UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - UFES CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS - CCE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FÍSICA - PPGFIS DANIEL VITOR BARBOSA COURA Estrutura eletrônica em sistemas moleculares de interesse espacial e atmosférico. Vitória/ES 2023 DANIEL VITOR BARBOSA COURA ESTRUTURA ELETRÔNICA EM SISTEMAS MOLECULARES DE INTERESSE ESPACIAL E ATMOSFÉRICO Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em F́ısica do Centro de Ciências Exatas da Universidade Federal do Esṕırito Santo como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em F́ısica, na área de F́ısica Atômica e Molecular. Orientador: Prof. Dr. Vińıcius Cândido Mota VITÓRIA 2023 Ficha catalográfica disponibilizada pelo Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBI/UFES e elaborada pelo autor C858e Coura, Daniel Vitor Barbosa, 1993- CouEstrutura eletrônica em sistemas moleculares de interesse espacial e atmosférico. / Daniel Vitor Barbosa Coura. - 2023. Cou108 f. : il. CouOrientador: Vinícius Cândido Mota. CouTese (Doutorado em Física) - Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Exatas. Cou1. Interação molecular. 2. Cálculos ab initio. 3. Superfície de energia potencial. 4. Extrapolação. 5. Correlação dinâmica. I. Mota, Vinícius Cândido. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Ciências Exatas. III. Título. CDU: 53 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FÍSICA "Estrutura Eletrônica em Sistemas Moleculares de Interesse Espacial e Atmosférico" Daniel Vitor Barbosa Coura Tese submetida ao Programa de Pós-Graduação em Física da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Física. Aprovada por: _________________________________ ____________________________ Prof. Dr. Ronaldo Junio Campos Batista Prof. Dr. Vinícius Cândido Mota (DFIS/UFOP) (Orientador - PPGFis/UFES) _______________________ _______________________________________ Prof. Dr. João Pedro Braga Prof. Dr. António Joaquim de Campos Varandas (DQ/UFMG) (PPGFis/UFES) _____________________________________ __________________________________ Prof. Dr. Breno Rodrigues Lamaghere Galvão Prof. Dr. Fernando Néspoli Nassar Pansini (CEFET-MG) (PPGFis/UFES) Vitória-ES, 30 de agosto de 2023. Documento assinado eletronicamente nos moldes do art. 10 da MP 2200/01 e Lei 14063/20 [Hash SHA256] f0c78de520c1d93b3ea32e6f2fb99e1c8a1e500559249775beb107196ea4e885 Datas e horários baseados em Brasília, Brasil Sincronizado com o NTP.br e Observatório Nacional (ON) em Os registros de assinatura presentes nesse documento pertencem única e exclusivamente a esse envelope. Documento final gerado e certificado por Documento em conformidade com o padrão de assinatura digital ICP-Brasil e validado de acordo com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação Universidade Federal do Espírito Santo 31/08/2023 às 15:14:18 111ª Defesa Daniel Vitor Barbosa Coura - Ata de Submissão Data e Hora de Criação: 31/08/2023 às 14:11:17 Documentos que originaram esse envelope: - 111ª Defesa Daniel Vitor Barbosa Coura - Ata de Submissão.pdf (Arquivo PDF) - 1 página(s) Hashs únicas referente à esse envelope de documentos [SHA256]: f0c78de520c1d93b3ea32e6f2fb99e1c8a1e500559249775beb107196ea4e885 [SHA512]: cab517d02b6056cd0f63f9fd00782043b807c493ee37daaf4d425b9d8754cd8bd942f464713c93e932b6cc2d2f2001fae4da42a1a87d892cbdc0de56ad04f217 Lista de assinaturas solicitadas e associadas à esse envelope ASSINADO - Ronaldo Júnio Campos Batista (batista.rjc@gmail.com) Data/Hora: 31/08/2023 - 15:14:18, IP: 187.1.164.94, Geolocalização: [-8.4850551, -35.001857] [SHA256]: 0eebf6ab6cc0a58554f9e934e3a349fb570e9c59209f9f96fb2de9d028e03da6 ASSINADO - Breno Rodrigues Lamaghere Galvão (brenogalvao@gmail.com) Data/Hora: 31/08/2023 - 14:35:40, IP: 64.106.111.101, Geolocalização: [35.0865874, -106.61739] [SHA256]: f7db4a1196e1a296a691fb06e5a2cbd217e6217c9c98977e6bfccd10c0ff38c6 ASSINADO - Fernando Néspoli Nassar Pansini (fernando.pansini@ufes.br) Data/Hora: 31/08/2023 - 14:45:45, IP: 200.137.65.102, Geolocalização: [-20.287354, -40.302570] [SHA256]: da3aa66989f71fe6ed016c9d4e1d644a48f53d0eadf3f62033e398e0e8fb1751 ASSINADO - João Pedro Braga (jpbragaufmg@gmail.com) Data/Hora: 31/08/2023 - 14:55:19, IP: 189.59.194.249, Geolocalização: [-19.958988, -43.935334] [SHA256]: d716e731ff417af7db08e9775d9f2e140a13bf8c681f9b4c6138fbad9241f412 ASSINADO - António Joaquim de Campos Varandas (varandas@uc.pt) Data/Hora: 31/08/2023 - 14:17:56, IP: 193.137.208.70 [SHA256]: 770d07f74db94d5224f2b3aafff1986b67c882b4c784c983535e7e0c9bdfb087 ASSINADO - Vinicius Candido Mota (vinicius.c.mota@ufes.br) Data/Hora: 31/08/2023 - 14:14:43, IP: 177.158.255.51 [SHA256]: 3b0273d96da5e683b7ea1cbbf6a2e0917bab8c9e47f69efbea5b555ea6f2d331 Histórico de eventos registrados neste envelope 31/08/2023 15:14:18 - Envelope finalizado por batista.rjc@gmail.com, IP 187.1.164.94 31/08/2023 15:14:18 - Assinatura realizada por batista.rjc@gmail.com, IP 187.1.164.94 31/08/2023 15:14:04 - Envelope visualizado por batista.rjc@gmail.com, IP 187.1.164.94 31/08/2023 14:55:19 - Assinatura realizada por jpbragaufmg@gmail.com, IP 189.59.194.249 31/08/2023 14:55:08 - Envelope visualizado por jpbragaufmg@gmail.com, IP 189.59.194.249 31/08/2023 14:45:45 - Assinatura realizada por fernando.pansini@ufes.br, IP 200.137.65.102 31/08/2023 14:35:40 - Assinatura realizada por brenogalvao@gmail.com, IP 64.106.111.101 31/08/2023 14:35:31 - Envelope visualizado por brenogalvao@gmail.com, IP 64.106.111.101 31/08/2023 14:17:56 - Assinatura realizada por varandas@uc.pt, IP 193.137.208.70 31/08/2023 14:17:41 - Envelope visualizado por varandas@uc.pt, IP 193.137.208.70 31/08/2023 14:14:43 - Assinatura realizada por vinicius.c.mota@ufes.br, IP 177.158.255.51 31/08/2023 14:14:29 - Envelope registrado na Blockchain por vinicius.c.mota@ufes.br, IP 177.158.255.51 31/08/2023 14:14:28 - Envelope encaminhado para assinaturas por vinicius.c.mota@ufes.br, IP 177.158.255.51 31/08/2023 14:11:17 - Envelope criado por vinicius.c.mota@ufes.br, IP 177.158.255.51 Agradecimentos Ao professor Vińıcius Cândido Mota, pela orientação, paciência e todo o conheci- mento transmitido desde a minha graduação. Ao professor Fernando Néspoli Nassar Pansini, pelos esclarecimentos e colaboração durante os trabalhos. À minha famı́lia: Carlos, Marta e Kelly, por todo o apoio em todos os momentos. À CAPES pela bolsa de Doutorado. Aos amigos e colegas do PPGFis/UFES. Ao Laboratório sci-com/UFES onde os cálculos desse trabalho foram realizados. Ao José Carlos, secretário do PPGFis/UFES, pela ajuda de sempre com a burocracia e pelos incontáveis copos de café. Resumo Neste trabalho foram feitos cálculos de estrutura eletrônica de alto ńıvel teórico através de métodos multiconfiguracionais visando três objetivos: o primeiro, propor um novo método de extrapolação das energias de correlação dinâmica para o limite do Conjunto de Base Completo (CBS), onde uma boa concordância com resultados dispońıveis na bibliografia é obtida, mesmo quando o par de números hierárquicos (d, t) é usado para realizar a extrapolação; o segundo, ajustar pontos ab initio ex- trapolados para o limite CBS via método unified singlet- and triplet-pair do sistema molecular HN2 a uma função anaĺıtica utilizando o método da expansão dupla de multi-corpos para o estado quarteto, sendo a primeira superf́ıcie constrúıda para esse estado, permitindo, pela primeira vez, a previsão do papel desempenhado pelo es- tado quarteto nas colisões N(4S) +NH(X̃3Σ−); e o terceiro, realizar a construção de uma superf́ıcie de energia potencial utilizando o método de extrapolação aqui desen- volvido para o sistema molecular HCO, estando este trabalho em andamento e um ajuste preliminar é mostrado. Palavras-chave: Interação molecular. Cálculos ab initio. Superf́ıcie de energia po- tencial. Extrapolação. Correlação dinâmica. HN2. HCO. Abstract In this work, electronic structure calculations of high theoretical level were made th- rough multiconfigurational methods aiming at three objectives: the first, to propose a new extrapolation method of the dynamic correlation energies to the Complete Basis Set (CBS) - limit, where a good agreement with results available in the bi- bliography is obtained, even when the (d, t) pair of hierarchical numbers is used to perform the extrapolation; the second objective is to fit ab initio extrapolated points to the CBS limit via the unified singlet- and triplet-pair method of the molecular sys- tem HN2 to an analytic function using the double many-body expansion method for the quartet state, being the first potential energy surface constructed for this state, allowing, for the first time, the prediction of the role played by the quartet state in N(4S) + NH(X̃3Σ−) collisions; and the third, to build a potential energy surface using the extrapolation method developed here for the molecular system HCO, this work is in progress and a preliminary fit is shown. Keywords: Molecular interaction. Ab initio calculations. Potential energy surface. Extrapolation. Dynamic correlation. HN2. HCO. Lista de Figuras 4.1 Ilustração da energia de correlação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 5.1 Os resultados dos cálculos computacionais ficam mais precisos con- forme melhora-se a base e o ńıvel de teoria. Note que essa figura não é um gráfico, mas um diagrama representativo. Adaptado da referência [5]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 6.1 Esquema dos eixos de simetria para o triângulo equilátero. . . . . . . 53 7.1 Figura ilustrativa dos canais A + BC, B + AC e C + AB em uma molécula triatômica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 9.1 RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE por barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 9.2 RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência, para sistemas fora dos 18 sistemas teste. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 9.3 RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 9.4 RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 9.5 RMSD tendo USTE(Q,5) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases CVXZ-F12 estão da referência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 9.6 RMSD tendo USTE(Q,5) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases CVXZ-F12 estão da referência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 9.7 Cortes da PES para vários ângulos de ataque de H−N2 com R = 2, 5a0. 78 9.8 Curvas de ńıvel mostrando um átomo se movendo nas proximida- des de uma molécula diatômica. Intervalos do contorno: (a) energia de referência E0/Eh = −0, 18648764, ∆E/Eh = 0, 003 para linhas sólidas, ∆E/Eh = −0, 0003 para linhas tracejadas; (b) energia de re- ferência E0/Eh = −0, 095458441, ∆E/Eh = 0, 003 para linhas sólidas, ∆E/Eh = −0, 01 para linhas tracejadas, ∆E/Eh = 0, 0003 para linhas pontilhadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 9.9 Fluxograma de superf́ıcies de energia potencial para o HCO . . . . . 84 9.10 Ajuste das curvas das diatômicas do HCO via EHFACE. . . . . . . . 86 9.11 Curvas de ńıvel para o canal C + HO via MBE. Distância RHO = 1, 8324 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 17026968. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 9.12 Curvas de ńıvel para o canal C + HO via MBE. Distância RHO = 2, 0324 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 17026968. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 9.13 Curvas de ńıvel para o canal H + CO via MBE. Distância RCO = 2, 1322 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 41176814. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 9.14 Curvas de ńıvel para o canal H + CO via MBE. Distância RHO = 2, 3322 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 39214609. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 9.15 Curvas de ńıvel para o canal H + CO via MBE. Distância RHO = 2, 5322 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 35115733. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 9.16 Curvas de ńıvel para o canal H + CO via MBE. Distância RHC = 2, 1163 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 13456517. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 9.17 Curvas de ńıvel para o canal H + CO via MBE. Distância RHC = 2, 3163 bohr. Energia de referência E0/Eh = −0, 12964490. Mais detalhes no texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 9.18 Ajustes aos pontos ab initio do canal C + HO via MBE. Distância RHO = 1, 8324 bohr e ângulo θ variando de 0◦ a 180◦ . . . . . . . . . 90 9.19 Ajustes aos pontos ab initio do canal H + CO via MBE. Distância RHO = 2, 1322 bohr e ângulo θ variando de 0◦ a 180◦. . . . . . . . . . 91 9.20 Ajustes aos pontos ab initio do canal H + CO via MBE. Distância RHO = 2, 3322 bohr e ângulo θ variando de 0◦ a 180◦. . . . . . . . . . 91 9.21 Ajustes aos pontos ab initio do canal H + CO via MBE. Distância RHO = 2, 5322 bohr e ângulo θ variando de 0◦ a 180◦. . . . . . . . . . 92 9.22 Ajustes aos pontos ab initio do canal H + CO via MBE. Distância RHC = 2, 1163 bohr e ângulo θ variando de 0◦ a 180◦. . . . . . . . . . 92 Lista de Tabelas 6.1 Tabela multiplicativa do grupo do triângulo equilátero (D3). . . . . . 53 6.2 Tabela de Caracteres do grupo do triângulo equilátero (D3). . . . . . 54 8.1 Double Many Body Expansion da energia molecular. . . . . . . . . . 61 9.1 Números hierárquicos calculados neste trabalho via método MRCI para bases convencionais e de correlação expĺıcita. . . . . . . . . . . . 68 9.2 Números hierárquicos dispońıveis na literatura para outros ńıveis teóricos. 69 9.3 RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de cor- relação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de qualidade VXZ. . . . . 70 9.4 RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para as bases de qualidade VXZ e VXZ-F12 fora dos 18 sistemas teste. 71 9.5 RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de cor- relação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de qualidade AVXZ. . . . 72 9.6 RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de cor- relação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de correlação expĺıcita VXZ-F12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 9.7 RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(Q,5) como referência, da energia de cor- relação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de qualidade core-correlated ACVXZ. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 9.8 RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(Q,5) como referência, da energia de cor- relação dinâmica dos pares de extrapolação para base de correlação expĺıcita core- correlated CVXZ-F12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 9.9 Pontos estacionários da PES do HN2; distâncias em a0, frequências em cm−1. . . 78 9.10 Pontos estacionários do sistema HCO. Distâncias em bohr, ângulos em graus, frequências em cm−1, e energias em kcalmol−1. . . . . . . 82 9.10 Continuação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 9.11 Comparação entre os resultados obtidos e dados experimentais para as diatômicas. Distâncias em bohr e energias em cm−1. . . . . . . . . 86 11.1 Conversão de unidades do SI para unidades atômicas . . . . . . . . . 95 11.2 Sistemas Moleculares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Lista de Abreviaturas AO Atomic Orbitals ACVXZ Augmented Correlation Consistent Polarized Core-Valence X Zeta CVXZ-F12 CVXZ com correção expĺıcita F12 AVTZ Augmented Correlation Consistent Polarized Valence Triple Zeta AVXZ Augmented Correlation Consistent Polarized Valence X Zeta aug-cc-pCVXZ Augmented Correlation Consistent Polarized Core-Valence X Zeta aug-cc-pVXZ Augmented Correlation Consistent Polarized Valence X Zeta BO Born-Oppenheimer CASSCF Complete Active Space Self-Consistent Field CBS Complete Basis Set CC Coupled-Cluster CCSD Coupled-Cluster with singles and doubles excitations CHIPR Combined-Hyperbolic-Inverse-Power-Representation CI Configuration Interaction CSF Configuration State Function DKH Douglas-Kroll-Hess DMBE Double Many Body Expansion EHF Extended Hartree-Fock EHFACE Extended Hartree-Fock Approximate Correlation Energy EHFACE2U EHFACE model for 2-body interactions including the united atom limit FAM F́ısica Atômica e Molecular GTO Gaussian Type Orbitals HF Hartree-Fock MBE Many Body Expansion MCSCF Multi-configurational self-consistent field MO Molecular Orbitals MRCI Multi-Reference Configuration Interaction MRCI+Q MRCI com a correção de Davidson NO Número de Ocupação PEC Potential Energy Curve PECs Potential Energy Curves PES Potential Energy Surface RHF Restricted Hartree-Fock RMSD Root-Mean-Square Deviation RT Renner-Teller SCF Self Consistent Field STO Slater Type Orbitals UCCSD(T) Unrestricted Coupled Cluster Single, Double and perturbative Triple excitation UHF Unrestricted Hartree-Fock Conteúdo Agradecimentos 2 Resumo 3 Abstract 4 Lista de Figuras 5 Lista de Tabelas 9 Lista de Abreviaturas 11 1 Introdução 16 2 Segunda Quantização 19 2.1 Espaço de Fock . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 2.2 Operadores criação e aniquilação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 2.3 Outros operadores relevantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 2.4 Comutadores e anticomutadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 3 Teoria de Hartree-Fock 26 3.1 O operador de Fock . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 3.2 A energia total Hartree-Fock . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 3.3 Teorema de Koopmans . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 3.4 Equações de Roothaan-Hall . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 3.5 Método do Campo Auto-Consistente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 4 Métodos Pós Hartree-Fock 40 4.1 Configuration-Interaction . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 4.2 Teoria do Campo Auto-Consistente Multiconfiguracional . . . . . . . 42 4.2.1 Correlação estática e correlação dinâmica . . . . . . . . . . . . 43 4.2.2 Complete Active Space Self-Consistent Field . . . . . . . . . . 44 4.3 Multi-Reference Configuration Interaction . . . . . . . . . . . . . . . 44 4.3.1 Correção de Davidson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 5 Conjuntos de Bases 47 5.1 Orbitais tipo Slater . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 5.2 Orbitais tipo Gaussianas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 5.3 Extrapolação para o Limite do Conjunto de Base Completo . . . . . . 50 6 Teoria de Grupos 52 7 Metodologia 55 8 Descrição da Modelagem da Superf́ıcie de Energia Potencial 59 8.1 Double Many Body Expansion . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 8.1.1 O Termo de Dois Corpos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 8.1.2 O Termo de Três Corpos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 9 Resultados Obtidos 65 9.1 Método de Extrapolação da Correlação Dinâmica . . . . . . . . . . . 65 9.2 Superf́ıcie de Energia potencial para o Quarteto HN2 . . . . . . . . . 77 9.3 Superf́ıcie de Energia potencial para o Estado fundamental do HCO 80 10 Conclusões 93 11 Apêndice 95 11.1 Tabela de Conversão de Unidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 11.2 Sistemas Moleculares usados no trabalho de extrapolação . . . . . . . 96 Bibliografia 97 Caṕıtulo 1 Introdução A motivação para este trabalho provém de buscar soluções para os problemas acar- retados pela intervenção do ser humano na natureza, principalmente no tocante às mudanças climáticas. A intervenção antropogênica na composição atmosférica, como por exemplo a deposição de poluentes, levam ao aumento do buraco na camada de ozônio e à chuva ácida [1]. A troposfera é geralmente composta por 78% de N2 , 21% de O2 e 1% de outros gases. Além disso, H é o átomo mais abundante no meio interestelar (∼ 90%). Portanto, tais problemas podem ser explorados através do estudo de reações qúımicas de pequenos átomos e moléculas, como O3, HN2, CO2, HCO e etc. Esses átomos e moléculas podem ser estudados através da teoria quântica. Dentro da mecânica quântica, a solução de um problema independente do tempo consiste na resolução da equação de Schrödinger independente do tempo Ĥ|Ψ⟩ = E|Ψ⟩ (1.1) correspondente para se obter os autoestados e autovalores. O ponto de partida nos cálculos de estrutura eletrônica é a equação de Schrödin- ger, que em sua forma mais geral pode ser escrita como na equação 1.1. Na sua CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO versão independente do tempo, tendo o Hamiltoniano escrito na representação das coordenadas, a equação fica na forma HΨ = EΨ, (1.2) onde o autoestado Ψ é uma função que depende das coordenadas eletrônicas e nu- cleares e E é a energia total do sistema. A chamada aproximação Born-Oppenheimer (BO) [2] trata os núcleos como fontes estacionárias de campos eletrostáticos em vez de part́ıculas verdadeiras, explorarando o fato de que os elétrons se movem muito mais rapidamente que os núcleos. Para compreender melhor esse conceito considere os movimentos nucleares e eletrônicos em uma molécula. Conforme os núcleos se deslocam, os elétrons - por possúırem muito mais mobilidade que os núcleos - se adaptam muito rapidamente a essa nova configuração, mudando assim suas funções de onda de forma muito rápida. Logo, a energia eletrônica também deve mudar conforme alguma função dos parâmetros nucleares [3]. Com isso, pode-se propor uma função que seja um produto de duas funções: uma função puramente nuclear e uma função puramente eletrônica que depende parametricamente das posições nucleares. Assim, a equação 1.2 pode ser desacoplada em duas equações, uma nuclear e uma eletrônica. A equação eletrônica de Schrödinger fica na forma ĤeleΨele = EeleΨele, (1.3) onde Ĥele é o Hamiltoniano eletrônico, Eele é a energia eletrônica e Ψele uma função de onda que depende das coordenadas espaciais e de spin dos elétrons. Através da aproximação BO, resolve-se a equação eletrônica de Schrödinger (1.3) e a energia Eele calculada é inserida na equação (T̂ + Eele)Ψnuc = EtotΨnuc, (1.4) 17 de 104 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO onde o operador T̂ representa a energia cinética nuclear e a energia eletrônica Eele faz o papel de energia potencial. Por isso, a energia eletrônica calculada é conhecida como superf́ıcie de energia potencial (potential energy surface - PES). Se as soluções dessa equação são geradas sem uso de dados experimentais, os métodos são geralmente chamados de ab initio. Do ponto de vista da aproximação BO, o núcleo se move numa superf́ıcie de energia potencial. Resolve-se a equação 1.4 para a função de onda nuclear, para se obter os ńıveis de energia para as vibrações e rotações moleculares, que é fundamental para a espectroscopia, tais como infravermelho, Raman, microondas etc. O objetivo geral desse trabalho é estudar a equação 1.3 e toda a teoria por trás de sua resolução, aplicando-a para algumas moléculas selecionadas. Para melhorar os valores ab initio calculados através da solução da equação 1.3, também será proposto um novo método de extrapolação da energia de correlação dinâmica. No caṕıtulo 2 é explanada a base teórica matemática que permitirá compreender as teorias descritas nos caṕıtulos 3, 4 e 5. Nos caṕıtulos 7 e 8 são descritos os métodos computaci- onais utilizados e no caṕıtulo 9 os resultados obtidos. Por fim, toda a referência bibliográfica desse trabalho pode ser encontrada no último caṕıtulo. 18 de 104 Caṕıtulo 2 Segunda Quantização Na formulação padrão da mecânica quântica, os observáveis são representados por operadores e os estados por funções. Na chamada “segunda quantização”, as funções de onda também são expressas em termos dos operadores - operadores criação e ani- quilação atuando no estado de vácuo. Informações como a antisimetria da função de onda eletrônica já estão contidas na álgebra desses operadores [4]. Antes de explorar a equação 1.3, algumas definições importantes serão aqui descritas no linguajar da segunda quantização. 2.1 Espaço de Fock Considere um espaço vetorial linear chamado de espaço de Fock, onde define-se um vetor |k⟩ denominado vetor número de ocupação (vetor NO) |k⟩ = |k1, k2, ..., kM⟩, (2.1) onde kP = 1 se o spin-orbital estiver ocupado e kP = 0 se não estiver ocupado. Para um conjunto ortonormal de spin-orbitais, define-se o produto interno entre dois CAPÍTULO 2. SEGUNDA QUANTIZAÇÃO vetores NO |k⟩ e |m⟩ como ⟨k|m⟩ = δk,m = M∏ P=1 δkPmP . (2.2) Os vetores NO (equação 2.1) formam uma base ortonormal de 2M dimensões no espaço de Fock F (M). Esse espaço pode ser decomposto como uma soma veto- rial direta de subespaços F (M,N), que contém todos os vetores NO obtidos pela distribuição de N elétrons em M spin-orbitais. No espaço de Fock, o subespaço F (M, 0) que consiste de vetores NO sem nenhum elétron, contém um único vetor chamado estado de vácuo |vac⟩ = |01, 02, ..., 0M⟩ (2.3) que, de acordo com a equação 2.2, é normalizado na unidade ⟨vac|vac⟩ = 1. (2.4) 2.2 Operadores criação e aniquilação Os operadores de criação são definidos por a†P |k1, k2, ..., 0P , ..., kM⟩ = Γk P |k1, k2, ..., 1P , ..., kM⟩ (2.5) a†P |k1, k2, ..., 1P , ..., kM⟩ = 0, (2.6) onde Γk P = P−1∏ Q=1 (−1)kQ (2.7) é o fator de fase, que equivale a +1 se existe um número par de elétrons nos spin- orbitais antes de P e −1 se o número de elétrons for ı́mpar. Esse fator é necessário 20 de 104 CAPÍTULO 2. SEGUNDA QUANTIZAÇÃO para haver uma consistência com a teoria da primeira quantização. Essa definição permite escrever os vetores NO (equação 2.1) em função dos ope- radores de criação atuando no estado de vácuo: |k⟩ = [ M∏ P=1 (a†P ) kP ] |vac⟩. (2.8) As propriedades dos operadores criação podem ser deduzidas das definições 2.5 e 2.6: a†P |k⟩ = δkP 0Γ k P |k1, ..., 1P , ..., kM⟩, (2.9) a†Pa † P |k⟩ = a†P δkP 0Γ k P |k1, ..., 1P , ..., kM⟩ = 0. (2.10) Pode-se perceber que a operação dupla de a†P em um vetor NO resulta em zero. Logo, a†Pa † P = 0. (2.11) Para P ̸= Q, a†P e a†Q podem atuar de duas maneiras: • Para a†Pa † Q, a†Pa † Q|..., kP , ..., kQ, ...⟩ = a†P δkQ0Γ k Q|..., kP , ..., 1Q, ...⟩ = δkP 0δkQ0Γ k PΓ k Q|..., 1P , ..., 1Q, ...⟩. (2.12) • Para a†Qa † P , a†Qa † P |..., kP , ..., kQ, ...⟩ = a†QδkP 0Γ k P |..., 1P , ..., kQ, ...⟩ = δkP 0δkQ0Γ k P (−Γk Q)|..., 1P , ..., 1Q, ...⟩. (2.13) O sinal de negativo surge do fato que a†P |k⟩ - caso não se anule - conterá um elétron a mais antes do spin-orbital Q do que antes. Somando 2.12 e 2.13, 21 de 104 CAPÍTULO 2. SEGUNDA QUANTIZAÇÃO pode-se obter a relação (a†Pa † Q + a†Qa † P )|k⟩ = 0. (2.14) O operador aniquilação, representado por aP , é adjunto Hermitiano de a†P . Então, deve satisfazer uma relação de anticomutação idêntica ao do operador de criação. Usando os resultados anteriores, pode-se mostrar que aP |k⟩ = δkP 1Γ k P |k1, ..., 0P , ..., kM⟩. (2.15) O operador aP reduz kP de 1 para 0 se o spin-orbital P está ocupado e resulta em zero se o spin-orbital não está ocupado. Da última afirmação, segue que aP |vac⟩ = 0. (2.16) 2.3 Outros operadores relevantes Os operadores criação e aniquilação mudam o número de part́ıculas em um deter- minado estado. Agora serão apresentados operadores que agem em um mesmo su- bespaço dentro do espaço de Fock, conservando o número de part́ıculas. O primeiro é chamado operador número de ocupação, definido por N̂P = a†PaP . (2.17) Esse operador conta o número de elétrons presentes no spin-orbital P . Utilizando as relações 2.9 e 2.15, segue que N̂P |k⟩ = a†PaP |k⟩ = δkP 1|k⟩ = kP |k⟩, (2.18) 22 de 104 CAPÍTULO 2. SEGUNDA QUANTIZAÇÃO onde os fatores de fase se cancelam pois aparecem duas vezes. É fácil ver que esse operador é Hermitiano: N̂ † P = (a†PaP ) † = a†PaP = N̂P . (2.19) Levando em consideração a soma de todos os operadores número de ocupação dentro do espaço de Fock, pode-se definir o chamado operador número N̂ = M∑ P=1 a†PaP , (2.20) que retorna o número de elétrons em um vetor NO: N̂ |k⟩ = M∑ P=1 kP |k⟩ = N |k⟩. (2.21) Para obedecer os conceitos f́ısicos envolvidos (conservação do número de elétrons e dependência espacial dos spin-orbitais) e, além disso, representar analogamente a primeira quantização, o chamado operador de um elétron pode ser definido e deve ter a forma f̂ = ∑ PQ fPQa † PaQ, (2.22) onde a†PaQ é chamado de operador excitação, pois excita um elétron do spin-orbital Q para o spin-orbital P , transformando um dado vetor NO em outro vetor NO no mesmo subespaço F (M,N). A aplicação de um operador excitação resulta em uma excitação única, a aplicação de dois operadores excitação resulta em uma excitação dupla e assim por diante. Cada vetor NO pode ser obtido a partir de qualquer outro vetor NO no mesmo subespaço a partir da aplicação de uma determinada sequência de operadores excitação. Por fim, o somatório na expressão 2.22 varre todos os pares de spin-orbitais de forma a garantir a mais alta flexibilidade na descrição e a ordem dos operadores de criação e aniquilação garantem o resultado nulo quando aplicado 23 de 104 CAPÍTULO 2. SEGUNDA QUANTIZAÇÃO no estado de vácuo. Para haver concordância com a primeira quantização, o parâmetro fPQ deve assumir a forma fPQ = ∫ ϕ∗ P (x)f(x)ϕQ(x)dx, (2.23) onde ϕP (x) é uma função de base e x representa ambas coordenadas espaciais e de spin. O dito operador de dois elétrons na segunda quantização assume a forma ĝ = 1 2 ∑ PQRS gPQRSa † Pa † RaSaQ, (2.24) onde os operadores aniquilação também vão a direita de forma a garantir o resultado nulo caso aplicado a um vetor NO com menos de dois elétrons. O fator 1/2 é con- vencional. De maneira a garantir analogia com a primeira quantização, o parâmetro gPQRS deve ser escrito como gPQRS = ∫ ∫ ϕ∗ P (x1)ϕ ∗ R(x2)g(x1,x2)ϕQ(x1)ϕS(x2)dx1dx2. (2.25) 2.4 Comutadores e anticomutadores Durante a manipulação de operadores e elementos matriciais na segunda quantização, o comutador [Â, B̂] = ÂB̂ − B̂ (2.26) e o anticomutador [Â, B̂]+ = ÂB̂ + B̂ (2.27) são frequentemente encontrados. Algumas relações de identidade importantes são: [Â, B̂Ĉ] = [Â, B̂]Ĉ + B̂[Â, Ĉ] = [Â, B̂]+Ĉ − B̂[Â, Ĉ]+, (2.28) 24 de 104 CAPÍTULO 2. SEGUNDA QUANTIZAÇÃO [Â, B̂Ĉ]+ = [Â, B̂]Ĉ + B̂[Â, Ĉ]+ = [Â, B̂]+Ĉ − B̂[Â, Ĉ]. (2.29) A chamada identidade de Jacobi relaciona comutadores duplos [Â, [B̂, Ĉ]] + [Ĉ, [Â, B̂]] + [B̂, [Ĉ, Â]] = 0. (2.30) Por fim, as relações de anticomutação, que são propriedades fundamentais dos ope- radores criação e aniquilação: [a†P , a † Q]+ = 0, (2.31) [aP , aQ]+ = 0, (2.32) [a†P , aQ]+ = δPQ. (2.33) 25 de 104 Caṕıtulo 3 Teoria de Hartree-Fock Exceto para átomos hidrogenóides, a equação 1.3 não possui solução anaĺıtica exata. Em 1928 Hartree propôs uma maneira interativa de resolver esse problema, baseando- se no prinćıpio variacional, onde cada elétron está sob a influência de um potencial nuclear atrativo e a uma média do potencial eletrônico negativo. Assim sendo, a função de onda pode ser escrita como [5] Ψ = ϕP1(x1)ϕP2(x2) · · ·ϕPN (xN). (3.1) Porém, esse método não leva em conta o spin eletrônico e nem a simetria entre os elétrons, de forma que a função de onda multieletrônica deve ser antissimétrica em relação a troca de coordenadas espacial e de spin entre dois elétrons. Sem essas considerações, a descrição do sistema atômico ou molecular não será rigorosa. Graças a Fock, em 1930 esse problema foi superado com a acréscimo do determinante de Slater ao método de Hartree, que consiste na descrição da função de onda total como um determinante: CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK ΨSD = 1√ N ! ∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣ ϕP1(x1) ϕP2(x1) · · · ϕPN (x1) ϕP1(x2) ϕP2(x2) · · · ϕPN (x2) ... ... . . . ... ϕP1(xN) ϕP2(xN) · · · ϕPN (xN) ∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣∣ , (3.2) que agora contém as informações de spin e de antissimetria da função de onda. O fator 1/ √ N ! torna a função ΨSD normalizada. Aqui vale uma atenção especial: existe uma relação de um para um entre os determinantes de Slater e os vetores NO no espaço de Fock. Muito da terminologia usada para os determinantes de Slater pode ser usada para os vetores NO também, o que justifica seu uso. Vale observar que os vetores NO não são determinantes de Slater, pois não possuem estrutura espacial, são apenas vetores em um espaço vetorial abstrato. Na ausência de campos externos e desprezando as interações spin-órbita e outras interações relativ́ısticas, o Hamiltoniano eletrônico molecular assume a forma Ĥ = ∑ PQ hPQa † PaQ + 1 2 ∑ PQRS gPQRSa † Pa † RaSaQ + hnuc. (3.3) Onde, em unidades atômicas (ver tabela 11.1 no apêndice 11.1), hPQ = ∫ ϕ∗ P (x) ( −1 2 ∇2 − ∑ I ZI rI ) ϕQ(x)dx, (3.4) gPQRS = ∫ ∫ ϕ∗ P (x1)ϕ ∗ R(x2)ϕQ(x1)ϕS(x2) r12 dx1dx2, (3.5) hnuc = 1 2 ∑ I ̸=J ZIZJ RIJ , (3.6) sendo ZI as cargas nucleares, rI a separação núcleo-elétron, r12 a separação elétron- elétron e RIJ as separações entre os núcleos. Os somatórios são sobre todos os núcleos. A interpretação f́ısica desse Hamiltoniano é que quando aplicado a um 27 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK estado eletrônico, o Hamiltoniano produz uma combinação linear do estado origi- nal com estados gerados das excitações simples e duplas desse estado, contendo uma amplitude hPQ ou gPQRS associada que representa a probabilidade desse evento acon- tecer. 3.1 O operador de Fock Um sistema de camada fechada HF é representado por um determinante de Slater otimizado variacionalmente. Essa função de onda representa um estado onde cada elétron se comporta como uma part́ıcula independente. Pode-se então determinar esse estado resolvendo-se uma equação de Schrödinger de um elétron, gerando-se uma solução (spin-orbital) independente para cada elétron no sistema. O estado final é então obtido pelo produto de todas as autofunções independentes. Essa abordagem é realizada na teoria conhecida como Hartree-Fock canônica e será descrita aqui pois é o método usado nos softwares que foram utilizados para realizar os cálculos deste trabalho. A teoria HF canônica é restrita a sistemas de camada fechada, pequenos ou moderadamente grandes. O chamado operador de Fock deve ser Hermitiano - assim como Ĥ - e totalmente simétrico no espaço de spin, assumindo a forma f̂ = ∑ pq fpqEpq, (3.7) onde a matriz de Fock f é simétrica com elementos fpq. Define-se aqui o operador excitação singleto Epq = a†pαaqα + a†pβaqβ. (3.8) Na base onde a matriz de Fock é diagonal, fpq = δpqϵp (3.9) 28 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK e as autofunções de um elétron do operador de Fock f̂a†pσ|vac⟩ = ϵpa † pσ|vac⟩ (3.10) são chamadas de spin orbitais canônicos e os autovalores são as energias orbitais. Mediante a solução das equações HF (3.10), a função de onda de camada fechada HF para N elétrons é constrúıda como um produto dos spin orbitais canônicos |cs⟩ = ( Πia † iαa † iβ ) |vac⟩ (3.11) e a energia total é obtida tomando-se o valor esperado do Hamiltoniano E(0) = ⟨cs|Ĥ|cs⟩. (3.12) É necessário que f̂ torne-se o Hamiltoniano exato no limite onde os elétrons não interagem. Além disso, o produto gerado pelos autovetores de f̂ devem representar variacionalmente o estado de N elétrons otimizado. É posśıvel demonstrar que, para que o operador de Fock satisfaça tais exigências, este deve assumir a forma [4] f̂ = 1 2 ∑ pq ∑ σ ⟨cs|[a†qσ, [apσ, Ĥ]]+|cs⟩Epq. (3.13) Quando constrúıdo a partir de um conjunto arbitrário de orbitais, a matriz de Fock não é diagonal. Porém, na representação canônica (equação 3.9), a matriz de Fock é diagonal: fpq = 1 2 ∑ σ ⟨cs|[a†qσ, [apσ, Ĥ]]+|cs⟩ = ϵpδpq. (3.14) As equações 3.14 não são lineares, e as equações de HF (3.10) não são equações de autovalor verdadeiras, são ditas pseudo-equações de autovalor, e devem ser resolvidas através de um processo interativo, onde a matriz de Fock é repetidamente constrúıda e diagonalizada até que um conjunto de orbitais que satisfaçam as equações 3.14 seja 29 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK obtido. O trabalho agora é obter uma expressão expĺıcita para o operador de um elétron ([a†qσ, [apσ, Ĥ]]+). Do Hamiltoniano eletrônico (equação 3.3), Ĥ = ĥ+ ĝ + hnuc = ∑ pq hpqEpq + 1 2 ∑ pqrsστ gpqrsa † pσa † rτasτaqσ + hnuc. (3.15) Inserindo isso na matriz de Fock e resolvendo termo a termo, primeiramente para o termo de um elétron: ∑ σ [a†nσ, [amσ, ĥ]]+ = 2hmn. (3.16) Para o termo de dois elétrons [amσ, ĝ] = 1 2 ∑ pqrsτv gpqrs[amσ, a † pva † rτasτaqv] = 1 2 ∑ pqrsτv gpqrs(δmpδσva † rτ − δmrδστa † pv)asτaqv = ∑ qrsτ gmqrsa † rτasτaqσ. (3.17) Finalmente, inserindo 3.17 no anticomutador, ∑ σ [a†nσ, [amσ, ĝ]]+ = ∑ qrs gmqrs ∑ στ [a†nσ, a † rτasτaqσ]+ = ∑ qrs gmqrs ∑ στ (δnqa † rτasτ − δnsδστa † rτaqσ) = ∑ rs (2gmnrs − gmsrn)Ers. (3.18) O termo hnuc não realiza contribuições para a matriz de Fock. Unindo todas as contribuições, o operador de um elétron torna-se ∑ σ [a†qσ, [apσ, Ĥ]]+ = 2hpq + ∑ rs (2gpqrs − gpsrq)Ers. (3.19) O cálculo dos elementos da matriz de Fock torna-se simples, pois para estados de 30 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK camada fechada, a matriz densidade de um elétron é dada por Dpq = ⟨cs|Epq|cs⟩ =  2δpq para p ocupado 0 para p virtual. (3.20) Por fim, a matriz de Fock fica na forma fpq = hpq + ∑ i (2gpqii − gpiiq). (3.21) 3.2 A energia total Hartree-Fock O Hamiltoniano eletrônico (equação 3.3) pode ser escrito na forma Ĥ = ĥ+ ĝ + hnuc = ∑ pq hpqEpq + 1 2 ∑ pqrs gpqrsepqrs + hnuc (3.22) onde, por conveniência, é definido o operador excitação de dois elétrons epqrs = EpqErs − δqrEps = ∑ στ a†pσa † rτasτaqσ. (3.23) A equação 3.22 contém o conjunto completo de interações eletrônicas em uma dada base e é independente do estado eletrônico estudado. [4] Como visto anteri- ormente, o operador de Fock deve ser Hermitiano - assim como Ĥ - e totalmente simétrico no espaço de spin, assumindo a forma f̂ = 1 2 ∑ pq ∑ σ ⟨HF|[a†qσ, [apσ, Ĥ]]+|HF⟩Epq. (3.24) O operador de Fock pode ser escrito como f̂ = ĥ+ V̂ , (3.25) 31 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK onde a parte de dois elétrons ĝ do Hamiltoniano, equação 3.3, é substituida por um potencial efetivo de um elétron, chamado de potencial de Fock : V̂ = ∑ pq VpqEpq = ∑ pq ∑ i (2gpqii − gpiiq)Epq. (3.26) Existem duas contribuições diferentes ao potencial de Fock resultantes da indistin- guibilidade eletrônica, representando interações f́ısicas distintas entre os elétrons. Uma vez que o operador de Fock é diagonal na representação canônica f̂ = ∑ p ϵpEpp, (3.27) então os spin orbitais são autofunções do operador de Fock f̂a†pσ|vac⟩ = ϵpa † pσ|vac⟩ (3.28) com as energias dos orbitais dadas por ϵp = hpp + ∑ i (2gppii − gpiip). (3.29) De forma mais expĺıcita, ϵp = ∫ ϕp(r1) ( −1 2 ∇2 − ∑ K ZK r1K ) ϕp(r1)dr1 + 2 ∑ i ∫ ∫ ϕp(r1)ϕp(r1)ϕi(r2)ϕi(r2) r12 dr1dr2 − ∑ i ∫ ∫ ϕp(r1)ϕi(r1)ϕi(r2)ϕp(r2) r12 dr1dr2. (3.30) O estado eletrônico final na equação 3.24 pode ser obtido como um produto 32 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK antissimétrico dos spin-orbitais canônicos |HF⟩ = (∏ i a†iαa † iβ ) |vac⟩, (3.31) que é a função de onda (ou estado) de Hartree-Fock, obtida pela aplicação do prinćıpio variacional na energia eletrônica. Esse operador é construido dessa forma para garantir obediência aos requisitos citados. O estado |HF⟩ é uma autofunção do operador de Fock com autovalor igual a soma das energias dos spin-orbitais canônicos ocupados f̂ |HF⟩ = 2 ∑ i ϵi|HF⟩. (3.32) A energia Hartree-Fock é o valor esperado do operador Hamiltoniano (equação 3.22) E(0) = ⟨HF|Ĥ|HF⟩ (3.33) e pode ser calculada como E(0) = ∑ pq Dpqhpq + 1 2 ∑ pqrs dpqrsgpqrs + hnuc, (3.34) onde define-se os elementos da matriz-densidade de um elétron Dpq = ⟨HF|Epq|HF⟩ (3.35) e dois elétrons dpqrs = ⟨HF|epqrs|HF⟩. (3.36) Para um estado eletrônico HF de camada fechada, os únicos elementos não nulos da matriz-densidade são aqueles com todos os ı́ndices inativos (veja a equação 3.20) Dij = 2δij (3.37) 33 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK dijkl = DijDkl − 1 2 DilDkj = 4δijδkl − 2δilδkj. (3.38) Usando esses elementos, a energia total HF torna-se E(0) = 2 ∑ i hii + ∑ ij (2giijj − gijji) + hnuc, (3.39) onde o primeiro termo representa a energia cinética dos elétrons e suas interações atrativas com os núcleos estacionários e o segundo termo representa a repulsão média das interações entre os elétrons do sistema. Logo, um elétron recebe a influência de um potencial eletrostático Coulombiano clássico gerado pelo arranjo nuclear e pela distribuição de cargas dos demais elétrons, como também do efeito não clássico do potencial de troca que descreve a correlação entre elétrons com spins paralelos chamada de correlação de Fermi. 3.3 Teorema de Koopmans Considere a energia de um sistema de N elétrons (equação 3.39), e a energia desse mesmo sistema com um elétron retirado do orbital k: EN HF = 2 N∑ i hii + N∑ ij (2giijj − gijji) + hnuc EN−1 k = 2 N−1∑ i hii + N−1∑ ij (2giijj − gijji) + hnuc. (3.40) Subtraindo a primeira energia pela segunda, utilizando a equação (3.29) e da definição do operador de Fock, pode-se obter [5] EN HF − EN−1 k = ϵk. (3.41) Ou seja, a variação de energia é exatamente a energia do orbital k de onde o elétron foi retirado. Esse resultado é conhecido como Teorema de Koopmans. 34 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK Para os orbitais ocupados e virtuais, a relação 3.29 pode ser escrita como ϵi = hii + ∑ j ̸=i (2giijj − gijji) + giiii, (3.42) ϵa = haa + ∑ j (2gaajj − gajja). (3.43) A energia de um orbital ocupado então representa a interação entre um elétron no orbital ϕi e os N−1 elétrons restantes no sistema. Já a energia de um orbital virtual representa a interação de um elétron no orbital ϕa com N elétrons. ϵi pode ser interpretado como um potencial de ionização e ϵa interpretado como a afinidade eletrônica. Essas interpretações são baseadas no Teorema de Koopmans. 3.4 Equações de Roothaan-Hall Na maioria das aplicações da teoria HF, os orbitais moleculares (Molecular Orbitals - MO) ϕp são expandidos em um conjunto de orbitais atômicos (Atomic Orbitals - AO) χµ ϕp = ∑ µ Cµpχµ. (3.44) Os coeficientes Cµp dessa expansão podem ser usados como parâmetros variacionais para a otimização da energia HF. Da equação 3.39, E(C) = 2 ∑ i hii + ∑ ij (2giijj − gijji) + hnuc (3.45) e, uma vez que a energia deve ser otimizada sujeita as condições de ortonormalidade dos MOs ⟨ϕi|ϕj⟩ = δij, os multiplicadores de Lagrange são utilizados L(C) = E(C)− 2 ∑ ij λij(⟨ϕi|ϕj⟩ − δij). (3.46) 35 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK Para orbitais reais, os multiplicadores são simétricos (λij = λji) e, portanto, consti- tuem uma matriz real simétrica λ. As condições variacionais na energia HF (equação 3.45) podem agora ser expres- sadas na forma ∂L(C) ∂Cµk = 0. (3.47) As primeiras derivadas da equação 3.46 com respeito aos MOs são dadas por ∂L(C) ∂Cµk = 4hµk + 4 ∑ j (2gµkjj − gµjjk)− 4 ∑ j Sµjλjk. (3.48) Substituindo 3.48 em 3.47, obtêm-se as condições para o estado HF otimizado fµk = ∑ j Sµjλjk. (3.49) Multiplicando-se pela esquerda por um conjunto virtual de orbitais ortonormais que são diagonais em relação aos MOs ocupados e por um conjunto de MOs ocupados, resulta-se fak = 0, (3.50) fik = λik. (3.51) A primeira relação (3.50) representa a condição de otimização. Essas duas equações (3.50 e 3.51) são suficientes para determinar o estado HF. Os multiplicadores de Lagrange podem ser determinados pela segunda relação (3.51). Uma vez que a matriz dos multiplicadores (λ) é simétrica, ela pode ser diagona- lizada por uma transformação ortogonal entre os orbitais ocupados λ = UεUT. (3.52) A energia HF não muda com essas transformações. Os multiplicadores de Lagrange 36 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK fora da diagonal podem ser eliminados por uma transformação ortogonal para um conjunto de MOs ocupados que satisfazem as condições canônicas fik = δikεi. (3.53) Na base canônica, pode-se expressar as condições variacionais (equação 3.49) na forma ∑ v fAO µv Cvk = εk ∑ v SµvCvk, (3.54) onde os elementos dos AO da matriz de Fock são dados por fAO µv = hµv + ∑ i (2gµvii − gµiiv). (3.55) Uma vez que fAO é simétrica, pode-se extender a relação 3.54 para poder obter- se também um conjunto de MOs ortonormal virtual que seja ortogonal aos MOs ocupados. Esses orbitais virtuais satisfazem as mesmas condições canônicas que os orbitais ocupados (equação 3.53): fab = δabεa. (3.56) Na forma matricial, as condições variacionais (equação 3.54) podem ser escritas como fAOC = SCε, (3.57) onde ε é a matriz diagonal contendo as energias dos orbitais (i.e. os multiplicadores de Lagrange na representação canônica). Deve ser observado que a matriz de Fock dos AO (equação 3.55) pode ser calculada 37 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK totalmente na base dos AO de acordo com a expressão fAO µv = hµv + ∑ ρσ DAO ρσ (gµvρσ − 1 2 gµσρv), (3.58) onde os elementos da matriz simétrica DAO são dados por DAO ρσ = 2 ∑ i CρiCσi. (3.59) É fácil verificar que a matriz densidade DAO é a representação em relação aos orbitais atômicos da matriz densidade de um elétron D para um sistema de camada fechada: DAO = CDCT. (3.60) A matriz D na equação 3.35 é uma matriz diagonal com elementos não nulos para os MOs ocupados (equação 3.35). 3.5 Método do Campo Auto-Consistente As equações contidas na relação 3.57 são chamadas de equações de Roothaan-Hall e expressam as equações de Hartree-Fock na base dos orbitais atômicos. Através da ma- triz densidade é posśıvel então calcular a matriz de Fock, que é diagonalizada e usada para se obter um novo conjunto de orbitais moleculares. A matriz de Fock é então recalculada através desses novos MOs e um processo interativo então é estabelecido, reconstruindo a matriz de Fock diversas vezes, até que os orbitais moleculares recal- culados sejam próximos o suficiente daqueles gerados por sua diagonalização. Esse método interativo é chamado de Método do Campo Auto-consistente (self-consistent field - SCF). Os passos que constituem a n-ésima interação são: 1. Construir a matriz densidade DAO n através dos orbitais atômicos Cn de acordo 38 de 104 CAPÍTULO 3. TEORIA DE HARTREE-FOCK com a equação 3.59. 2. Gerar a matriz de Fock com os orbitais atômicos fAO n utilizando DAO n de acordo com a equação 3.58. 3. Transformar fAO n para fMO n na base dos orbitais moleculares. (a) Se a nova matriz fMO n é muito parecida com a anterior fMO n−1, o cálculo interativo está conclúıdo. (b) Se não, deve-se diagonalizar fAO n de acordo com a equação 3.57 para se obter uma nova matriz densidade através de novos Cn+1 e retornar ao passo 1. O processo SCF pode ser resumido no fluxoframa a seguir: Definir funções de base (χn e Cn) na equação 3.44 Calcular D (equação 3.59) Gerar a matriz de Fock fAO n de acordo com a equação 3.58 Diagonalizar fAO n de acordo com a equação 3.57 e obter novos Cn+1 Transformar fAO n para fMO n Se a nova matriz fMO n é muito parecida com a anterior fMO n−1 Se a nova matriz fMO n não é parecida com a anterior fMO n−1 Cálculo interativo conclúıdo. 39 de 104 Caṕıtulo 4 Métodos Pós Hartree-Fock Os métodos Pós Hartree-Fock (Pós HF) são aqueles que usam não apenas um de- terminante de Slater, mas determinantes de Slater excitados. Quando realizam-se cálculos HF, as interações eletrônicas são realizadas como uma média, porém isso não é rigoroso, uma vez que o movimento dos elétrons estão correlacionados uns com os outros. A diferença entre a energia obtida num cálculo HF e a energia “exata” - isto é, a energia mais baixa obtida em uma dada base e ńıvel teórico - é chamada de energia de correlação eletrônica [5], que pode ser visualizada na figura 4.1. Nas próximas seções serão mostrados alguns métodos para se calcular a energia de correlação eletrônica. r r “Eexata” EHF Ecorr � � ▽ ⊖ Figura 4.1: Ilustração da energia de correlação. CAPÍTULO 4. MÉTODOS PÓS HARTREE-FOCK 4.1 Configuration-Interaction Um desses métodos chama-se Configuration-Interaction (CI), [5] onde leva-se em conta as excitações eletrônicas e com isso as ocupações dos orbitais moleculares via determinantes de Slater excitados, que podem ser singles (S) - únicas, doubles (D) - duplas, triples (T) - triplas, etc. Analogamente ao método HF, o método CI é baseado no prinćıpio variacional, e a função de onda tentativa é escrita como uma combinação linear dos determinantes excitados, onde os coeficientes da expansão são determinandos pela minimização da energia. [5] No método CI, a função de onda eletrônica fica na forma |C⟩ = ∑ i Ci|i⟩, (4.1) sendo os coeficientes Ci determinados variacionalmente pela otimização do valor es- perado da energia eletrônica: ∂ ∂Ci ⟨C|Ĥ|C⟩ ⟨C|C⟩ , (4.2) resultando em um problema de autovalor para os coeficientes e a energia HC = EC. (4.3) A construção de funções de onda via método CI são acompanhadas da diagonalização do Hamiltoniano matricial Hij = ⟨i|Ĥ|j⟩ via métodos interativos. O chamado Full CI (FCI) acontece quando todas as posśıveis excitações de um determinado sistema são levadas em conta. Porém, para a maioria dos sistemas o custo computacional para a implementação de um FCI é proibitivo. 41 de 104 CAPÍTULO 4. MÉTODOS PÓS HARTREE-FOCK 4.2 Teoria do Campo Auto-Consistente Multicon- figuracional Essa teoria é responsável por um modelo flex́ıvel e útil na descrição da estrutura eletrônica de sistemas moleculares ligados, estados excitados e quebras de ligação nos processos de dissociação molecular. O multiconfigurational self-consistent field - MCSCF é um modelo padrão na qúımica quântica e pode ser considerado uma generalização do método HF para sistemas dominados por mais de uma configuração eletrônica. Dentro dessa teoria, a função de onda é escrita como |κ,C⟩ = exp(−κ̂) ∑ i Ci|i⟩, (4.4) onde Ci são os coeficientes da expansão CI e exp(−κ̂) é o operador rotação de orbital, em que κ̂ pode ser definido por κ̂ = ∑ PQ κPQa † PaQ. (4.5) O operador de rotação orbital permite adaptar os orbitais à expansão CI, o que é particularmente importante para sistemas com diversas configurações eletrônicas. Essa função de onda é construida via otimização variacional do Hamiltoniano: E = min ⟨κ,C|Ĥ|κ,C⟩ ⟨κ,C|κ,C⟩ . (4.6) Apesar do uso de um FCI não ser operacional na maioria dos casos, o uso de apro- ximações via truncamento da expansão FCI pode ser útil e preciso. Nos primórdios dos cálculos CI, o truncamento das funções de onda era constrúıdo selecionando-se configurações individuais. Essa seleção era baseada na intuição f́ısica e em estimativas perturbativas. [4] Atualmente isso foi abandonado, uma vez que um número pequeno de configurações não descreve corretamente os efeitos da correlação eletrônica. Além 42 de 104 CAPÍTULO 4. MÉTODOS PÓS HARTREE-FOCK do mais, no estudo de superf́ıcies de energia potencial, a importância relativa das configurações muda ao longo da superf́ıcie. Os truncamentos modernos são baseados na seleção de classes de configurações como um todo. 4.2.1 Correlação estática e correlação dinâmica Primeiramente, é importante diferenciar a correlação estática da correlação dinâmica. Elas surgem no limite da dissociação molecular, relacionadas a degenerescência das configurações ligante e antiligante. A sobreposição de dois orbitais atômicos leva a formação de dois orbitais molecu- lares: o orbital molecular ligante e o orbital molecular antiligante. Um elétron que ocupa um orbital molecular ligante tem uma maior probabilidade de ser encontrado na região internuclear, já um elétron que ocupa um orbital molecular antiligante não contribui para formação da ligação qúımica. Isso significa que essas configurações não podem ser tratadas separadamente. Na região intermediária, a superposição de determinantes tem duplo propósito: conta- bilizar os efeitos da repulsão Coulombiana e das configurações próximas a degene- rescência. Com isso, uma distinção pode ser feita: a correlação estática surge entre as configurações próximas a degenerescência e a correlação dinâmica surge da repulsão Coulombiana. No tocante ao FCI, a correlação estática é tratada mantendo, na expansão trun- cada, as configurações dominantes da expansão FCI como também as configurações que são quase degeneradas com as configurações dominantes. A correlação dinâmica é tratada através da adição de configurações geradas pelas excitações (únicas, duplas, triplas,...) à função de onda. 43 de 104 CAPÍTULO 4. MÉTODOS PÓS HARTREE-FOCK 4.2.2 Complete Active Space Self-Consistent Field No tratamento da correlação estática, o conceito de orbitais ativos fazem um papel importante. O que se faz é particionar os MOs em três: ativos, inativos e secundários (virtuais). Os orbitais inativos são sempre duplamente ocupados e os orbitais virtu- ais desocupados. Os orbitais ativos tem ocupação variável: desocupados, únicamente ocupados ou duplamente ocupados. A expansão MCSCF que é obtida pela distri- buição dos elétrons ativos em todas as posśıveis maneiras entre os orbitais ativos é conhecida como complete active space (CAS) SCF. Note que, quando o espaço ativo comporta todos os orbitais do sistema, o FCI é recuperado; quando o espaço ativo está vazio, o CAS se reduz ao HF. De maneira padronizada pelos algoŕıtmos com- putacionais, os orbitais do core são tratados como inativos e os orbitais de valência como ativos. Embora esse método resulte em uma função de onda altamente flex́ıvel, essa não é muito precisa, uma vez que a correlação dinâmica não é levada em conta. 4.3 Multi-Reference Configuration Interaction Para recuperar a energia de correlação dinâmica, deve-se incluir na expansão CI to- das as configurações geradas da referência levando em conta as excitações eletrônicas. Por exemplo, levando em conta excitações únicas e duplas, as funções de onda são chamadas CISD. Os métodos CI partem apenas de uma configuração, o que os torna uma melhora do método HF, com funções de onda tipo HF como referência. Con- tudo as funções CASSCF podem também ser escolhidas como referência. Nesse caso teremos excitações de elétrons de todos os determinantes do CASSCF, o que nos leva ao Multi-Reference Configuration Interaction (MRCI). [4, 5] Cada configuração eletrônica corresponde a um único determinante, então esse método varre todas as configurações geradas via CASSCF, ou seja, traz um somatório a mais em cada deter- minante. O esforço computacional aumenta consideravelmente conforme o número de configurações inclúıdas, assim como a precisão nas funções. 44 de 104 CAPÍTULO 4. MÉTODOS PÓS HARTREE-FOCK A forma funcional do MRCI é: |C⟩ = ∑ j ∑ i C (j) i |i⟩(j), (4.7) onde i representam os determinantes do CASSCF e j são as excitações únicas, duplas, etc. de cada determinante. Os coeficientes C (j) i são obtidos minimizando-se a energia. Os algoritmos em geral tem como padrão o MRCISD, ou seja, ele trunca a ex- pansão nas excitações duplas. O custo computacional seria enorme para as excitações triplas serem levadas em conta. Felizmente há uma correção chamada correção de Davidson, que estima o quanto falta qualitativamente para se alcançar o resultado que seria alcançado caso as demais excitações fossem levadas em conta. Ou seja, o quanto as demais excitações influenciam no valor da energia e a um custo computa- cional baixo. 4.3.1 Correção de Davidson A função de onda CI é proporcional ao estado |ψCI⟩ = C0(|ψHF⟩+ |ψcorr⟩), (4.8) onde o supeŕındice corr se refere a correlação e C0 = 1√ 1 + ⟨ψcorr|ψcorr⟩ . (4.9) A energia de correlação pode ser escrita como a diferença Ecorr = ECI − EHF. (4.10) 45 de 104 CAPÍTULO 4. MÉTODOS PÓS HARTREE-FOCK Sendo assim, a energia de correlação (equação 4.10) pode ser corrigida pela equação Ecorr corrigida = Ecorr calculada(1− C2 0), (4.11) que é chamada correção de Davidson. 46 de 104 Caṕıtulo 5 Conjuntos de Bases Tão importante quanto o ńıvel de teoria é a qualidade das bases utilizadas nos cálculos computacionais. Os métodos ab initio foram e estão sendo desenvolvidos para resolver a equação de Schrödinger sem ajuda de dados experimentais, mas não são totalmente exatos. Uma das aproximações nesses métodos é a introdução de um conjunto de bases, expandindo uma função desconhecida em um conjunto de funções conhecidas. Esse procedimento não é uma aproximação apenas quando o conjunto de bases é completo, porém isso requer um número infinito de funções, o que se torna proibitivo computacionalmente. Na figura 5.1 (adaptada da referência [5]) pode-se analisar como os resultados melhoram conforme melhora-se a base. O resultado “exato”, isto é, o mais próximo do real, é obtido com o ńıvel de teoria mais rigoroso e o conjunto de base completo. CAPÍTULO 5. CONJUNTOS DE BASES - 6 V DZ V TZ V QZ V 5Z V 6Z ... HF CIS CISD CISDT CISDTQ ... FULL CI Resultado “Exato” Correlação Eletrônica Conjunto de Base � � � � � � � � � � � � � � � � �� Figura 5.1: Os resultados dos cálculos computacionais ficam mais precisos conforme melhora-se a base e o ńıvel de teoria. Note que essa figura não é um gráfico, mas um diagrama representativo. Adaptado da referência [5]. Dentre as funções de base (orbitais atômicos) existentes na literatura, duas delas recebem destaque: os orbitais tipo Slater (Slater Type Orbitals (STO)) e os tipo Gaussianas (Gaussian Type Orbitals (GTO)). 5.1 Orbitais tipo Slater Esses orbitais assumem forma conforme a relação abaixo: [5] χζ,n,l,m(r, θ, ϕ) = NYl,m(θ, ϕ)r n−1e−ζr, (5.1) 48 de 104 CAPÍTULO 5. CONJUNTOS DE BASES onde N é uma constante de normalização, Yl,m são os harmônicos esféricos e ζ um parâmetro que pode ser obtido de forma variacional com respeito a energia atômica total.[6] Esses tipos de orbitais são geralmente usados em átomos e moléculas diatômicas, pois estes precisam de alta precisão, e a forma exponencial garante rápida convergência. Nesse trabalho, porém, as funções usadas foram do tipo Gaussianas, conforme o padrão dos algoŕıtmos do pacote Molpro. 5.2 Orbitais tipo Gaussianas Esses orbitais são caracterizados pela forma χζ,n,l,m(r, θ, ϕ) = NYl,m(θ, ϕ)r 2n−2−le−ζr2 (5.2) de maneira semelhante aos STOs, sendo que a diferença principal se encontra no argumento da exponencial, que agora carrega um r2. Isso gera algumas consequências negativas a esses orbitais, sendo que a primeira delas é que o GTO fica com uma espécie de “declive” na região próxima aos núcleos, já o STO se comporta como uma “ponta”, ou uma derivada descont́ınua, nessa região. Portanto, os GTO não descrevem tão bem o comportamento do sistema próximo aos núcleos. A segunda consequência é que os GTOs tendem a zero muito rápido, o que gera uma função mal representada na região longe do núcleo. A terceira consequência é que para cada STO geralmente se necessita de 3 GTOs para se atingir uma certa precisão. Apesar desses pontos negativos para algumas propriedades, as integrais gaussianas são muito mais simples de serem calculadas computacionalmente e o seu uso é mais que compensado e portanto são escolhidas quase que universalmente em cálculos de estrutura eletrônica.[5] Na definição 5.2, quando 2n−2− l = 0 a GTO é do tipo s, quando 2n−2− l = 1 a GTO é do tipo p, quando 2n − 2 − l = 2 a GTO é do tipo d e assim por diante. 49 de 104 CAPÍTULO 5. CONJUNTOS DE BASES Portanto, as bases podem ser classificadas em relação ao seu tamanho. Um conjunto de base é dito ser de base mı́nima quando o número de funções usadas é o menor posśıvel: para o Hidrogênio (1s), por exemplo, a base mı́nima é uma função-s, já para o carbono (1s22s22p2) são necessárias pelo menos duas funções-s e uma função-p. Um dos meios de melhorar uma base é acrescentar funções além do mı́nimo necessário. Se um sistema, por exemplo o ĺıtio, que só precisa de 2 orbitais-s (1s2 e 2s), e um conjunto de funções-p (2px, 2py e 2pz) é adicionado, a base se torna mais precisa. Uma outra maneira de tornar um conjunto de base melhor é dobrando as funções de base, produzindo uma base tipo Double Zeta (DZ). Se triplicarmos o número de funções da base mı́nima, então teremos o Triple Zeta (TZ), e assim por diante, podendo ser extrapolado para um limite do conjunto de base completo (limite CBS). 5.3 Extrapolação para o Limite do Conjunto de Base Completo A extrapolação para o limite CBS sempre vale a pena ser feita devido a demonstração de que há melhoria nos valores de energia quando extrapolados. Detalhes avançados sobre métodos de extrapolação podem ser encontrados nas referências [6–8] e na seção 9.1. Os métodos de extrapolação geralmente utilizam duas bases, com os cardinais X = n e X = n + 1. Como nesse trabalho utilizam-se métodos teóricos diferentes, os métodos de extrapolação também devem ser diferentes, uma vez que os diferentes métodos teóricos convergem a taxas diferentes para o limite CBS. Para a energia HF calculada via CASSCF, utilizou-se o método de extrapolação da referência [7]: ECAS ∞ = EXi eβXi − EXj eβXj eβXi − eβXj , (5.3) 50 de 104 CAPÍTULO 5. CONJUNTOS DE BASES onde ECAS ∞ é o valor da energia extrapolada, EXi é a energia obtida com a base Xi e EXj com a base Xj. O valor de β para cada base está contido na tabela 1 da referência [7]. Para a extrapolação da energia de correlação dinâmica, utilizou-se (referência [6]): Edc X = Edc ∞ + A3 (X + α)3 + A5 (X + α)5 , (5.4) onde A5 = A0 5 + cAn 3 (5.5) com os valores de A0 5, c e n descritos na tabela I da referência [8]. Esse último método é chamado de uniform singlet- and triplet-pair extrapolation (USTE). No fim das contas, a energia total extrapolada é a soma da energia extrapolada CASSCF com a energia de correlação extrapolada. 51 de 104 Caṕıtulo 6 Teoria de Grupos A busca por simetrias e o uso delas se dá de maneira rotineira nas ciências naturais, uma vez que facilita na resolução da maioria dos problemas. Aqui serão discutidos de maneira bem resumida os importantes aspectos da teoria de grupos aplicada à f́ısica, a simbologia utilizada e os respectivos significados. Mais detalhes podem ser encontrados na referência [9]. Um grupo é um ente matemático formado por quatro regras básicas: 1. O produto de quaisquer dois elementos pertencentes ao grupo, deve pertencer ao grupo (o grupo é fechado sobre multiplicação); 2. A lei da associatividade permanece: A(BC) = (AB)C; 3. Há um elemento identidade E tal que: EA = AE = A; 4. Para cada elemento do grupo há um inverso A−1 tal que: AA−1 = A−1A = E. Um grupo segue uma tabela multiplicativa, conforme as operações de simetria acon- tecem. Exemplo do triângulo equilátero (ver figura 6.1): Seja A, B e C rotações por π radianos sobre os eixos que cortam os ângulos ao meio. D uma rotação de 2π/3 no plano do triângulo sentido horário e F anti-horário, e E pode ser uma rotação de 2π. Com isso pode-se construir a seguinte tabela multiplicativa: CAPÍTULO 6. TEORIA DE GRUPOS Tabela 6.1: Tabela multiplicativa do grupo do triângulo equilátero (D3). E A B C D F E E A B C D F A A E D F B C B B F E D C A C C D F E A B D D C A B F E F F B C A E D Figura 6.1: Esquema dos eixos de simetria para o triângulo equilátero. Essas operações podem ser descritas por matrizes de rotação. Em geral, os ele- mentos de um grupo podem ser representados por matrizes: o elemento A é repre- sentado pela matriz Γ(A). Se essa matriz não pode ser colocada em forma de bloco através de uma transformação de similaridade então ela é dita irredut́ıvel. Um elemento B é dito conjugado a A se B = XAX−1 e A = X−1BX onde X é algum elemento do grupo. A classe é o conjunto de todos os elementos conjugados uns dos outros. Sabe-se que o número de representações irredut́ıveis é igual ao número de classes. O caracter é definido pelo traço da matriz da representação irredut́ıvel. A tabela de caracteres é definida tendo as representações irredut́ıveis nas linhas, e cada classe numa coluna. Os elementos da tabela são os caracteres (traços). 53 de 104 CAPÍTULO 6. TEORIA DE GRUPOS Tabela 6.2: Tabela de Caracteres do grupo do triângulo equilátero (D3). C1 3C2 2C3 Γ(1) 1 1 1 Γ(2) 1 -1 1 Γ(3) 2 0 -1 A simbologia básica se dá com respeito aos grupos de simetria e as operações de simetria (operações que não alteram o formato da molécula). Um dos grupos mais famosos é o grupo de simetria Cn, ou seja, a rotação de 2π/n radianos no eixo de simetria. Por exemplo, C2 é uma rotação de π radianos (180◦) em um dos eixos de simetria da molécula, e quando n = 1 a simetria é a identidade E (não muda nada). A operação σ é a reflexão em um plano, sendo que quando o plano é perpendicular ao maior eixo de simetria de rotação da molécula, diz-se σv (reflexão no plano vertical) e quando o plano é paralelo a esse eixo diz-se σh (reflexão no plano horizontal). Uma outra simbologia vinda da teoria de grupos é com respeito ao momento angular. Os autovalores do operador momento angular L, que são |Λ| = 0, 1, 2, ... são simbolizados por, respectivamente, [S,P,D,...] para os átomos e os autovalores do operador momento angular Lz que são simbolizados por, respectivamente, [Σ, Π, ∆,...] para as moléculas lineares. A simetria de paridade é caracterizada (do alemão) pela letra g (gerade - par) e u (ungerade - ı́mpar) na parte inferior e do lado direito da letra grega. Os rótulos superiores e do lado direito, + e -, nos estados Σ dizem se a função de onda troca ou não o sinal quando refletida em um plano através do eixo internuclear. Do lado esquerdo e na parte superior, fica localizada a multiplicidade de spin (γ = 2S+1), identificando se o estado é um singleto (γ = 1), dubleto (γ = 2), tripleto (γ = 3) etc. Por exemplo: 2Σ+ g é um estado dubleto, com a componente z do momento angular igual a zero, com simetria σv e par. 54 de 104 Caṕıtulo 7 Metodologia Os métodos usados na construção de superf́ıcies de energia potencial geralmente são métodos teóricos de alto ńıvel do tipo MRCI, juntamente com o CASSCF. O motivo de usar esses métodos ao invés de outros se dá por várias razões, mas a principal delas é que os métodos tipo CI são métodos variacionais e isso tem uma importante implicação nos resultados, pois sabe-se com certeza que a energia obtida é sempre maior que a energia exata, ou seja, quanto menor for o resultado para a energia obtido, melhor será, pois esse nunca é menor que o exato. Isso não é verdade, por exemplo, para métodos do tipo coupled cluster (CC) que são perturbativos, pois nada garante que a energia obtida será sempre maior que o exato. O CC é um bom método e o CC with singles and doubles (CCSD) é conhecido como gold standard, porém o fato mencionado anteriormente traz consequências importantes uma vez que o objetivo é construir uma PES mais rigorosa e precisa posśıvel, essa incerteza de “a energia calculada está acima ou abaixo do exato?” não é bem vinda. Além disso, o CC é um método perturbativo de uma única referência, enquanto o MRCI é multirreferencial. Portanto, os métodos variacionais são preferidos e, além das qualidades descritas acima, o MRCI, justamente por ser multirreferencial, descreve as quebras de ligação melhor que o CC, sendo relevante nos estudos de dinâmica molecular. CAPÍTULO 7. METODOLOGIA A rigorosidade da base a ser usada na construção de uma PES pode ser definida mediante vários testes, todos usando CASSCF e MRCI. No prinćıpio pode ser usada uma base tipo VXZ com os cardinais X = 4 e X = 5 por exemplo, e então os resultados de ambas bases devem ser comparados, assim como o tempo de cálculo. Se a diferença no tempo de cálculo por ponto for razoavelmente baixa, a base maior deve ser escolhida para uso. Uma revisão bibliográfica deve ser feita previamente antes dos cálculos. Depen- dendo do sistema molecular, efeitos do tipo relativ́ıstico ou de core devem ser consi- derados nos cálculos. Para levar-se em conta os efeitos de core deve-se considerar não apenas os elétrons de valência interagindo, mas também os elétrons mais próximos do núcleo. Para fazer isso, deve-se usar uma base espećıfica e apropriada, como a correlation consistent polarized core–valence X zeta (cc-pCVXZ), onde o C significa core, ou augmented cc-pCVXZ, ou aug-cc-pCVXZ, ou simplesmente ACVXZ, onde usa-se funções difusas e leva-se em conta o efeito de core. [10] Para efeitos relativ́ısticos a referência [11] pode ser usada. Apesar do maior tempo gasto com os cálculos numéricos, os resultados dos cálculos das frequências de vibração podem ser melhores. Nesse tipo de trabalho a correção Douglas-Kroll-Hess de segunda ordem é utilizada. Essa correção é feita através de uma modificação no termo de 1 elétron (hi na equação 3.3) do Hamiltoniano eletrônico de Schrödinger, onde agora leva-se em conta o Hamiltoniano de Dirac, de forma que hi se torna [12, 13] hD = cα · p+ (β − 1)c2, (7.1) onde α é um vetor de 3 componentes, onde cada componente representa uma matriz de Dirac 4×4 que contém uma das matrizes de Pauli na diagonal secundária, β é uma matriz 4×4 diagonal com as entradas (1,1,-1,-1), p é o operador momento e c é a velocidade da luz. Isso foi feito por Douglas e Kroll em 1973 e maiores detalhes podem ser encontrados na referência 14. 56 de 104 CAPÍTULO 7. METODOLOGIA Uma vez que isso foi definido, os cálculos são realizados da seguinte maneira: 1. O sistema molecular ABC é dividido em canais, nesse caso 3, que são os canais A + BC, B + AC e C + AB (figura 7.1); 2. Calcular e modelar computacionalmente as curvas de energia potencial (poten- tial energy curves - PECs) das moléculas diatômicas AB, BC e AC em função da distância de separação (veja a seção 8.1.1); 3. Feito isso, um script é feito variando a distância (representada na figura por r1, r2 e r3) do átomo até o centro geométrico da molécula diatômica, por exemplo de 2 a 15 bohr, para um dado ângulo γ; 4. Então o ângulo γ também é variado de 0 a 180 graus, por exemplo de 10 em 10 graus; 5. Por fim, esse procedimento é repetido para outras distâncias R3, R2 e R1 de se- paração das diatômicas AB, BC e AC. Uma boa escolha é partir das distâncias de equiĺıbrio para cada molécula diatômica e em seguida realizar uma variação dessas distâncias de 0,2 em 0,2 Bohr para cima e para baixo. Uma comparação entre os resultados obtidos e dados experimentais pode ser feita quanto a profundidade do mı́nimo das PECs e a distância de equiĺıbrio através da equação a seguir, retirada da referência 15, para qualquer molécula do tipo AxByCz: ∆fH 0(AxByCz, 0K) = x∆fH 0(A, 0K) + y∆fH 0(B, 0K) + z∆fH 0(C, 0K)− ∑ D0, (7.2) onde ∆fH 0 é a entalpia de formação a 0 K e ∑ D0 são as energias de atomização. Essa equação pode ser simplificada para moléculas diatômicas, basta retirar o termo do lado direito da equação referente ao átomo retirado. A energia na distância de 57 de 104 CAPÍTULO 7. METODOLOGIA R1 R3R2 γ1 γ3 γ2 α3 α2 α1 r1 r3 r2 A B C Figura 7.1: Figura ilustrativa dos canais A+BC, B+AC e C+AB em uma molécula triatômica. equiĺıbrio é calculada da seguinte forma: V (2)(Re) = ∑ D0 + ω0 2 , (7.3) onde ω0/2 é a frequência de vibração do estado fundamental. Os valores experi- mentais das entalpias de formação a 0 K e das frequências podem ser obtidos na literatura e em sites como o NIST/JANAF (Referências 16 e 17). 58 de 104 Caṕıtulo 8 Descrição da Modelagem da Superf́ıcie de Energia Potencial Uma superf́ıcie de energia potencial tem um papel important́ıssimo na F́ısica Mo- lecular e Atômica. Técnicas para ajustar funções aos pontos ab initio com ótimas precisões são peças chave na f́ısico-qúımica teórica. Uma PES bemmodelada e precisa é necessária para cálculos de dinâmica molecular, uma vez que essa função energia potencial obtida via ajuste é inserida na equação de Schrödinger (equação 1.4). Com isso, métodos rigorosos foram e estão sendo desenvolvidos. [18–23]. 8.1 Double Many Body Expansion O Método Double Many Body Expansion (DMBE) [18] surge do método Many Body Expansion (MBE), [24] que é definido como: EAB...N(R) = ∑ E (1) I + ∑ V (2) IJ (RIJ) + ∑ V (3) IJK(RIJ , RJK , RKI) + ...+ V (n) AB...N(R), (8.1) onde o primeiro termo representa a energia do átomo I no estado em que é produzido pela remoção de I adiabaticamente do sistema AB...N . O segundo termo é a energia de dois corpos que depende da separação R entre os átomos I e J , e satisfaz a regra CAPÍTULO 8. DESCRIÇÃO DA MODELAGEM DA SUPERFÍCIE DE ENERGIA POTENCIAL que no limite de R → ∞ o termo se anula. O terceiro termo é a energia de três corpos, que depende das distâncias de separação do triângulo formado pelos átomos I, J,K, e também satisfaz a regra que se qualquer distância tender ao infinito, o potencial é nulo. E assim para os demais termos. Nesse caso, assume-se que apenas um estado é produzido para todos os fragmentos, e se isso não valer para algum sistema, então não haverá uma única forma para os potenciais nesse espaço de configurações. A maior utilidade desse método é quando essa série converge rapidamente, isso é, alguns termos de ordem maior podem ser desprezados, e quando formas funcionais simples são encontradas para os termos de maior ordem na expansão. Uma das vantagens é que há garantia do comportamento correto da molécula nos limites de dissociação na superf́ıcie de energia potencial constrúıda (um requerimento essencial nos estudos de dinâmica). Para se obter um melhor entendimento das forças intermoleculares, é razoável pensar na energia como sendo composta da energia obtida pelo método HF, somada as energias de correlação: EAB...N(R) = EAB...N,HF (R) + EAB...N,corr(R). (8.2) Dessa maneira, todas as excitações posśıveis são levadas em conta, desde excitações single de um átomo até excitações múltiplas. A energia HF contém a energia de Coulomb e a energia de troca (obtida na mecânica quântica).[18] As energias de correlação podem ser divididas entre ener- gia intra-atômica, que surgem de excitações múltiplas de um átomo, energia inte- ratômica, que é a energia de dispersão em longas distâncias, e a energia intra-inter, que surge dos acoplamentos das duas formas de energia anteriores. Essa partição dupla na energia pode ser aplicada ao MBE, formando o DMBE (tabela 8.1). 60 de 104 CAPÍTULO 8. DESCRIÇÃO DA MODELAGEM DA SUPERFÍCIE DE ENERGIA POTENCIAL V (2) IJ (RIJ) = V (2) IJ,HF (RIJ) + V (2) IJ,corr(RIJ) V (3) IJK(RIJ , RJK , RKI) = V (3) IJK,HF (RIJ , RJK , RKI) + V (3) IJK,corr(RIJ , RJK , RKI) ... ... ... V (n) AB...N(R) = V (n) AB...N,HF (R) + V (n) AB...N,corr(R) Tabela 8.1: Double Many Body Expansion da energia molecular. Algumas das vantangens do método DMBE sobre o MBE é que espera-se diferen- tes taxas de convergência do MBE nas pequenas e grandes distâncias, onde o termo HF domina e onde o termo de dispersão domina, respectivamente. Outra vantagem é que os termos de energia HF e de dispersão tem diferentes dependências funcionais, ambos deriváveis de argumentos f́ısicos. Além disso, é permitido uma boa descrição da superf́ıcie de potencial em distâncias intermediárias, onde os cálculos ab initio podem ser substancialmente caros. Por fim, esse método segue as idéias da qúımica quântica ao particionar a energia de interação, além de cada termo ter um significado f́ısico. De acordo com o método DMBE [18–21], uma PES assume a forma V (R) = 3∑ i=1 V (2) i (Ri) + V (3) EHF(R) + V (3) dc (R), (8.3) onde V (2) i (Ri) representa o termo de energia de dois corpos, V 3 EHF(R) a energia de três corpos de Hartree-Fock extendida (EHF) e V (3) dc (R) é a energia de correlação dinâmica de três corpos. 8.1.1 O Termo de Dois Corpos As curvas de energia potencial podem ser modeladas usando o Extended Hartree- Fock Approximate Correlation Energy model for 2-body interactions with inclusion of the united atom limit [25](EHFACE2U), um caso particular do Extended Hartree- Fock Approximate Correlation Energy [25](EHFACE), com os parâmetros sendo de- 61 de 104 CAPÍTULO 8. DESCRIÇÃO DA MODELAGEM DA SUPERFÍCIE DE ENERGIA POTENCIAL terminados via ajuste (fitting) aos pontos ab initio. Esse modelo assume a forma geral [19, 25] V (2)(R) = V (2) EHF(R) + V (2) dc (R), (8.4) onde o rótulo EHF se refere a energia do tipo Hartree-Fock Extendido e o rótulo dc se refere a energia de correlação dinâmica. Essa última pode ser modelada semi- empiricamente como [26] V (2) dc (R) = − ∑ n=6,8,10 χn(R)CnR −n, (8.5) onde os valores de Cn são retirados das bibliografias dispońıveis, e χn(R) é uma função dependente da distância que assume a forma χn(R) = [ 1− exp ( −An R ρ −Bn R2 ρ2 )]n . (8.6) Na equação (8.6), An e Bn são funções auxiliares definidas como An = α0n −α1 (8.7) Bn = β0 exp(−β1n), (8.8) onde α0, β0, α1 e β1 são parâmetros universais adimensionais. ρ é um parâmetro de escalamento. O primeiro termo, V (2) EHF(R), pode ser definido como V (2) EHF(R) = −D R ( n∑ i=0 air i ) exp [−γ(r)r] , (8.9) onde γ(r) = γ0 [1− γ1 tanh (γ2r)], r = R−Re, em queRe é a distância de equiĺıbrio do potencial (que pode ser obtida experimentalmente) e D, {ai} e {γi} são parâmetros ajustáveis que podem ser obtidos por métodos de mı́nimos quadrados. Por sua vez o método EHFACE2U tem sido amplamente utilizado para a construção de potenciais 62 de 104 CAPÍTULO 8. DESCRIÇÃO DA MODELAGEM DA SUPERFÍCIE DE ENERGIA POTENCIAL diatômicos rigorosos em moléculas. 8.1.2 O Termo de Três Corpos O termo de energia de três corpos extended Hartree-Fock é obtido subtraindo-se da energia total CBS/MRCI os termos de dois corpos e a energia de atomização. Com isso, os pontos ab initio são modelados numericamente através de um polinômio cuja forma é dada por [27] V (3) EHF(R) = n∑ α=1 Pα(R1, R2, R3) 3∏ i=1 {1− tanh[γi,α(Ri −Rref i,α)]}, (8.10) onde Pα(R1, R2, R3) é um polinômio de ordem α. Na sexta ordem, ele assume a forma Pα(R1, R2, R3) =c1 + c2Q1 + c3Q3 + c4Q 2 1 + c5S 2 2a + c6Q1Q3 + c7S 2 2b + c8Q 3 1+ c9Q1S 2 2a + c10S 3 3 + c11Q 2 1Q3 + c12Q1S 2 2b + c13Q3S 2 2a + c14Q 4 1+ c15Q 2 1S 2 2a + c16S 4 2a + c17Q1S 3 3 + c18Q 3 1Q3 + c19Q 2 1S 2 2b+ c20Q1Q3S 2 2a + c21Q3S 3 3 + c22S 2 2aS 2 2b + c23Q 5 1 + c24Q 3 1S 2 2a+ c25Q1S 4 2a + c26Q 2 1S 3 3 + c27S 2 2aS 3 3 + c28Q 4 1Q3 + c29Q 3 1S 2 2b+ c30Q 2 1Q3S 2 2a + c31Q1Q3S 3 3 + c32Q1S 2 2aS 2 2b + c33Q3S 4 2a+ c34S 2 2bS 3 3 + c35Q 6 1 + c36Q 4 1S 2 2a + c37Q 2 1S 4 2a + c38Q 3 1S 3 3+ c39Q1S 2 2aS 3 3 + c40S 6 2a + c41S 6 3 + c42Q 5 1Q3 + c43Q 4 1S 2 2b+ c44Q 3 1Q3S 2 2a + c45Q 2 1Q3S 3 3 + c46Q 2 1S 2 2aS 2 2b + c47Q1Q3S 4 2a+ c48Q1S 2 2bS 3 3 + c49Q3S 2 2aS 3 3 + c50S 4 2aS 2 2b, (8.11) onde S2 2a = Q2 2 + Q2 3, S 2 2b = Q2 2 − Q2 3 e S3 3 = Q3 3 − 3Q2 2Q3, com Qi (i = 1 − n) são coordenadas de simetria que são definidas para o polinômio de ordem α por 63 de 104 CAPÍTULO 8. DESCRIÇÃO DA MODELAGEM DA SUPERFÍCIE DE ENERGIA POTENCIAL  Q1,α Q2,α Q3,α  =  √ 1 3 √ 1 3 √ 1 3 0 √ 1 2 − √ 1 2√ 2 3 − √ 1 6 − √ 1 6   R1 −Rref 1,α R2 −Rref 2,α R3 −Rref 3,α  . (8.12) Essas coordenadas de simetria e essa matriz com os coeficientes em forma de ráız qua- drada são extráıdos das formas funcionais matemáticas da teoria de grupos, levando em conta a simetria da molécula estudada. O termo de três corpos de correlação dinâmica pode ser calculado pelos coefici- entes de dispersão dos diferentes subsistemas atomo-diátomo. Este assume a forma V (3) dc (R) = 3∑ i=1 ∑ n f1(R)χn(ri)C (i) n (Ri, θi)r −n i , (8.13) onde i representa o canal A-BC associado com a separação do centro de massa ri; Ri é a distância de ligação do diátomo e θi o ângulo interno que pode ser definido como cos θi = r⃗i · R⃗i/|r⃗i · R⃗i|. Para mais detalhes, veja a figura 7.1. A função f(R) deve valer 1 quando Ri = Re i e ri → ∞, e 0 quando Ri → ∞. Esta pode ser definida como fi(R) = 1 2 {1− tanh[ξ(ηsi − si+1 − si+2)]}, (8.14) onde si = Ri −Re i e o sub-́ındice i realizam uma permutação ćıclica sobre os valores 1, 2 e 3, nessa ordem. η e ξ são constantes escolhidas para garantir o comportamento assintótico e χn(ri) é definida como a equação 8.6. Por fim, C (i) n (Ri, θi) são os coeficientes de dispersão do átomo-diátomo, dados por C(i) n (Ri, θi) = ∑ L CL n (Ri)PL(cos θi), (8.15) sendo PL(cos θ) os polinômios de Legendre. 64 de 104 Caṕıtulo 9 Resultados Obtidos 9.1 Método de Extrapolação da Correlação Dinâmica Um dos objetivos iniciais deste trabalho é a construção de uma superf́ıcie de ener- gia potencial global para o sistema molecular HCO. Com o trabalho em estágio avançado, porém, uma publicação foi feita em 2022 [28]. O trabalho publicado contém teoria similar a teoria usada neste trabalho. Por consequência, foi-se pen- sado em uma melhora no tratamento dos dados propondo um novo método de ex- trapolação da energia de correlação dinâmica. Sabe-se que a as taxas de convergência para o limite CBS são diferentes para di- ferentes teorias. Até os mais recentes dados bibliográficos, o único método de extra- polação proposto especificamente para energia de correlação dinâmica é o USTE [29]. Este método tem sido usado com sucesso para produzir superf́ıcies de energia poten- cial precisas [30, 31] ao usar números cardinais altos na extrapolação. No entanto, os resultados para os conjuntos de bases com números cardinais baixos, como os de qua- lidade dupla- e tripla-zeta, os valores extrapolados podem ser pobres em comparação com extrapolações feitas com bases maiores. Além disso, como consequência da me- todologia utilizada para determinação dos parâmetros USTE [29], a extrapolação não possui solução anaĺıtica, o que pode ser inconveniente em alguns casos. Finalmente, CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS o esquema USTE não está preparado para extrapolar tanto a energia de correlação dinâmica obtida através do método MRCI-F12 explicitamente correlacionado quanto a energia de correlação dinâmica obtida usando conjuntos de base core-correlated. O embasamento teórico para a extrapolação da energia de correlação é baseado na expansão de Schwartz, que pode assumir a forma assintótica [32, 33] ∆El = a4 ( l + 1 2 )−4 + a5 ( l + 1 2 )−5 + a6 ( l + 1 2 )−6 + . . . . (9.1) A equação (9.1) é válida para grandes valores de l e fornece o incremento da energia de correlação quando se adiciona um conjunto completo de funções de um momento angular l (veja as referências 32–35 para detalhes). Assim, é posśıvel descobrir esse erro ao omitir todas as funções de l > L, i.e., δEL = EL − E∞ onde EL = L∑ l=0 ∆El, (9.2) e δEL = − ∞∑ l=L+1 ∆El (9.3) no limite onde L é muito grande, tem-se δEL ≈ − ∫ ∞ L+ 1 2 ∆Eldl (9.4) e então, δEL(L) = A3(L+ 1)−3 + A4(L+ 1)−4 + A5(L+ 1)−5 + . . . , (9.5) onde An são constantes. Assim, conhecendo EL e as constantes An, então E∞ pode ser obtido através da relação EL = E∞ + A3(L+ 1)−3 + A4(L+ 1)−4 + A5(L+ 1)−5 + . . . . (9.6) 66 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS Considerando a estrutura dos conjuntos de base hierárquico, como a série de Dunning [36, 37] (veja a referência [38] para outras bases), o mais alto momento angular é L = X + 1 para H e He e L = X para os outros elementos da Tabela Periódica. Os conjuntos de bases gaussianas finitas usados nos cálculos de estrutura eletrônica não possuem o momento angular L (ou X + α) saturado de funções, implicando em uma incerteza nos valores de X. Então, truncando a equação (9.6), a energia de correlação é escrita como Ecor x = Ecor ∞ + A3 x3 , (9.7) onde x é chamado de número hierárquico, geralmente tem valor próximo do cardinal X, que define a qualidade do conjunto de base. Os números hierárquicos são definidos a partir dos valores médios obtidos para um conjunto de sistemas, conforme referência 39. Além disso, os valores de x dependem dos métodos correlacionados, pois a taxa de convergência da energia de correlação para o limite CBS não é necessariamente a mesma para dois ńıveis diferentes [39] (tipo MPn ou CC, por exemplo). Usando as energias de correlação dinâmica obtidas e a equação 9.7, um novo conjunto de números hierárquicos pode ser obtido. Esta equação pode ser reescrita e o trabalho é resolver um conjunto de equações da seguinte forma [40]: 0 = −Ecor ∞ + Ecor X2 + xα1 xα2 − xα1 (Ecor X2 − Ecor X1 ) (9.8) 0 = −Ecor ∞ + Ecor X3 + xα2 xα3 − xα2 (Ecor X3 − Ecor X2 ) 0 = −Ecor ∞ + Ecor X4 + xα3 xα4 − xα3 (Ecor X4 − Ecor X3 ) ... onde α = 3 para ambas bases convencionais e de correlação expĺıcita. Para calibrar os números hierárquicos, foram usados 18 sistemas moleculares teste: HCN, CH2, H2CO, CH4, CO, CO2, C2H2, C2H4, F2, H2O, H2O2, HF, HFO, HNO, O3, N2, N2H2 e NH3, nomeados na tabela 11.2 do apêndice 11.2. Em um 67 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS primeiro momento, as energias USTE(5,6) foram escolhidas como referência para conjuntos de bases sem a correlação de core e USTE(Q,5) para conjuntos de base core-correlated. Para uma metodologia livre de correções emṕıricas e, uma vez que algumas das energias de correlação calculadas na base V5Z-F12 foram superiores ao valor extrapolado USTE(5,6), um fator de escalamento η = 1, 0015 foi aplicado na forma η · Ecor ∞ na equação 9.7. Isso permitiu que mais sistemas moleculares fossem considerados no esquema de cálculo dos números hierárquicos. Para os conjuntos de base core-correlated isso não foi necessário e, portanto, η = 1.0 foi utilizado, ou seja, para as bases ACVXZ e CVXZ-F12 não houve um fator de escalamento associado a energia de referência USTE(Q,5). Os novos números hierárquicos, denotados por x = (d, t, q, p, h), são médias es- tat́ısticas dos valores obtidos resolvendo o sistema de equações 9.8 para cada sistema molecular. O erro médio quadrático (Root Mean Square Deviation - RMSD) foi calculado tomando o valor médio (x̃) como referência: RMSD = ( 1 N N∑ i=1 (xi − x̃)2 )1/2 . (9.9) Uma tabela com todos os números hierárquicos calculados (tabela 9.1) pode ser comparada com números hierárquicos dispońıveis na literatura para outros métodos teóricos, usando outros métodos de extrapolação, na tabela 9.2. Para as bases AVXZ, os números hierárquicos calculados são os mesmos das bases VXZ. Tabela 9.1: Números hierárquicos calculados neste trabalho via método MRCI para bases convencionais e de correlação expĺıcita. # Cardinal # Hierárquico ACVXZ CVXZ-F12 VXZ VXZ-F12 D d 2.06 ± 0.03 2.28 ± 0.09 2.11 ± 0.11 2.17 ± 0.10 T t 2.95 ± 0.01 2.94 ± 0.15 2.96 ± 0.07 2.94 ± 0.09 Q q 4.02 ± 0.04 3.36 ± 0.19 3.97 ± 0.07 3.98 ± 0.13 5 p 5.07 ± 0.05 - 5.02 ± 0.16 4.76 ± 0.27 6 h - - 5.98 ± 0.18 - 68 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS Tabela 9.2: Números hierárquicos dispońıveis na literatura para outros ńıveis teóricos. # Cardinal # Hierárquico HFa CASSCFa tipo MPb tipo CCb CCSD(T)-F12c D d 2.08 2.08 2.13 1.91 3.63 ± 0.12 T t 2.96 2.94 2.90 2.71 5.35 ± 0.20 Q q 3.87 3.87 3.78 3.68 8.11 ± 0.51 5 p 5.07 5.08 4.74 4.71 11.59 ± 0.50 6 h 6.12 6.13 5.72 5.7 - a) referência 40; b) referência 39; c) referência 41. Os resultados obtidos foram testados comparando-os com o tradicional método de extrapolação USTE(x1, x2) para cada par de extrapolação e estão dispońıveis nos gráficos e tabelas a seguir. O RMSD possui a mesma forma da definição 9.9, porém os valores xi e x̃ nesse caso são as energias extrapoladas, já em kcal·mol−1. Além dos 18 sistemas moleculares selecionados para a calibração dos números hierárquicos, alguns cálculos foram feitos em outros sistemas: H2, FNO, N2O, HNCO, CN2H2, C2H2O, H3CF, H3CN, N2H2 e OHNO, nomeados na tabela 11.2 do apêndice 11.2. Esses resultados são mostrados no gráfico 9.2 e na tabela 9.4. Tais cálculos extras foram feitos apenas nas bases de qualidade VXZ (para X = D,T,Q e 5) e VXZ-F12 (para X = D e T). 69 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS 0 1 2 3 (d,t) (t,q) (q,p) (p,h) (d,q) (t,p) (d,h) (t,h) (q,h) (d,p) VDZ-F12VTZ-F12VQZ-F12V5Z-F12 R M S D /k c a l m o l− 1 Par de extrapolação 4 5 RMSD da extrapolação da energia de correlação dinâmica para a base VXZ Este trabalho USTE Energia não extrapolada Figura 9.1: RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE por barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. Tabela 9.3: RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de qualidade VXZ. Par USTE Este trabalho (d,t) 2.08 1.79 (t,q) 0.32 0.56 (q,p) 0.10 0.09 (p,h) 0.32 0.03 (d,q) 0.61 0.92 (t,p) 0.11 0.24 (d,h) 0.19 0.24 (t,h) 0.15 0.12 (q,h) 0.16 0.04 (d,p) 0.28 0.44 70 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS 0 1 2 3 (d,t) (t,q) (q,p) (p,h) (d,q) (t,p) (d,h) (t,h) (q,h) (d,p) (d,t)-F12 VDZ-F12 VTZ-F12 R M S D /k c a l m o l− 1 Par de extrapolação 4 5 RMSD da extrapolação da energia de correlação dinâmica para a base VXZ e VXZ−F12 Este trabalho USTE Energia não extrapolada Figura 9.2: RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência, para sistemas fora dos 18 sistemas teste. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. Tabela 9.4: RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para as bases de qualidade VXZ e VXZ-F12 fora dos 18 sistemas teste. Par USTE Este trabalho (d,t) 4.30 3.46 (t,q) 1.64 1.69 (q,p) 0.99 0.99 (p,h) 0.39 0.02 (d,q) 1.30 1.49 (t,p) 0.48 0.53 (d,h) 0.11 0.19 (t,h) 0.33 0.28 (q,h) 0.48 0.42 (d,p) 0.37 0.34 (d,t)-F12 1.39 0.95 71 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS 0 1 2 3 (d,t) (t,q) (q,p) (p,h) (d,q) (t,p) (d,h) (t,h) (q,h) (d,p) VDZ-F12VTZ-F12VQZ-F12V5Z-F12 R M S D /k c a l m o l− 1 Par de extrapolação 4 5 RMSD da extrapolação da energia de correlação dinâmica para a base AVXZ Este trabalho USTE Energia não extrapolada Figura 9.3: RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. Tabela 9.5: RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de qualidade AVXZ. Par USTE Este trabalho (d,t) 1.75 1.76 (t,q) 0.30 0.44 (q,p) 0.06 0.16 (p,h) 0.32 0.04 (d,q) 0.61 0.83 (t,p) 0.12 0.22 (d,h) 0.26 0.23 (t,h) 0.18 0.12 (q,h) 0.21 0.08 (d,p) 0.29 0.40 72 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS 0 1 2 3 (d,t) (t,q) (q,p) (d,q) (t,p) (d,p) VDZ-F12 VTZ-F12 VQZ-F12 V5Z-F12 R M S D /k c a l m o l− 1 Par de extrapolação 4 5 RMSD da extrapolação da energia de correlação dinâmica para a base VXZ−F12 Este trabalho USTE Energia não extrapolada Figura 9.4: RMSD tendo η·USTE(5,6) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases VXZ-F12 estão da referência. Tabela 9.6: RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(5,6) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de correlação expĺıcita VXZ-F12. Par USTE Este trabalho (d,t) 0.85 0.50 (t,q) 0.08 0.08 (q,p) 0.18 0.25 (d,q) 0.29 0.12 (t,p) 0.11 0.13 (d,p) 0.18 0.13 73 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS 0 1 2 3 (d,t) (t,q) (q,p) (d,q) (t,p) (d,p) CVDZ-F12 CVTZ-F12 CVQZ-F12 R M S D /k c a l m o l− 1 Par de extrapolação 7 8 RMSD da extrapolação da energia de correlação dinâmica para a base ACVXZ Este trabalho USTE Energia não extrapolada Figura 9.5: RMSD tendo USTE(Q,5) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases CVXZ-F12 estão da referência. Tabela 9.7: RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(Q,5) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para bases de qualidade core-correlated ACVXZ. Par USTE Este trabalho (d,t) 8.36 1.29 (t,q) 1.33 0.43 (q,p) 0.00 0.06 (d,q) 3.07 0.61 (t,p) 0.49 0.17 (d,p) 1.36 0.29 74 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS 0 1 2 3 (d,t) (t,q) (d,q) CVDZ-F12 CVTZ-F12 CVQZ-F12 R M S D /k c a l m o l− 1 Par de extrapolação 7 8 RMSD da extrapolação da energia de correlação dinâmica para a base CVXZ−F12 Este trabalho USTE Energia não extrapolada Figura 9.6: RMSD tendo USTE(Q,5) como referência. Este trabalho está representado por barras vermelhas e o método USTE em barras azuis. Barras verdes representam o quão longe os valores da energia de correlação dinâmica não extrapolados nas bases CVXZ-F12 estão da referência. Tabela 9.8: RMSD em kcal·mol−1, tendo η·USTE(Q,5) como referência, da energia de correlação dinâmica dos pares de extrapolação para base de correlação expĺıcita core-correlated CVXZ-F12. Par USTE Este trabalho (d,t) 2.25 1.26 (t,q) 1.45 0.67 (d,q) 1.68 0.66 75 de 104 CAPÍTULO 9. RESULTADOS OBTIDOS Como pode ser visto nos gráficos e tabelas anteriores, para os conjuntos de base convencionais de qualidade VXZ, o par de extrapolação (d,t) apresenta um melhor resultado em comparação com o USTE, e os demais pares de extrapolação apresentam resultados semelhantes. Para conjuntos de base aumentados AVXZ, os resultados são similares para todos os pares entre este trabalho e USTE, sendo que o par (d,t) apresentam RMSD ≈ 1.7 kcal·mol−1 e os demais pares tem RMSD < 1 kcal·mol−1 distantes da referência (energia extrapolada via η·USTE(x1,x2) para os mais altos cardinais dispońıveis em cada base). Para bases de correlação expĺıcita de qualidade VXZ-F12, todos os resultados mostram que o RMSD dos pares de extrapolação são < 1 kcal·mol−1 distantes da referência, e o par d