 3. Quadro 3. Normas utilizadas para as análises químicas da madeira de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses de idade Análise Procedimento Extrativos em álcool/tolueno TAPPI T204 cm 97 (Solvent Extratives of wood pulp) Extrativos em acetona Lignina TAPPI T222 om06 (Acid-insoluble lignina in wood and pulp) Pentosanas TAPPI T223 cm10 (Pentosanas in wood and pulp) 3.4.5. Polpação A amostragem das árvores para a polpação seguiu a mesma utilizada para análise química. Após serem transportados para o laboratório da empresa, os toretes foram picados, classificados, secos e armazenados em sacos plásticos identificados para depois serem levados ao laboratório de cozimento. Entretanto, para a idade de 42 meses por ter sido tratada como uma análise preliminar pontual, além dos dois tratamentos usuais (com maior e com menor grau de estresse), a madeira com maior grau de estresse foi dosada em uma composição de madeira (mix) utilizado no laboratório da empresa que simula a composição das madeiras utilizadas no processo industrial. Esse procedimento foi realizado com o intuito de direcionar o uso racional da madeira com problemas no processo industrial. 35 Nesse contexto, para a análise aos 42 meses de idade os tratamentos foram divididos de acordo com a Tabela 4. Tabela 4. Composição das amostras utilizadas na polpação para o material genético aos 42 meses de idade Tratamentos Descrição 1 Madeira com menor grau de estresse 2 Madeira com maior grau de estresse 3 Mix (composição de diferentes madeiras) 4 80% de madeira do mix + 20% de madeira com maior grau de estresse 5 20% de madeira do mix + 80% de madeira com maior grau de estresse 6 90% de madeira do mix + 10% de madeira com maior grau de estresse Na segunda coleta, aos 57 meses, foi avaliada somente a madeira de menor grau de estresse versus a madeira de maior grau de estresse. A deslignificação das amostras tanto na análise de 42 meses quanto aos 57 meses seguiu o processo Kraft, em digestor modelo M&K e adotou-se o padrão de cozimento do laboratório, com sulfidez de 35±1, número kappa em 18±1 e um residual de álcali entre 1 e 5g/l e um tempo total para o cozimento de 290min. A carga de álcali variou de acordo com as necessidades da madeira para se atingir o número kappa padronizado, ou seja, a carga alcalina foi ajustada visando a obtenção de polpa marrom com número kappa de 18±1. Após a deslignificação, a polpa marrom foi depurada e os rejeitos foram separados, secos e pesados. Para quantificar o teor de rejeitos, calculou-se o percentual entre o peso seco de rejeitos e o peso seco dos cavacos que forneceram os rejeitos e para determinar o rendimento 36 depurado (RD) em celulose, realizou-se o cálculo da diferença entre o rejeito bruto e o teor de rejeitos. 3.5. ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS No presente estudo o delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC) aplicando-se a análise de variância para os parâmetros considerados na pesquisa. Quando a análise de variância foi significativa para os dois tratamentos, considerou-se o teste t e quando necessário, utilizou-se o teste de Tukey ao nível de 5% de significância para distinguir as médias para as análises com mais de dois tratamentos. Para a análise do solo utilizou-se DIC em esquema fatorial (nível de estresse x profundidade do solo). 37 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. SOLO Por meio da classificação dos levantamentos de solo da Embrapa Solos UEP Recife (2006), o solo do local de estudo é classificado como Latossolo vermelho distrófico (LVd). O mapa de classificação para o município de Teixeira de Freitas é visualizado na Figura 14. Figura 14. Mapa exploratório – Reconhecimento de solos do município de Teixeira de Freitas, Bahia. Por meio das análises físicas e químicas realizadas com o solo coletado na área de pesquisa, foi possível constatar que a média para relação Silte/Argila foi igual 0,6, sendo este valor um indicativo de latossolos, uma vez que para tal classificação o valor da relação Silte/Argila deve ser menor que 0,7. Além disso, 38 outro indicativo é que a capacidade de troca catiônica (CTC) da fração argila foi menor que 17, confirmando mais uma vez sua classificação com o latossolo. Os valores médios referentes à textura do solo estão na Tabela 5. Tabela 5. Médias dos valores referentes à textura do solo no local do plantio com árvores do híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla em maior e menor grau de estresse Local Profundidade (cm) Areia fina (dag/kg) Areia grossa (dag/kg) Areia total (dag/kg) Argila (dag/kg) Silte (dag/k) Menor grau de estresse 0-20 15 48 63 22 15 20-40 13 35 48 32 20 40-60 13 40 53 29 18 60-80 13 42 55 28 17 80-100 12 40 52 31 17 100-140 13 35 48 28 24 140-180 13 34 47 26 28 Média - 13 39 52 28 20 Maior grau de estresse 0-20 13 40 53 28 19 20-40 15 43 58 27 15 40-60 14 43 58 27 16 60-80 14 38 52 30 18 80-100 14 42 57 28 15 100-140 14 44 57 27 16 140-180 13 48 62 26 12 Média - 14 43 57 28 16 De acordo com o triângulo de classificação do solo, tanto o local onde as árvores possuíam um menor grau de estresse quanto a área com maior grau de estresse, foram classificadas como um solo de textura média. Na Tabela 6 são apresentados os valores da análise química relativos aos micronutrientes presentes no solo das duas situações de crescimento das árvores, com menor e maior grau de estresse e nas sete profundidades de coleta. 39 Tabela 6. Médias dos valores de micronutrientes para o solo onde ocorreu maior e menor grau de estresse nas árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla Local Profundidade (cm) Micronutrientes (ppm) Cu Fe Mn Zinco Menor grau de estresse 0-20 1,15 8,23 26,41 0,46 20-40 0,61 1,44 3,24 0,06 40-60 0,52 12,16 10,63 0,52 60-80 0,96 5,93 19,16 0,33 80-100 0,42 13,59 3,23 0,24 100-140 0,59 6,95 8,76 0,34 140-180 0,66 5,79 11,44 0,29 Média - 0,70 7,73 11,84 0,32 Maior grau de estresse 0-20 0,65 3,59 4,37 0,14 20-40 0,58 4,99 14,76 0,23 40-60 0,49 23,95 3,78 0,21 60-80 0,41 12,10 0,67 0,09 80-100 0,48 9,04 4,64 0,22 100-140 0,53 22,19 4,85 0,25 140-180 0.45 12,64 10,19 0,35 Média - 0,55 11,94 6.42 0,21 Em relação à média dos valores para as análises químicas de micronutrientes pode-se observar que os valores de Fe da área de menor grau de estresse para a área de maior grau de estresse apresentou um aumento considerável, o que pode explicar o efeito da coloração diferenciada dos solos estudados (Figura 7, E e F). Segundo Novais, Barros e Neves (1990) a disponibilidade de ferro para as plantas é mais elevada em solos ácidos e sob condições de alagamento, a solubilidade do ferro também aumenta em razão da sua redução Fe3+ para Fe2+. Esses autores afirmam ainda que a presença de Fe2+ pode causar toxidade se a condição de alagamento perdurar. 40 Apesar dos valores de teores ferro (Fe) encontrados não ter diferido estatisticamente, para as duas condições de estudo, pode-se observar um aumento das concentrações desse micronutriente em algumas camadas do solo. Tem-se como exemplo a profundidade de 40-60cm, onde para a área com ocorrência de menor grau de estresse das árvores o valor médio foi de 12,16ppm. Para mesma profundidade na área que continha maior grau de estresse das árvores o valor médio da concentração de ferro foi quase o dobro, atingindo 23,95ppm. Da mesma maneira, pode ser observado nas maiores profundidades (100-140 e 140-180cm) onde os valores médios desse micronutriente mais que dobrou. Vale ressaltar que tal concentração pode explicar o fenômeno da mudança de coloração do solo à medida que a coleta tendeu para área mais inferior do talhão. Observou-se uma maior concentração de umidade na parte inferior do talhão que juntamente com as altas concentrações de ferro podem explicar uma coloração mais amarelo-acinzentada, típica de gleissolo. A variação de cor pode ser observada nas trincheiras da Figura 7 (E e F). Na Tabela 7 estão os valores referentes à análise química do solo nas duas situações de crescimento das árvores, com menor e maior grau de estresse e nas sete profundidades de coleta. 41 Tabela 7. Valores médios da fertilidade dos solos com árvores do híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla em maior e menor grau de estresse Local Profundidade (cm) *Ap *Ca *K *Mg *Bo *P pH em CaCl2 pH em água *MO (dag/kg) ................meq/100cm³................ ......ppm..... Menor grau de estresse 0-20 2,09 0,78 0,06 0,28 0.22 1,83 4,52 5,30 1,37 20-40 1,37 0,76 0,08 0,39 0.23 1,33 5,18 5,92 0,78 40-60 1,45 0,80 0,10 0,37 0.22 1,50 5,00 5,78 0,97 60-80 1,36 1,03 0,09 0,29 0.22 1,33 5,25 5,95 1,02 80-100 1,27 1,09 0,09 0,28 0.21 1,17 5,38 6,02 0,95 100-140 1,20 1,01 0,08 0,22 0.17 1,00 5,53 6,28 0,67 140-180 1,14 0,99 0,07 0,25 0.15 1,00 5,75 6,47 0,48 Média - 1,41 0,92 0,08 0,30 0,20 1,31 5,23 5,96 0,89 Maior grau de estresse 0-20 1,63 1,23 0,04 0,24 0.15 1,17 5,10 5,90 0,82 20-40 1,43 0,91 0,06 0,18 0.19 1,33 5,32 6,12 0,75 40-60 1,34 0,95 0,05 0,17 0.16 1,00 5,63 6,38 0,58 60-80 1,47 1,13 0,03 0,16 0.14 1,00 5,63 6,42 0,52 80-100 1,72 0,83 0,04 0,17 0.15 1,17 5,20 5,98 0,58 100-140 1,68 1,29 0,04 0,16 0.16 1,67 5,50 6,27 0,78 140-180 2,01 0,81 0,06 0,17 0.19 2,33 4,68 5,47 1,12 Média - 1,61 1,02 0,05 0,18 0,16 1,38 5,29 6,08 0,74 *Ap: Acidez potencial (meq/100cm³); Ca: Cálcio (meq/100cm³); K: Potássio (meq/100cm³); Bo: Boro (ppm); P: Fósforo (ppm); MO: Matéria Orgânica (daq/kg). 42 Vale destacar os valores nitidamente inferiores para os teores de magnésio e boro na área onde as plantas apresentaram maior grau de estresse. Novais, Barros e Neves (1990), sugerem que a deficiência do boro é frequentemente observado em condições de campo, onde ocorrem solos que apresentam textura arenosa a média, dada à baixa retenção de umidade. Apesar da deficiência de boro e/ou cálcio serem considerados nutrientes responsáveis pela seca do ponteiro que ocorre com mais frequência em árvores de eucalipto plantadas no Vale do Rio Doce. E mesmo as árvores aqui estudadas apresentem como sintoma do estresse a morte do broto apical, tal fato não pode ser relacionado, uma vez que as plantas afetadas não apresentam lesões nas inserções de ramos e pecíolo comumente observados nesta enfermidade em associação com patógenos fracos ou oportunistas que geralmente colonizam tecidos de hospedeiros fisiologicamente conforme avaliado em campo. 4.2. CARACTERIZAÇÃO DENDROMÉTRICA DAS ÁRVORES Os valores médios referentes às variáveis dendrométricas das árvores coletadas aos 42 e 57 meses encontram-se na Tabela 8. Os valores relacionados à estimativa do volume foram calculados apenas para as árvores coletadas na segunda idade (57 meses). Tabela 8. Valores médios das variáveis dendrométricas para o híbrido clonal de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 42 e 57 meses de idade Idade Situação Altura Total (m) Altura Comercial (m) DAP (cm) Volume (m³) 42 meses Menor grau de estresse 20,38* 16,84* 14,47* - Maior grau de estresse 15,17 11,21 11,88 - 57 meses Menor grau de estresse 22,08* 16,71* 15,27* 0,20* Maior grau de estresse 17,85 10,28 11,35 0,08 * - Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. ns – Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. Todos os valores da Tabela 8 foram estatisticamente diferentes ao nível de 5% de significância pelo teste t para as duas idades estudadas separadamente nas 43 duas situações. As árvores com menor grau de estresse apresentaram os maiores valores para os parâmetros dendrométricos avaliados tanto aos 42 quanto aos 57 meses de idade. Para os parâmetros dendrométricos mensurados, pode-se observar que o estresse influenciou negativamente no crescimento das árvores. O valor médio do volume produzido pelas árvores aos 57 meses de idade foi mais que o dobro na área com menor grau do estresse o que indica possíveis gargalos no abastecimento fabril, uma vez que o volume de madeira estimado de uma floresta com maior grau de estresse pode reduzir o abastecimento pela metade. Os valores de altura total, altura comercial e DAP para as árvores com maior grau de estresse, apesar de possuírem idade maior, estão próximos aos encontrados por Braz (2011) estudando dez híbridos clonais de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla que cresceram no Vale do Rio Doce com idade variando entre 30 e 33 meses. O autor encontrou valores de altura total média de 17,81m, altura comercial de 12,85m e DAP médio de 12,33cm. Os percentuais de casca, cerne, alburno e a relação cerne/alburno das árvores estudadas aos 57 meses de idade foram estatisticamente diferentes e podem ser observados na Tabela 9. Tabela 9. Percentuais médios de casca, cerne e alburno e relação cerne/alburno para as árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade Situação % Casca % Cerne %Alburno Cerne/Alburno Menor grau de estresse 6,86* 54,15* 45,85* 1,18* Maior grau de estresse 8,68 39,23 60,77 0,65 * - Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. ns – Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. As árvores que cresceram sob maior efeito do estresse produziram um percentual maior de casca, característica indesejada no processo de produção de celulose. Entretanto, apresentaram uma relação cerne/alburno mais favorável para a produção de celulose, uma vez que madeiras com maiores percentuais de alburno são mais fáceis de serem impregnadas e apresentam menores teores de extrativos. As árvores com menor grau de estresse produziram uma maior área de cerne, o que fez tais indivíduos apresentar maior valor para a relação cerne/alburno. 44 Tal fato pode ser decorrente das melhores condições de crescimento das árvores com menor grau de estresse, o que gera condições para formar madeira com maior quantidade de cerne. Oliveira et al. (2010) estudaram árvores de 64 meses de um clone de Eucalyptus grandis, que cresceram em três localidades, uma no estado Espírito Santo e duas no estado de Minas Gerais para produção de celulose e encontraram valores superiores para o percentual de alburno. Para as três localidades estudadas os autores encontraram valores dos percentuais de cerne e alburno variaram de 20,93% a 33,44% e 66,65% a 79,07%, respectivamente e uma relação cerne/alburno variando de 0,31 a 0,65. Valores superiores para relação cerne/alburno e percentual de casca foi encontrado por Mauri (2010) estudando dois clones de Eucalyptus urograndis com idade de 6 anos, onde a autora encontrou valores variando de 0,60 a 1,64 e ainda encontrou valores de percentual de casca variando de 11,02 a 17,61%. 45 4.3. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA MADEIRA 4.3.1.1. Anatomia da madeira e índices indicativos de qualidade de fibras para produção de papel Na Tabela 10 podem ser observados os valores médios para Diâmetro Tangencial de Vasos (DTV) e Frequência de Vasos (FV), para as duas condições de estresse aos 57 meses de idade. Tabela 10. Valores médios para Diâmetro Tangencial de Vasos (DTV) em μm e Frequência de Vasos (FV) em nº de vasos/mm² para o lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade Situação Posição 1 2 3 DTV Freq. DTV Freq. DTV Freq. Menor grau de estresse 97.9ns (63,5) (155,6) (18,4) 18* (13) (24) (16,2) 119.6* (63,5) (158,7) (16,4) 16* (11) (24) (19,5) 133.0 ns (88,9) (133,0) (14,9) 12* (9) (20) (19,7) Maior grau de estresse 95.4 (57,1) (146,0) (18,0) 20 (15) (28) (16,6) 107.7 (60,3) (139,7) (16,5) 20.2 (11) (30) (18,7) 128.0 (83,3) (16,8) (13,2) 15.4 (11) (27) (23,70) * - Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. ns – Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. Os valores entre parênteses são mínimo(μm), máximo(μm) e coeficiente de variação(%), respectivamente. Todos os valores referentes à frequência de vasos foram estatisticamente diferentes ao nível de 5% de significância pelo teste t, com maiores valores para o lenho das árvores que cresceram sob maior grau de estresse. Em relação ao DTV, apenas na posição 2 do lenho obteve-se valor estatisticamente diferentes ao nível de 5% de significância pelo teste t. Entretanto, pode-se observar que de maneira geral, as árvores que cresceram sob menor grau de estresse tiveram os maiores valores para DTV. Na Tabela 11 podem ser observados os valores médios para os parâmetros mensurados das fibras como: Comprimento de Fibra (C), Largura da Fibra (L), 46 Diâmetro do Lume (DL) e Espessura de Parede (EP) para as duas condições de estresse. Tabela 11. Valores médios dos parâmetros mensurados das fibras (Comprimento de Fibra (C), Largura da Fibra (L), Diâmetro do Lume (DL) e Espessura de Parede (EP) para o lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade nas duas condições de crescimento Situação C(μm) L(μm) DL(μm) EP(μm) Menor grau de estresse 1037,0* (568,8) (1712,3) (15,9) 20,1 ns (3,7) (41,8) (18,2) 10,6* (1,8) (28,9) (32,2) 4,7* (1,0) (9,4) (22,1) Maior grau de estresse 977,3 (482,5) (1486,9) (17,5) 20,0 (9,4) (31,9) (17,7) 11,2 (3,7) (22,8) (30,0) 4,2 (1,4) (7,7) (20,7) * - Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. ns – Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. Os valores entre parênteses são mínimo(μm), máximo(μm) e coeficiente de variação(%), respectivamente. De acordo com os dados relacionados aos parâmetros de fibras presentes na Tabela 11, observa-se que as árvores com menor grau de estresse, nas duas idades estudadas, apresentaram os maiores valores das variáveis mensuradas. Todos os valores foram estatisticamente diferentes ao nível de 5% de significância pelo teste t, exceto para a variável Largura de Fibra. Estudando os principais clones de Eucalyptus das empresas produtoras de celulose kraft do Brasil, Gomide et al. (2005) encontrou para os parâmetros de fibras um comprimento variando entre 0,95 a 1,07mm, com largura de 17,3 a 19,2μm e espessura de parede de 4,6 a 5,2μm. Braz (2011) em estudo realizado com dez híbridos clonais de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com idade variando de 30 a 33 meses no estado de Minas Gerais encontrou valores inferiores aos encontrados. O autor encontrou valores médios de comprimento de fibra variando de 907,2 a 1097,8μm, Largura de Fibra variando de 17,68 a 19,87μm, Diâmetro do Lume variando de 10,05 a 12,66μm e Espessura de parede variando de 3,46 a 4,08μm. Mesmo se tratando de um mesmo híbrido clonal, tal distinção de valores encontrados pode ser explicada pela diferença de idade entre as árvores dos estudos. 47 Os índices indicativos de qualidade da madeira para polpa celulósica para produção de papel são fornecidos pelas relações entre as dimensões das fibras. Na Tabela 12 estão os valores para o Índice de Enfeltramento (IE), Coeficiente de Flexibilidade (%) (CF%), Fração Parede (%) (FP%) e Índice de Runkel (IR). Tabela 12. Valores dos índices de qualidade de fibras do lenho das árvores de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 57 meses de idade em duas situações de crescimento Situação Índice de Enfeltramento Coeficiente de Flexibilidade (%) Fração Parede (%) Índice de Runkel Menor grau de estresse 53,5* (22,0) (100,6) (23,6) 52,1* (14,8) (75,1) (19,8) 47,9* (24,9) (85,2) (21,6) 1,0* (0,3) (5,7) (51,3) Maior grau de estresse 51,0 (18,7) (132,7) (24,5) 56,0 (23,3) (85,7) (17,2) 44,0 (14,3) (76,7) (21,9) 0,8 (0,2) (3,3) (44,3) * - Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. ns – Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t. Os valores entre parênteses são mínimo(μm), máximo(μm) e coeficiente de variação(%), respectivamente. Os valores médios dos índices presentes na Tabela 12 foram estatisticamente diferentes ao nível de 5% de significância pelo teste t. Para todos os índices determinados, os maiores valores foram encontrados nas árvores que cresceram com menor grau de estresse. De acordo com Baldi (2001), citado por Nigoski (2005), para o Índice de Enfeltramento, quanto maiores forem seus valores, melhor será a formação da folha, havendo grande relação com resistência ao rasgo e formação de dobras. Em outras palavras valores mais altos indicam fibras mais compridas que irão refletir em uma rede fibrosa mais flexível. As árvores que cresceram com menor grau de estresse desenvolveram fibras mais compridas o que gerou os maiores valores de Índice de Enfeltramento para suas fibras. Segundo Foelkel (1978), para as árvores de eucalipto são encontrados em geral valores desse índice variando de 40 a 50, consoante com os valores encontrados no presente estudo (Tabela 12). Quanto maior for esse índice mais indicado para produção de pap