UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Filogeografia de Terpides sooretamae Boldrini & Salles (Ephemeroptera: Leptophlebiidae) Evandro Apolinario Rizzi Vitória, ES Março, 2016 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Filogeografia de Terpides sooretamae Boldrini & Salles (Ephemeroptera: Leptophlebiidae) Evandro Apolinario Rizzi Orientador: Prof. D. Sc. Frederico Falcão Salles Co-orientadora: Prof.ª D. Sc. Roberta Paresque Dissertação submetida ao Programa de Pós- Graduação em Ciências Biológicas (Biologia Animal) da Universidade Federal do Espírito Santo como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Biologia Animal. Vitória, ES Março, 2016 Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Rizzi, Evandro Apolinario, 1989- R627f Filogeografia de Terpides sooretamae Boldrini & Salles (Ephemeroptera: Leptophlebiidae) / Evandro Apolinario Rizzi. – 2016. 78 f. : il. Orientador: Frederico Falcão Salles. Coorientador: Roberta Paresque. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais. 1. Dispersão. 2. Fluxo gênico. 3. Diversidade biológica. 4. Filogeografia. I. Salles, Frederico Falcão. II. Paresque, Roberta. III. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Ciências Humanas e Naturais. IV. Título. CDU: 57 “Em algum lugar, alguma coisa incrível está esperando para ser conhecida. ” (Carl Sagan) AGRADECIMENTOS Não consigo imaginar em como seria elaborar qualquer tipo de trabalho acadêmico absolutamente sozinho. Apesar de sua natureza individual, uma dissertação é o resultado de um trabalho de várias mãos: colaborações, dicas, empréstimo/doação de material, até mesmo apoio emocional, entre outros. Neste momento em que escrevo, o sentimento que me veio foi de gratidão sincera. Se por acaso algum nome for omitido, peço mil desculpas. Mas quero deixar aqui a certeza de que eu dedico um “muito obrigado” a cada um que acreditou e me apoiou neste projeto, direta ou indiretamente. Em primeiro lugar à minha família, pela paciência e apoio dados durante esses dois anos de mestrado, na pessoa de minha mãe, Alba, e de Jacimara e Pedro, minha irmã e meu cunhado. E às crianças Yasmin e Miguel, meus dois sobrinhos: eles me fizeram rir e me sentir criança em vários momentos. Kids, o tio Evandro ama vocês! Àqueles que me ajudaram na minha estadia em Vitória no primeiro semestre de curso: meu tio Antônio e sua esposa, Jerusa, que me acolheram nos momentos em que precisei ir à “Ilha do Mel”, incluindo as provas de seleção, matrícula e os primeiros dias de aula. Ao Sr. Edson Scárdua (Edinho) e esposa, que dispuseram de seu precioso tempo várias vezes para me ajudar a resolver problemas rotineiros na capital capixaba. Ainda em Vitória, agradeço aos novos amigos que fiz por lá, em especial ao Cristiano Caliman e à Mariana Santolin. Obrigado por me apresentarem aos agitos da noite capixaba, pelas conversas, pelos jogos do Brasil na Copa do Mundo, pelos filmes cult no Cine Jardins e, principalmente, por me orientarem quando eu precisava ir ao labirintoso bairro de Jardim da Penha! (risos) Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas – Biologia Animal (PPGBAN-UFES), de maneira especial àqueles que contribuíram com minha formação nas disciplinas e nas apresentações de Seminários. O que aprendi com todos vocês contribuiu de maneira significativa não só para melhorar cada vez mais meu projeto de pesquisa, mas também para minha formação intelectual como biólogo. Aos colegas da turma 2014/1, pelos vários momentos que passamos: nas disciplinas, nas apresentações de Seminários (um tentando acalmar o outro, é verdade...) e na Zoologia de Campo, na Estação Biológica de Santa Lúcia em Santa Teresa/ES. Pena que não foi muito tempo, pois em maior parte fiquei em São Mateus para desenvolver o projeto de mestrado; mas tenho certeza que fiz amigos, e espero que possamos nos contatar mais vezes no futuro. Aos servidores do SIP – Secretaria Integrada dos Programas de Pós-Graduação, Centro de Ciências Humanas e Naturais/UFES – pelo apoio com as questões burocráticas do curso, em especial ao Ariel Sessa, sempre muito cordial e diligente, e ao coordenador do PPGBAN, Prof. D. Sc. Sérgio Lucena Mendes. Também à equipe da SUPGRAD – Secretaria Única de Pós-Graduação, Centro Universitário Norte do Espírito Santo/UFES – que me ajudou bastante com os mesmos assuntos no Campus de São Mateus. Aos professores D. Sc. Ana Paula C. Farro e D. Sc. Vander Calmon Tosta, por cederem o Laboratório de Genética e Conservação Animal (LGCA-Ceunes/UFES) para os meus experimentos, e à então técnica do LGCA, M. Sc. Geórgia de Brito V. Félix. À Téc. Eliane Gonçalves Pina (Laboratório de Biologia Celular e Genética - CEUNES/UFES) pelo suporte dado quando da utilização da autoclave para esterilização do material de laboratório. À equipe do Núcleo de Genética Aplicada à Conservação da Biodiversidade (NGACB- UFES), na pessoa dos seus responsáveis, os professores D. Sc. Yuri Luiz Reis Leite, D. Sc. Leonora Pires Costa e D. Sc. Valéria Fagundes, e da bióloga M. Sc. Juliana de Freitas Justino. Nessas oportunidades, tive o auxílio da Marina Monjardim, que me ajudou nas demais ocasiões em que precisei e acabou se tornando mais uma amiga que fiz durante o mestrado. Ao Prof. D. Sc. Lucas Lima (UESPI), por me acompanhar nas minhas coletas em Pernambuco e Alagoas, ao seu orientador na época, o Prof. D. Sc. Ulisses Pinheiro, por me acolher em seu Laboratório de Porifera (LABPOR-UFPE), onde realizei a identificação dos indivíduos recém coletados, e aos seus alunos, que me receberam como um verdadeiro colega. Agradeço ainda à M. Sc. Fabiana C. Massariol (UFES), minha colega no LabSEI, por me acompanhar nas coletas na região sul do Espírito Santo. Ao Prof. D. Sc. Rafael Boldrini (UFRR) pela doação de espécimes de Terpides e Fittkaulus da região Norte, ao M. Sc. Leandro Brasil (UNEMAT) pela doação dos espécimes do Mato Grosso, e ao M. Sc. Fábio Henrique da Silva (UFES) pelos espécimes de Mato Grosso do Sul e pelas informações sobre a região amostrada. Ao geólogo Marx Engel Martins (UFES), pela disponibilidade em trabalhar na elaboração do mapa de ocorrência. Aos colegas do Laboratório de Sistemática e Ecologia de Insetos (LabSEI- Ceunes/UFES) pela convivência no dia-a-dia da pesquisa acadêmica, pelas conversas, cafezinhos, até mesmo pelas discussões (não poucas). Quero agradecer a um trio, que junto comigo formou uma “panelinha”: Keyla Cruz, Taís Almeida e Rayner Paresqui, vocês são especiais! Muito obrigado por todos os momentos, dentro ou fora do laboratório, em que conversamos, rimos (mas rimos muito!), discutimos projetos, falamos da vida, do mundo e tudo o mais. Nossa amizade vai bem além do mestrado, tenham certeza disso! E por falar em pessoas especiais, quero dedicar um “muito obrigado” a um certo casal por me fazer parte de sua vida, chamando-me para ser seu padrinho de casamento: ao Murilo Pereira do Nascimento, pela amizade e por encontrar em São Mateus alguém que também curte poucas palavras e um bom hard rock (risos). E à Cris (M. Sc. Cristiane Alves da Silva do Nascimento – UFES) agradeço não apenas pela ajuda com a elaboração de mapas, mas também por ser minha grande amiga desde a graduação, no Ceunes/UFES. À M. Sc. Jeane M. C. do Nascimento e ao M. Sc. Patrik Barcelos (INPA – Manaus/AM), também amigos dos tempos de graduação. Mesmo na distante Manaus, a Jê, como gosto de chamá-la, me chamava no chat para saber de mim e dava dicas de Filogeografia, além de me fazer dar boas risadas. Obrigado, meus amigos (quase) manauaras! ÉGUA, MANO! ... Aos professores membros da banca avaliadora, pela disposição em ler e colaborar para a qualidade desta dissertação. Às agências financiadoras deste projeto: à CAPES pela bolsa do Programa de Demanda Social e pelo auxílio PROAP. À FAPES, com o edital Biodiversidade do Espírito Santo, projeto “Diversidade e Taxonomia de Insetos Aquáticos na Porção Capixaba da Bacia do Rio Doce”. Ao CNPq, com o edital Universal: “Sistemática e taxonomia de Leptophlebiidae Neotropical (Insecta: Ephemeroptera): um estudo integrando dados moleculares e morfológicos”. E a melhor parte ficou para o final. Meus últimos agradecimentos vão para duas pessoas que foram de primordial importância para a realização deste trabalho: À Prof.ª D. Sc. Roberta Paresque, minha co-orientadora: mal a conhecia pessoalmente quando comecei o mestrado, mas já “considerava pacas” (risos). Desde a graduação, sempre que ia a Vitória ouvia falar muito bem da Roberta, como também tive a oportunidade de assistir a uma palestra sua em evento organizado pelo curso, até que se tornou minha grande colaboradora na pós-graduação. Muito obrigado pela atenção dispensada, em ocasiões nas quais confesso que tive de deixar minha timidez de lado para poder ter sua ajuda sempre generosa na própria casa, em pleno feriado e por mais de uma vez, seja nos procedimentos laboratoriais, nas análises e na elaboração da versão final da dissertação. Roberta, meu muito obrigado! Ao Prof. D. Sc. Frederico Falcão Salles, meu orientador e grande amigo. Fred, desde o primeiro dia de aula na graduação vi que você seria um professor diferenciado dos outros. Conseguiu associar seu jeitão sério e calado, digno de um dos maiores especialistas em Ephemeroptera da atualidade, com uma aura de garotão jovem e “zuero” (inclusive, aposto que vai me “zuar” ao ler este agradecimento!). Obrigado pela aceitação em me orientar, mesmo com as primeiras negociações enquanto você estava em outro país, em conversas pela internet marcadas com a precisão dos relógios suíços. Obrigado pelos momentos difíceis no mestrado, nos quais você, com uma calma impressionante, me tranquilizava e me fazia enxergar uma luz no fim do túnel. Mas obrigado, mesmo, por tudo que aprendi contigo: olhando para trás, percebi que os Ephemeroptera sempre estiveram presentes na minha formação. E tudo isso foi graças a você! Espero que seja cada vez mais reconhecido, e não só pelo grande cientista que você se tornou, mas principalmente pela grandeza de espírito e pelo otimismo, tão necessários neste mundo frio e caótico no qual vivemos. Fred, muito obrigado! Nota à banca examinadora: as citações e referências deste trabalho seguirão as normas da revista Molecular Ecology. SUMÁRIO LISTA DE TABELAS .............................................................................................................. 1 LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................... 2 RESUMO ................................................................................................................................... 3 ABSTRACT .............................................................................................................................. 4 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 5 MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................................... 9 1. Amostras .......................................................................................................................... 9 2. Da extração de DNA ao sequenciamento .................................................................... 12 3. Análises .......................................................................................................................... 13 RESULTADOS ....................................................................................................................... 15 1. Testes de saturação ........................................................................................................... 15 2. AMOVA (Análise de Variância Molecular) .................................................................... 15 3. Descritores da variabilidade genética e composição das sequências ..................................... 20 4. Distância par-a-par (p-distance) .................................................................................... 22 5. Redes de haplótipos ....................................................................................................... 25 6. Fluxo gênico, testes de neutralidade e distribuição mismatch ....................................... 29 7. Inferências filogenéticas ................................................................................................. 40 DISCUSSÃO ........................................................................................................................... 42 1. Fluxo gênico e a dinâmica das populações .................................................................... 42 2. Dispersão .................................................................................................................................. 45 3. Identidade de Te. sooretamae: presença de mais de uma espécie? .................................. 46 CONCLUSÕES ....................................................................................................................... 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 49 APÊNDICES ........................................................................................................................... 56 Apêndice I. Relação dos indivíduos utilizados que tiveram ao menos uma das regiões do DNA mitocondrial amplificado, com respectivo número de tombo na CZNC, número do espécime e localidades amostradas ............................................ 56 Apêndice II. Lista de haplótipos dos genes COI e COII (Apenas para Terpides sooretamae) .................................................................................................................... 62 1 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Grupos e populações definidos a priori para as análises. Tabela 2. Cenário A: Regiões (Sudeste X Nordeste X Mato Grosso X Mato Grosso do Sul) – COI. Tabela 3. Cenário B: Rio Doce como barreira - COI. Tabela 4. Cenário C: Mata Atlântica X Cerrado - COI. Tabela 5. Cenário A: Regiões (Sudeste X Nordeste X Mato Grosso X Mato Grosso do Sul) – COII. Tabela 6. Cenário B: Rio Doce como barreira – COII. Tabela 7. Cenário C: Mata Atlântica X Cerrado - COII. Tabela 8. Análise descritiva da diversidade genética para COI. Tabela 9. Análise descritiva da diversidade genética para COII. Tabela 10. Distância par-a-par em COI. Tabela 11. Distância par-a-par em COII. Tabela 12. Valores de Fst para COI entre as populações. Tabela 13. Valores de Fst para COII entre as populações. Tabela 14. Testes de neutralidade para COI. Tabela 15. Testes de neutralidade para COII. 2 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Mapa com a localização dos espécimes sequenciados. Figura 2. Teste de saturação para COI. Figura 3. Teste de saturação para COII. Figura 4. Rede de haplótipos para COI. Figura 5. Rede de haplótipos para COII. Figura 6. Distribuição mismatch do gene COI. Figura 7. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Sudeste. Figura 8. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Nordeste. Figura 9. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Mato Grosso. Figura 10. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Mato Grosso do Sul. Figura 11. Distribuição mismatch do gene COII. Figura 12. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Sudeste. Figura 13. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Nordeste. Figura 14. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Mato Grosso. Figura 15. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Mato Grosso do Sul. Figura 16. Árvore de máxima-verossimilhança das sequências concatenadas. 3 RESUMO Terpides sooretamae Boldrini & Salles 2009 ocorre em diferentes biomas brasileiros, em cursos d’água com características ecológicas e físicas diversificadas, na Mata Atlântica e no Cerrado. A literatura aponta para uma série de casos em que espécies que ocorrem em regiões diferentes, situadas em biomas distintos, apresentam ampla variabilidade a nível molecular. Este trabalho focou em explorar a relação entre a estrutura populacional de Te. sooretamae e a sua capacidade de dispersão em um sistema geograficamente diverso, ecologicamente relevante e molecularmente não explorado: os padrões da estruturação genética de diferentes populações ao longo da distribuição da espécie. Para isso foi utilizado um total de 155 indivíduos; os mesmos foram submetidos à extração do DNA genômico (kit de extração da Promega®) e amplificação de duas regiões do mtDNA (COI e COII), purificação e sequenciamento. As sequências (57 de COI e 80 de COII) foram conferidas no BLAST (ferramenta de busca por similaridade), alinhadas e editadas. Foram conduzidas análises filogenéticas de máxima-verossimilhança, diversidade haplotípica, geração de redes de haplótipos, AMOVA, testes de neutralidade e distribuição mismatch. Os resultados evidenciaram uma relação próxima entre os indivíduos do Sudeste e do Nordeste, com baixas taxas de variabilidade entre as sequências obtidas, sendo possível afirmar que as populações do Sudeste e do Nordeste mantêm fluxo gênico bidirecional. Os valores de Fs de Fu e D de Tajima e os gráficos de distribuição mismatch sugerem que ambas populações estão em processo de expansão populacional recente. As populações de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentaram divergência alta em relação às populações do Sudeste e do Nordeste, sendo que a população do Mato Grosso do Sul apresentou os valores mais altos quando comparada às demais populações. As populações de Mato Grosso do Sul, com alta divergência molecular em relação às demais populações e com uma posição distante destas na árvore de máxima-verossimilhança, podem se tratar de uma espécie distinta de Te. sooretamae. Palavras-chave: dispersão, Mata Atlântica, fluxo gênico, diversidade críptica 4 ABSTRACT Terpides sooretamae Boldrini & Salles 2009 occurs in various Brazilian biomes, at watercourses ecologically and physically diversified from Atlantic rainforest and Cerrado (Brazilian savannah). The bibliography exhibits many cases in which species that occur at different places, located at distinct biomes, show large variability at molecular level. The aim of this work was to investigate the populational structure of Te. sooretamae and its dispersion powerful in a geographically diverse, remarkable ecologically and unknown molecularly system: the genetic patterns of structuration of such populations at whole distributional range. For this purpose, it was utilized an amount of 155 individuals. For the DNA extraction, it was applied a Promega® protocol of DNA extraction; two regions of mtDNA were amplified (COI and COII), purified and sequenced. The sequences (57 of COI and 80 of COII) were conferred with BLAST (similarities search tool), after those was aligned and edited. Some analysis were conducted, such as phylogenetic analysis of maximum-likelihood, calculations of haplotypic diversity and generation of haplotype networks, AMOVA, neutrality tests and mismatch distributions. The results show a strong affinity between individuals from Southeast Brazil and Northeast Brazil, with low values of genetic variation between its sequences; based on this, we can say that the populations from Southeast Brazil and Northeast Brazil keep birectional gene flow. The Fu’s Fs and Tajima’s D values plus the mismatch distribution graphics suggest that both populations are through in a recent demographic expansion. The populations from Mato Grosso and Mato Grosso do Sul, on the other hand, show high divergence compared to the Southeast and Northeast populations, where the ones from Mato Grosso do Sul show extremely high values. With high molecular variation compared to other populations and showing a peculiar position in the maximum-likelihood, the populations from Mato Grosso do Sul may constitute a distinct species. Keywords: dispersion, Atlantic Forest, gene flow, cryptic diversity 5 INTRODUÇÃO Leptophlebiidae Banks 1900 é a segunda família mais numerosa de Ephemeroptera, com 131 gêneros e mais de 600 espécies; somente na região Neotropical são 45 gêneros e aproximadamente 200 espécies descritas (Barber-James et al. 2008). A família apresenta distribuição global, contudo, nota-se um alto grau de endemismo na América do Sul (Domínguez et al. 2006). Atualmente, há duas classificações vigentes para as relações internas em Leptophlebiidae. Uma delas foi proposta por Peters (1980), que consiste na divisão em uma subfamília denominada Atalophlebiinae, ocorrente no hemisfério sul e engloba todos os gêneros até então conhecidos para Leptophlebiidae, com exceção de oito gêneros remanescentes, alocados em Leptophlebiinae. Uma outra classificação foi recentemente proposta por Kluge (2009), onde o autor dividiu Atalophlebiinae em várias subfamílias, tendo Atalophlebomaxillata + Calliarcyinae como grupo-irmão de Terpidinae. Posteriormente, Godunko et al. (2015) corroboraram a classificação de Kluge através de análises envolvendo filogenia com base em dados morfológicos. Atalophlebiinae reúne mais de 100 gêneros e 500 espécies (O´Donnel & Joackusch 2008), que estão divididas em linhagens filéticas distintas (Peters 1980; Domínguez et al. 2005). Peters (1980) considerou a possibilidade de classificar essas linhagens enquadrando-as como tribos, no entanto, a classificação a nível de tribo não é usual nos estudos envolvendo Ephemeroptera, e apesar do autor alegar que a mesma ajudaria na compreensão da evolução dos vários grupos que compõem a ordem, preferiu não fazê-la, mantendo em seu trabalho o termo “linhagens”, como são reconhecidas atualmente (Peters 1980). Dentre estas, existe a linhagem Terpides que foi erigida por Savage (1986) englobando os gêneros Terpides Demoulin 1966 e Fittkaulus Savage & Peters 1978. Posteriormente, 6 Tikuna Savage, Flowers & Porras 2005 foi incluído nesta linhagem (Savage et al. 2005; Boldrini et al. 2009). Kluge (2009) analisou as relações filogenéticas em Atalophlebiinae e classificou a linhagem Terpides como uma subfamília, a qual foi chamada de Terpidinae, e os gêneros que compõem a linhagem (Terpides, Fittkaulus e Tikuna) tornaram-se subgêneros. Posteriormente, os subgêneros Terpides, Fittkaulus e Tikuna foram novamente reconhecidos como gêneros (Kluge 2015). Os indivíduos da linhagem Terpides possuem características peculiares em relação aos demais representantes de Leptophlebiidae, como presença de fileiras de cerdas nos filamentos caudais e peças bucais hipognatas (Savage 1986). Apesar de constituir um grupo filogeneticamente bem resolvido em relação às demais linhagens de Atalophlebiinae, as relações internas entre os membros da linhagem Terpides ainda não foram incluídos em estudos filogenéticos. Ao todo são reconhecidas 17 espécies para a linhagem: nove de Terpides – Te. sooretamae Boldrini & Salles in Boldrini et al. (2009), Te. contamanensis Kluge 2015, Te. diadema Lugo-Ortiz & McCafferty 1996, Te. echinovaris Kluge 2015, Te. guyanensis Demoulin 1966, Te. iguapoga Molineri, Domínguez & Zúñiga in Zúniga et al. (2015), Te. jessiae Peters & Harrison 1974, Te. ornatodermis Kluge 2015 e Te. vinculum (Traver 1947); quatro de Fittkaulus – F. amazonicus Kluge 2009, F. cuiabae Savage 1986, F. cururuensis Savage 1986 e F. maculatus Savage & Peters 1978; e quatro de Tikuna – Ti. atramentum (Traver 1947), Ti. bilineata (Needham & Murphy 1924), Ti. fusconotum Kluge 2009 e Ti. nigrobulla Kluge 2009. A distribuição da linhagem Terpides é restrita à região Neotropical (Boldrini et al. 2009; Kluge 2015). No Brasil ocorrem três espécies de Fittkaulus: F. cururensis, F. cuiabae e F. maculatus; uma de Tikuna: Ti. bilineata e duas de Terpides: Te. guyanensis e Te. 7 sooretamae espécie alvo deste trabalho (, acesso em 03/02/2016). Assim como os demais representantes de Ephemeroptera, Te. sooretamae possui ciclo de vida anfibiótico, ou seja, apresenta uma fase da vida aquática e uma fase alada (Domínguez et al. 2006). Os indivíduos juvenis dessa espécie, bem como os demais representantes da linhagem Terpides, ocorrem em ambientes lóticos, de correnteza fraca a moderada, são natantes, vivem próximos à vegetação marginal ou associados às raízes e ocupam habitats semelhantes aos daqueles onde vivem indivíduos de Baetidae Leach 1815 (Savage 1986). A espécie está registrada unicamente para o território brasileiro e possui distribuição ampla, com registros de ocorrência para os estados do Espírito Santo e Pernambuco, em regiões abrangidas pelo bioma Mata Atlântica, e no Mato Grosso, abrangido pelo Cerrado (Boldrini et al. 2009; Salles et al. 2010; Lima et al. 2012; Brasil et al. 2014; Angeli et al. 2015). Assim, Te. sooretamae apresenta distribuição disjunta, em localidades relativamente distantes e com barreiras biogeográficas importantes, como o Rio Doce (DaSilva & Pinto-da-Rocha 2011), com características físicas diversas e em ecossistemas distintos. Devido ao seu ciclo de vida anfibiótico, os indivíduos dessa espécie apresentam formas de dispersão distintas em suas diferentes fases da vida: durante a fase juvenil a dispersão é restrita à bacia hidrográfica onde o indivíduo vive, deslocando-se através de nado e/ou drift, enquanto na fase alada o deslocamento seria através do voo, mas com um alcance limitado devido a sua relativa fragilidade e tempo de vida curto (Britain & Sartori 2003). Entretanto, estudos recentes indicaram que a vagilidade dos efemerópteros tem sido subestimada ao demonstrarem que os mesmos teriam a capacidade de dispersão transoceânica (Monaghan et al. 2005; Vuataz et al. 2013; Rutschmann et al. 2014). Em um desses trabalhos, Monaghan et al. (2005) encontraram altos níveis de similaridade genética entre linhagens de Baetidae de Madagascar com aquelas provenientes da porção continental da África e até mesmo do sul da http://www.ephemeroptera.com.br/ 8 Ásia; eles concluíram, então, que essa proximidade genética entre linhagens provenientes de localidades distantes só seria possível graças a fluxos bidirecionais de migração (Monaghan et al. 2005). Estudos realizados com o intuito de inferir a diversidade molecular em Ephemeroptera revelaram alto grau de divergência entre as populações amostradas; evidenciam, inclusive, alta diversidade críptica nesses organismos através de inferências realizadas com mais de um marcador, em especial o gene mitocondrial COI, como demonstrado em espécies abundantes de Baetidae na Europa (Williams et al. 2006; Lucentini et al. 2011; Sproul et al. 2014) e na África (Pereira-da-Conceicoa et al. 2012). O presente trabalho teve como objetivo avaliar a variabilidade genética de dois marcadores específicos em Te. sooretamae, a fim de (i) relacioná-la com a sua distribuição geográfica, e assim obter os padrões de distribuição dos haplótipos ao longo da distribuição e inferir sobre os processos envolvidos na história evolutiva do táxon e (ii) detectar a existência de potenciais espécies crípticas. 9 MATERIAL E MÉTODOS 1. Amostras Um total de 155 indivíduos foi utilizado para as extrações de DNA, provenientes dos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Figura 1). Foram realizadas campanhas nos seguintes locais: região sul do estado do Espírito Santo (municípios de Afonso Cláudio, Alfredo Chaves e Ibitirama), Pernambuco (municípios de Amaraji, Bonito e São Benedito do Sul), Alagoas (município de Quebrangulo), Bahia (municípios de Eunápolis, Guaratinga, Itagimirim, Itapebi e Teixeira de Freitas), Rio de Janeiro e Minas Gerais. Parte dos espécimes foram obtidos do acervo da Coleção Zoológica Norte Capixaba, da Universidade Federal do Espírito Santo (CZNC), que compreendem espécimes do Espírito Santo (municípios de Afonso Cláudio, Alfredo Chaves, Colatina, Domingos Martins, Ibiraçu, Ibitirama, Iconha, Jaguaré, João Neiva, Nova Venécia, Pancas, São Gabriel da Palha, São Mateus e Sooretama), Minas Gerais (município de Nova Belém), Mato Grosso (município de Nova Xavantina) e Mato Grosso do Sul (municípios de Bodoquena, Bonito, Caracol e Jardim). Por se tratar de uma espécie que vive a maior parte da vida em ambiente aquático, as populações foram definidas a priori a partir das bacias hidrográficas onde os indivíduos foram coletados, as quais foram organizadas em grupos a partir das regiões de ocorrência: Sudeste (estados do Espírito Santo e Minas Gerais), Nordeste (estados de Pernambuco e Alagoas), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Tabela 1). 10 Figura 1. Mapa com a localização dos espécimes sequenciados. Representação do relevo da América do Sul (superior esquerdo) e grandes bacias (inferior esquerdo); locais de ocorrência dos espécimes sequenciados, representados por circunferências vermelhas (centro), com destaque para as localidades situadas no Sudeste (direita). 11 Tabela 1. Modelo da divisão adotada no presente estudo para a separação dos grupos e populações de T. sooretamae, definidos a priori, para as análises moleculares subsequentes. Grupos Populações (Bacias) Localidades Sudeste São Mateus São Mateus (ES), Nova Venécia (ES), Nova Belém (MG) Doce Jaguaré (ES), Sooretama (ES), Pancas (ES), Colatina (ES) e São Gabriel da Palha (ES) Jucu Domingos Martins (ES) Piraquê-Açu Ibiraçu (ES) e João Neiva (ES) Benevente Afonso Cláudio (ES), Alfredo Chaves (ES) e Iconha (ES) Itapemirim Ibitirama (ES) Nordeste Serinhaém Amaraji (PE) Una Bonito e São Benedito do Sul (PE) Mundaú Quebrangulo (AL) Mato Grosso Araguaia Nova Xavantina Mato Grosso do Sul Miranda Bodoquena e Bonito Apa Caracol 12 2. Da extração de DNA ao sequenciamento Os espécimes utilizados foram preservados em álcool etílico absoluto 99,5° GL e estocados em freezer a -5º C. O DNA genômico foi extraído a partir das pernas, tórax, tórax e abdome, ou do corpo inteiro do animal. Foi utilizado o kit de extração Wizard® SV Genomic DNA Purification System, e seguido o protocolo anexo ao mesmo. Foram amplificadas duas regiões do DNA mitocondrial: um fragmento contendo 400 pb da região Citocromo c Oxidase subunidade I (COI - parcial), utilizando-se os primers C1-J- 1718 e universal HCO-2198 (Folmer et al. 1994; Simon et al. 1994); e um fragmento contendo 527 pb referente a região do Citocromo c Oxidase subunidade II (COII), com os primers TL2-J-3037 e C2-N-3661 (Takyia et al. 2006). Para cada 1µL de DNA genômico extraído, foram adicionados: 2,5µL de Invitrogen® Buffer MgCl2 10x; 2 µL de Invitrogen® MgCl2 50mM; 0,3 µL de cada primer; 1 µL de Promega® DNTp 100mM; 17,775 µL de água ultra-pura (ddH2O); e 0,125 µL de Invitrogen® Platinum Taq DNA Polymerase. O volume final do mix de PCR foi de 25µL por amostra. Os fragmentos de COI foram amplificados de acordo com o perfil: desnaturação inicial a 94°C por 5 minutos, 40 ciclos a 94° C por 45 segundos, 47°C por 45 segundos, 72°C por 45 segundos, e extensão final da fita a 72°C por 5 minutos. Os fragmentos de COII foram amplificados seguindo os seguintes parâmetros de temperatura: desnaturação inicial a 94°C por 3 minutos, 40 ciclos de 94°C por 1 minuto, 54°C por 1 minuto, 72°C por 2 minutos, e extensão final da fita a 72°C por 7 minutos. Os produtos obtidos foram submetidos à eletroforese em gel de agarose 1% a fim de checar as condições dos mesmos; em todas as reações foi empregado o uso de um controle negativo para verificar uma possível contaminação. Em seguida, os produtos de PCR foram purificados com ExoSap 1:4, adicionando-se 1µL da solução já diluída para cada 10 µL de amostra; no termociclador, as amostras foram submetidas a uma temperatura de 37°C por 30 13 minutos e 80°C por 15 minutos. As amostras purificadas foram sequenciadas pela Macrogen Inc. (Seoul, Coreia do Sul). 3. Análises Ao todo, foram obtidas 57 sequências de COI e 80 sequências de COII. Foram feitas buscas por similaridade das sequências através do Blast (Basic Local Alignment Search Tool, ), com o intuito de averiguar se a sequência obtida realmente era de Ephemeroptera. Com o auxílio do software Geneious 8.1 (Kearse et al., 2012) cada sequência foi conferida e editada manualmente para detecção de picos duplos e stop codons, sendo posteriormente alinhadas pelo Clustal W como implementado no BioEdit (Hall 1999). Testes de saturação foram conduzidos pelo DAMBE (Xia et al. 2003; Xia & Lemey 2009), a fim de verificar a proporção entre transversões e transições. O DNAsp 5.10 (Librado & Rozas 2009) foi utilizado para a obtenção de descritores da variabilidade genética e detecção dos haplótipos, delimitação dos grupos por região de procedência e cálculo da distribuição mismatch. A distância par-a-par foi obtida através do Mega 6 (Tamura et al. 2013). Redes de haplótipos foram criadas a partir de análises de median-joining (Bandelt et al. 1999) com o uso do PopArt 1.7 (http://popart.otago.ac.nz/). Foram calculados o número de sítios segregantes e número médio de diferenças par a par, e testes como Fst, Fs de Fu e D de Tajima, conforme implementado no Arlequin 3.1 (Excoffier et al., 2005), o qual também foi utilizado para a obtenção de descritores da variabilidade genética. Foram testados três cenários através da análise de variância molecular (AMOVA), conduzidas no Arlequin 3.1 (Excoffier et al., 2005): Cenário A: As populações estão divididas em quatro grupos: Sudeste (ES/MG) x Nordeste (PE/AL) x Mato Grosso x Mato Grosso do Sul; 14 Cenário B: As populações do leste estão separadas pelo Rio Doce e separadas das populações do oeste: Sul do Rio Doce x Norte do Rio Doce x Oeste; Cenário C: As populações estão separadas de acordo com os biomas das quais se originaram: Mata Atlântica x Cerrado. Foram conduzidas análises de máxima verossimilhança através da plataforma RAxML BlackBox no endereço eletrônico http://embnet.vital-it.ch/raxml-bb/ (Stamatakis et al., 2008), usando o conjunto das sequências concatenadas (COI + COII, total 967 pb). O grupo externo foi formado por cinco sequências tomadas do GenBank (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/nuccore), todas de indivíduos pertencentes a Ephemeroptera, excluindo Leptophlebiidae, com os respectivos acession numbers: Ephemera danica: COI - JX571926.1; COII - KF855909.1; Siphluriscus chinensis: HQ875717.1; Isonychia ignota: HM143892.1; Caenis sp.: GQ502451.1. http://embnet.vital-it.ch/raxml-bb/ http://www.ncbi.nlm.nih.gov/nuccore 15 RESULTADOS 1. Testes de saturação Segundo o teste de Xia et al. (2003), as sequências utilizadas para este estudo apresentaram taxas de transição maiores que as de transversão (Figs. 2 e 3), o que indica baixa saturação e a possibilidade de utilização das mesmas para estudos em filogenia e filogeografia. 2. AMOVA (Análise de Variância Molecular) Os resultados para o teste de AMOVA em COI e COII (Tabelas 2-7) apresentaram uma variância maior entre os grupos do que entre as populações, com exceção do cenário A para COII (Tabela 5), onde a variação entre as populações dentro dos grupos foi o dobro da variação entre grupos. Os maiores valores de variância entre os grupos foi como apresentado no cenário C, na qual foram comparadas as populações de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com as populações do Sudeste e do Nordeste (Tabelas 4 e 7). 16 Figura 2. Teste de saturação para COI. Os gráficos mostram as frequências de transições (s, em azul) e transversões (v, em verde) em relação à distância genética (eixo x). Figura 3. Teste de saturação para COII. Os gráficos mostram as frequências de transições (s, em azul) e transversões (v, em verde) em relação à distância genética (eixo x). 17 AMOVA – COI Tabela 2. Cenário A: Regiões. Os grupos de populações foram Sudeste, Nordeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul Fonte de variação Graus de liberdade Soma dos quadrados Componentes de variância Porcentagem de variação Entre grupos 3 60.565 2.15285 Va 64.54 Entre populações dentro dos grupos 7 5.323 -0.11254 Vb -3.37 Dentro dos grupos 43 55.705 1.29546 Vc 38.84 Total 53 121.593 3.33576 Tabela 3. Cenário B: Rio Doce como barreira. Os grupos de populações foram Norte do Rio Doce, Sul do Rio Doce e Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Fonte de variação Graus de liberdade Soma dos quadrados Componentes de variância Porcentagem de variação Entre grupos 2 45,789 1,34962 Va 46,13 Entre populações dentro dos grupos 8 20,129 0,2805 VB 9,59 Dentro dos grupos 43 55,705 1,29546 Vc 44,28 Total 53 121.593 2,92558 18 Tabela 4. Cenário C: Mata Atlântica X Cerrado. Fonte de variação Graus de liberdade Soma dos quadrados Componentes de variância Porcentagem de variação Entre grupos 1 43,363 3,85752 Va 71,32 Entre populações dentro dos grupos 9 22,524 0,25540 VB 4,72 Dentro dos grupos 43 55,705 1,29546 Vc 23,95 Total 53 121.593 2,92558 AMOVA - COII Tabela 5. Cenário A: Grupos. Cenário A: Regiões. Os grupos de populações foram Sudeste, Nordeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Fonte de variação Graus de liberdade Soma dos quadrados Componentes de variância Porcentagem de variação Entre grupos 3 487,373 4,57362 Va 25,81 Entre populações dentro dos grupos 7 328,254 8,90628 VB 50,27 Dentro dos grupos 61 258,512 4,23790 Vc 23,92 Total 71 1074,139 2,92558 19 Tabela 6. Cenário B: Rio Doce como barreira. Os grupos de populações foram Norte do Rio Doce, Sul do Rio Doce e Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Fonte de variação Graus de liberdade Soma dos quadrados Componentes de variância Porcentagem de variação Entre grupos 2 480,917 8,79361 Va 43,99 Entre populações dentro dos grupos 8 334,710 6,95640 VB 34,80 Dentro dos grupos 61 258,512 4,23790 Vc 21,20 Total 71 1074,139 19,98790 Tabela 7. Cenário C: Mata Atlântica X Cerrado. Fonte de variação Graus de liberdade Soma dos quadrados Componentes de variância Porcentagem de variação Entre grupos 1 478,345 23,94280 Va 71,27 Entre populações dentro dos grupos 9 337,282 5,41210 VB 16,11 Dentro dos grupos 61 258,512 4,23790 Vc 12,62 Total 71 1074,139 33,59279 20 3. Descritores da variabilidade genética e composição das sequências Dos 155 indivíduos amostrados, foram amplificadas 57 sequências de COI (54 de Terpides sooretamae, uma de Fittkaulus cururuensis e duas de Tikuna bilineata) e 80 sequências de COII (74 de Te. sooretamae, duas de F. maculatus, uma de F. cururuensis, uma de F. cf. amazonicus e duas de Ti. bilineata). Os espécimes que tiveram ao menos uma das regiões de DNA mitocondrial amplificado estão relacionados no Apêndice I.  COI Das 54 sequências de Te. sooretamae foram obtidos 395 sítios informativos, dos quais 53 são sítios polimórficos (segregantes), acumulando 55 mutações, permitindo definir 28 haplótipos. A diversidade nucleotídica encontrada foi de 0,01162, e a diversidade haplotípica de 0,9085. O número médio de diferenças par-a-par foi de 4,5884. As frequências de bases nucleotídicas foram: C = 26,21%; T = 17,23%; A = 28,13%; G = 28,44%. Os descritores por população estão listados na tabela 8.  COII Das 74 sequências de Te. sooretamae, foram obtidos 467 sítios informativos, dos quais 157 são sítios polimórficos (segregantes), acumulando 183 mutações, permitindo definir 56 haplótipos. A diversidade nucleotídica encontrada foi de 0,06479. O número médio de diferenças par-a-par foi de 30,2574. As frequências de bases nucleotídicas foram: C = 33,83%; T = 30,19%; A = 19,36%; G = 16,61%. Os descritores por população estão listados na tabela 9. 21 Tabela 8. Análise descritiva da diversidade genética para COI. Grupo População N S H DH DN Sudeste Benevente/ES 10 5 6 0,8444 0,00289 Doce/ES 14 26 10 0,9231 0,01077 Jucu/ES 2 2 2 1,0000 0,00501 Itapemirim*/ES 2 ---- 1 0,0000 ----- Piraquê-Açú/ES 2 3 2 1,0000 0,00750 São Mateus (ES e MG) 6 5 5 0,9333 0,00419 Nordeste Serinhaém*/PE 3 ---- 1 0,0000 ---- Una/PE 7 11 4 0,7143 0,00788 Mundaú/AL 2 1 2 1,0000 0,00250 Mato Grosso Araguaia/MT 3 7 3 1,0000 0,01167 Mato Grosso do Sul Apa/MS 3 7 3 1,0000 0,01167 N = número de amostras; S = número de sítios segregantes; H = número de haplótipos; DH = diversidade haplotípica; DN = diversidade nucleotídica. *Sequências não apresentaram polimorfismo. Tabela 9. Análise descritiva da diversidade genética para COII. Grupo População N S H DH DN Sudeste Benevente/ES 14 50 13 0,9890 0,03404 Doce/ES 21 56 16 0,9286 0,03139 Jucu/ES 2 3 2 1,0000 0,00569 Piraquê-Açú/ES 2 37 2 1,0000 0,07021 São Mateus (ES e MG) 8 54 8 1,0000 0,04445 Nordeste Serinhaém/PE 4 6 4 1,0000 0,00613 Uma/PE 8 52 8 1,0000 0,03985 Mundaú/AL 2 3 2 1,0000 0,00574 Mato Grosso AraguaiaMT 4 37 4 1,0000 0,03606 Mato Grosso do Sul Apa/MS 3 39 3 1,0000 0,05310 Miranda/MS 4 1 2 0,5000 0,00096 N = número de amostras; S = número de sítios segregantes; H = número de haplótipos; DH = diversidade haplotípica; DN = diversidade nucleotídica. 22 4. Distância par-a-par (p-distance) Para COI (Tab. 10), os valores de distância par-a-par se mantiveram abaixo de 0,03 para a maioria das duplas de sequências comparadas, com exceção dos indivíduos de Apa (Mato Grosso do Sul), que apresentaram médias dos valores de distância entre 0,03 e 0,036 em comparação com indivíduos de outras populações, e dos indivíduos das populações do Araguaia e Doce, que apresentaram uma média de 0,03 de distância entre si. Em COII (Tab. 11), os valores de distância par-a-par se mostraram em geral mais altos que os apresentados para COI, com a população do Araguaia apresentando valores acima de 0,03 para quase todas as outras populações. As populações do Mato Grosso do Sul obtiveram valores de distância bem mais altos em relação às demais populações, sempre acima de 0,2. 23 Tabela 10. Distância par-a-par de COI entre as médias das distâncias dos indivíduos por população; valores iguais ou acima de a 0,3 foram destacados. Sudeste Nordeste Mato Grosso Benevente/ES Doce/ES Jucu/ES Itapemirim/ES Piraquê-Açu/ES São Mateus (ES e MG) Serinhaém/PE Una/PE Mundaú/AL Araguaia/MT Sudeste Benevente/ES Doce/ES 0,006 Jucu/ES 0,004 0,008 Itapemirim/ES 0,001 0,005 0,003 Piraquê-Açu/ES 0,005 0,009 0,006 0,004 São Mateus/ES 0,003 0,007 0,005 0,002 0,005 Nordeste Serinhaém/PE 0,004 0,008 0,005 0,003 0,006 0,005 Una/PE 0,007 0,011 0,009 0,006 0,010 0,008 0,004 Mundaú/AL 0,005 0,009 0,006 0,004 0,008 0,005 0,001 0,005 Mato Grosso Araguaia/MT 0,026 0,030 0,027 0,024 0,028 0,027 0,025 0,029 0,027 Mato Grosso do Sul Apa/MS 0,032 0,035 0,033 0,030 0,033 0,032 0,033 0,036 0,033 0,019 24 Tabela 11. Distância par-a-par de COII entre as médias das distâncias dos indivíduos por população; valores iguais ou acima de 0,3 foram destacados. MT = Mato Grosso; MS = Mato Grosso do Sul. Sudeste Nordeste Mato Grosso Mato G. do Sul Benevente/ES Doce/ES Jucu/ES Piraquê-Açu/ES São Mateus (ES e MG) Serinhaém/PE Una/PE Mundaú/PE Araguaia/MT Miranda/MS Sudeste Benevente/ES Doce/ES 0,017 Jucu/ES 0,012 0,014 Piraquê-Acu/ES 0,022 0,023 0,025 São Mateus (ES e MG) 0,020 0,022 0,019 0,024 Nordeste Serinhaém/PE 0,011 0,014 0,006 0,023 0,019 Una/PE 0,018 0,020 0,015 0,025 0,023 0,015 Mundaú/AL 0,012 0,015 0,006 0,025 0,020 0,006 0,015 Mato Grosso Araguaia/MT 0,032 0,035 0,029 0,041 0,037 0,028 0,035 0,029 Mato Grosso do Sul Miranda/MS 0,269 0,269 0,267 0,275 0,272 0,264 0,269 0,264 0,266 Apa/MS 0,273 0,274 0,274 0,276 0,276 0,272 0,273 0,272 0,274 0,018 25 5. Redes de haplótipos Em relação ao marcador COI, o haplótipo 3 foi o mais abundante, compartilhado por 14 indivíduos provenientes de Alfredo Chaves, Colatina, Domingos Martins, Ibitirama, Nova Venécia, São Gabriel da Palha e São Mateus (ES), seguido do haplótipo 18 com oito indivíduos procedentes de Amaraji e Bonito (PE) e Quebrangulo (AL) (Apêndice II). Outros haplótipos foram menos frequentes: o haplótipo 4 foi encontrado em cinco indivíduos procedentes de Afonso Cláudio, Ibiraçu, Iconha e São Gabriel da Palha (ES) e Nova Belém (MG); o haplótipo 5, compartilhado por dois indivíduos, procedentes de Colatina e Iconha (ES); e haplótipo 16, compartilhado por dois indivíduos de Sooretama (ES). Os demais haplótipos ocorreram em apenas um indivíduo cada (Apêndice II). A rede de haplótipos de COI (Figura 4) apresenta os dois haplótipos mais recorrentes, representados como H3 e H18, localizados respectivamente no Sudeste e no Nordeste, separados por uma mutação. Os haplótipos do Sudeste encontram-se separados por no mínimo 6 mutações daqueles do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; estas últimas regiões não apresentam compartilhamento de haplótipos, nem com populações de outras localidade. 26 Figura 4. Rede de haplótipos para COI. Cada traço perpendicular às linhas representa uma mutação. O tamanho dos círculos é proporcional à quantidade de haplótipos, enquanto as regiões estão representadas por cores (vide legenda). 27 Para COII, o haplótipo 1 foi o mais frequente, sendo compartilhado por 13 indivíduos procedentes de Alfredo Chaves, Colatina, Domingos Martins, Jaguaré, São Gabriel da Palha e Sooretama (ES) e Bonito (PE), seguido pelo haplótipo 54, compartilhado por quatro indivíduos procedentes de Bodoquena, Bonito e Caracol (MS), e pelo haplótipo 3, compartilhado por dois indivíduos, provenientes de Alfredo Chaves e Sooretama (ES) (Apêndice II). Os demais haplótipos estavam presentes em um indivíduo cada. A rede de haplótipos gerada para COII (Figura 5) não apresenta estruturação clara entre os indivíduos do Sudeste e do Nordeste, tendo, inclusive, um dos haplótipos (Hap_1, o mais abundante) compartilhado pelos dois grupos (Apêndice II). Entretanto, a distância é maior entre estes e os de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; o número de mutações é elevado entre os indivíduos de Mato Grosso do Sul e os demais, totalizando 118 mutações (Figura 5). 28 Figura 5. Rede de haplótipos para COII. Cada traço perpendicular às linhas representa uma mutação. O tamanho dos círculos é proporcional à quantidade de haplótipos, enquanto as regiões estão representadas por cores (vide legenda). (118 mutações) 29 6. Fluxo gênico, testes de neutralidade e distribuição mismatch Em COI, (Tabela 14) os dados de fluxo gênico (Fst) observados entre populações do Sudeste e do Nordeste estão abaixo ou próximos de 0,25, exceto entre Benevente/ES e bacias do grupo Nordeste, cujos valores variaram de 0,38308 a 0,5353; e entre Mundaú/AL e Itapemirim/ES (0,6667). Entre as bacias de Mato Grosso + Mato Grosso do Sul e as demais, houve valores muito elevados, sempre acima de 0,6. Em COII (Tabela 15) os valores de Fst apresentaram-se abaixo de 0,25 entre as bacias de Sudeste e Nordeste, enquanto o grupo Mato Grosso do Sul mostrou valores elevados (acima de 0,9) em comparação àqueles dois grupos. Os testes D de Tajima, realizados para COI, resultaram em índices significativos (p < 0,05) para os grupos Sudeste e Nordeste; os valores de Fs de Fu foram significativos apenas para o Sudeste (Tabela 14). Em COII, o D de Tajima mostrou-se significativamente negativo (p-valor < 0,05) para Nordeste e Mato Grosso, e o Fs de Fu se manteve significativamente negativo para Sudeste e Nordeste (Tabela 15). 30 Tabela 12. Valores de Fst para COI entre as populações, onde valores iguais ou acima de 0,7 foram destacados, indicando ausência de fluxo gênico entre as populações relacionadas. Sudeste Nordeste Mato Grosso Mato G. do Sul Benevente/ES Doce/ES São Mateus (ES e MG) Piraquê- Açu/ES Jucu/ES Itapemirim/ES Serinhaém/PE Una/PE Mundaú/AL Araguaia/MT Apa/MS Benevente/ES 0,00000 Doce/ES -0,02140 0,00000 São Mateus (ES e MG) -0,01600 -0,03916 0,00000 Piraquê-Açu/ES 0,18994 -0,11297 0,04673 0,00000 Jucu/ES 0,19207 -0,15464 0,03627 0,00000 0,00000 Itapemirim/ES -0,27976 -0,29897 -0,30435 0,00000 0,00000 0,00000 Serinhaém/PE 0,53530 0,11888 0,41406 0,57143 0,64706 1,00000 0,00000 Una/PE 0,38308 0,19287 0,28802 0,26343 0,23178 0,14547 -0,16667 0,00000 Mundaú/AL 0,51807 0,08005 0,31148 0,33333 0,40000 0,66667 0,25000 -0,17128 0,00000 Araguaia/MT 0,82763 0,63445 0,75117 0,63487 0,65068 0,68657 0,76667 0,70371 0,67820 0,00000 Apa/MS 0,87339 0,70093 0,81250 0,72269 0,74576 0,78182 0,84615 0,77895 0,77500 0,43478 0,00000 31 Tabela 13. Valores de Fst para COII entre as populações, onde valores iguais ou acima de 0,7 foram destacados, indicando ausência de fluxo gênico entre as populações relacionadas. Sudeste Nordeste M. Grosso Mato G. do Sul Benevente/ES Doce/ES Piraquê-Açu/ES Jucu/ES São Mateus (ES e MG) Serinhaém/PE Una/PE Mundaú/AL Araguaia/MT Miranda/MS Apa/MS Benevente/ES 0,00000 Doce/ES -0,01957 0,00000 Piraquê-Açu/ES 0,07903 0,00153 0,00000 Jucu/ES -0,06191 -0,09109 0,17391 0,00000 São Mateus (ES e MG) 0,00653 -0,02810 -0,17980 -0,05240 0,00000 Serinhaém/PE 0,04298 0,03107 0,40496 0,11111 0,09749 0,00000 Una/PE -0,03719 -0,03156 -0,05092 -0,13858 -0,03510 0,00118 0,00000 Mundaú/AL -0,03866 -0,05367 0,17391 0,00000 -0,01615 0,11111 -0,15589 0,00000 Araguaia/MT 0,47426 0,42198 0,38462 0,41722 0,34619 0,53651 0,36955 0,41722 0,00000 Miranda/MS 0,95403 0,93788 0,96556 0,99095 0,93245 0,98920 0,94131 0,99087 0,95775 0,00000 Apa/MS 0,93815 0,92610 0,89290 0,92662 0,90436 0,94966 0,91420 0,92604 0,91345 0,32706 0,00000 32 Tabela 14. Testes de neutralidade para COI, com os valores significativos destacados em negrito (p-valor < 0,05). Grupos N D-Tajima (P-valor) Fs de Fu (P-valor) Sudeste 36 -2,45631 (0,000) -10,29317 (0,000) Nordeste 12 -2,06659 (0,002) -0,42572 (0,346) Mato Grosso 3 0,00000 (0,786) 0,30830 (0,367) Mato Grosso do Sul 3 0,00000 (0,760) 0,13353 (0,261) Tabela 15. Testes de neutralidade para COII, com os valores significativos destacados em negrito (p-valor < 0,05). Grupos N D-Tajima (P-valor) Fs de Fu (P-valor) Sudeste 47 -1,05327 (0,131) -19,17848 (0,000) Nordeste 14 -1,46586 (0,069) -8,28586 (0,002) Mato Grosso 4 -0,85430 (0,076) 0,33408 (0,345) Mato Grosso do Sul 7 -0,64848 (0,304) 2,46232 (0,868) 33 A distribuição mismatch do gene COI para o total das amostras resultou em uma curva bimodal (Figura 6), enquanto se apresentou unimodal para as populações do Sudeste e do Nordeste (Figuras 7-8). O número de diferenças mais recorrente esteve entre zero e cinco para o Sudeste, chegando a um número máximo de diferenças nucleotídicas entre 10 e 15 (Figura 7); no Nordeste, o valor mais frequente ficou também entre zero e cinco, com um número máximo de diferenças igual a 10 (Figura 8). Em COII, a distribuição mismatch resultou em uma curva multimodal (Figura 11); o mesmo padrão foi observado para as populações do Sudeste e do Nordeste (Figuras 12-13). O número de diferenças mais recorrente nas populações do Sudeste esteve entre zero e cinco, com um valor máximo em torno de 35 (Figura 12); para o Nordeste, o número mais recorrente foi entre zero e cinco, e o máximo de diferenças observado chegou próximo de 40 (Figura 13). As distribuições para Mato e Mato Grosso do Sul não apresentaram curvas bem definidas, provavelmente devido ao baixo número de amostras obtido (Figuras 9-10; 14-15). 34 Figura 6. Distribuição mismatch do gene COI. O eixo das abscissas representa a quantidade de diferenças na composição nucleotídica entre as sequências analisadas, enquanto o eixo das ordenadas apresenta a frequência com que as mesmas ocorrem na amostra. O gráfico em linha cheia representa os valores esperados, enquanto a linha pontilhada representa os valores observados. Figura 7. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Sudeste. 35 Figura 8. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Nordeste. Figura 9. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Mato Grosso. 36 Figura 10. Distribuição mismatch do gene COI para as populações do Mato Grosso do Sul. 37 Figura 11. Distribuição mismatch do gene COII. Figura 12. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Sudeste. 38 Figura 13. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Nordeste. Figura 14. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Mato Grosso. 39 Figura 15. Distribuição mismatch do gene COII para as populações do Mato Grosso do Sul. 40 7. Inferências filogenéticas A árvore resultante da análise de máxima-verossimilhança de sequências concatenadas (Figura 16) resultou num clado formado somente por Te. sooretamae, com indivíduos do Sudeste, Nordeste e Mato Grosso, com um valor de bootstrap igual a 82. Dos indivíduos do Nordeste, a maior parte ficou reunida em um clado (bootstrap = 20), enquanto outros três indivíduos apareceram distribuídos em ramos nos quais formavam grupo-irmão com algum indivíduo do Sudeste. Os representantes de Mato Grosso se mostraram um grupo parafilético, no qual um dos indivíduos apareceu como irmão de (Sudeste + Nordeste), com bootstrap igual a 54, e os demais como irmãos destes. Todavia, os indivíduos de Mato Grosso do Sul permaneceram fora desse clado, formando grupo irmão com ((F. cururuensis + Ti. bilineata) + Te. sooretamae), com valor de bootstrap igual a 100. 41 Figura 16. Árvore de máxima-verossimilhança das sequências concatenadas. Os indivíduos de Te. sooretamae aparecem com o nome escrito em cores (azul = Sudeste; alaranjado = Nordeste; verde = Mato Grosso; vermelho = Mato Grosso do Sul), enquanto os pertencentes a outras espécies estão escritos de preto. Os valores de bootstrap estão localizados nos nós de cada ramo. 42 DISCUSSÃO 1. Fluxo gênico e a dinâmica das populações Entre as populações do Sudeste não houve estruturação, dados os baixos valores de Fst entre as mesmas (Tabelas 12-13) e o compartilhamento de haplótipos em COII (Figura 5; Apêndice II). O Rio Doce, no Sudeste, comportou-se como uma importante barreira biogeográfica para artrópodes em outros estudos, os quais envolveram lepidópteros (Brown 2005), himenópteros (Mariano et al. 2008) e opiliões (DaSilva e Pinto-da-Rocha 2011). No presente trabalho, contudo, não houve evidências de estruturação entre as populações que se encontram ao norte e ao sul do Rio Doce. Entretanto, essa hipótese não foi testada explicitamente neste estudo. As populações do Sudeste e do Nordeste mostraram-se fortemente relacionadas entre si, como evidenciado na rede de haplótipos (Figuras 4-5), valores de Fst (Tabelas 12-13) e árvore de máxima-verossimilhança (Figura 16), constatando-se que há fluxo gênico bidirecional entre elas. A grande maioria dos haplótipos do Sudeste difere daqueles provenientes do Nordeste em, no máximo, uma ou duas mutações (Figuras 4-5). Ambos estão localizados em áreas de Mata Atlântica e encontram-se em ambientes que apresentam características físicas semelhantes, como umidade, temperatura e altitude. Essa correlação entre as duas regiões amostradas já foi observada em outros organismos dulciaquícolas, o que sugere uma conexão geologicamente recente entre as bacias hidrográficas do leste brasileiro (Buckup 2011). Assim, torna-se evidente a importância da manutenção dos biomas como condição essencial para a manutenção do fluxo gênico entre os organismos (Dixo et al. 2009; Banhos et al. 2016). Os valores obtidos dos testes estatísticos de D de Tajima e Fs de Fu (Tabelas 14-15) evidenciaram que as populações do Sudeste e do Nordeste estão passando por um processo de expansão populacional recente. Esses resultados, aliados ao fluxo gênico que foi constatado 43 entre as populações das duas regiões citadas, não condizem com a Hipótese dos Refúgios Florestais (Haffer 1969). Essa hipótese foi pensada para explicar a diversidade encontrada na Floresta Amazônica, sendo mais tarde aplicada à Mata Atlântica, como nos trabalhos de Carnaval & Moritz (2008) e Carnaval et al. (2009), e diz que as flutuações climáticas do Quaternário provocaram expansões e regressões da área florestal, com regiões isoladas de mata quando nos períodos de diminuição de cobertura vegetal. Assim, esses refúgios formados pelo isolamento dos fragmentos florestais propiciaram especiações e consequente aumento da biodiversidade por redução de fluxo gênico entre as populações que ficaram separadas em refúgios distintos (Carnaval & Moritz 2008; Carnaval et al. 2009). Entretanto, recentemente Leite et al. (2016) sugeriram uma hipótese alternativa para explicar a diversidade encontrada na Mata Atlântica: em um estudo envolvendo cinco espécies de mamíferos, os autores encontraram padrões de expansão populacional semelhantes entre as espécies analisadas, e concluíram que a cobertura vegetal da Mata Atlântica durante o Último Máximo Glacial se estendeu para além da plataforma continental, em áreas atualmente submersas pelo Oceano Atlântico. A hipótese recebeu o nome de “Mata Atlântida” (Leite et al. 2016). Em outro estudo recente, Thomaz et al. (2015) conduziram uma investigação acerca da diversidade genética de Hollandichthys multifasciatus, uma espécie de peixe ocorrente em rios costeiros da Mata Atlântica. As diferentes populações apresentaram similaridades no DNA mitocondrial, mesmo encontrando-se distribuídas em bacias distintas, que formam sistemas fechados em si. A explicação, assim como em Leite et al. (2016), se embasou nos períodos de regressão marinha do Último Máximo Glacial, mas com uma diferença: nesses períodos de abaixamento do nível do mar, os rios costeiros da Mata Atlântica tinham extensões maiores até chegar aos estuários, na época mais distantes por causa do afastamento da região costeira; essas antigas extensões dos rios, que hoje estão em áreas submersas, são 44 chamadas de paleodrenagens (Thomaz et al. 2015). De acordo com a modelagem conduzida pelos mesmos, os autores concluíram que as paleodrenagens se comunicavam, promovendo fluxo gênico entre bacias que hoje estão isoladas, o que explicaria a relativa baixa diversidade genética dos peixes dessa espécie. Esse modelo, portanto, pode ser adequadamente aplicado a outros organismos aquáticos de ambientes lóticos, como é o caso de Te. sooretamae. Enquanto as análises conduzidas com o COI apresentaram Sudeste e Nordeste proximamente relacionados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul parecem estar mais isolados. As mesmas análises com COII, no entanto, aproximam ainda mais as populações do Sudeste e Nordeste, enquanto deixam mais isoladas as populações de Mato Grosso e mais ainda as de Mato Grosso do Sul (Figuras 4-5). Considerando que as sequências de COII (número médio de diferenças par-a-par = 30,2574) apresentam maior variabilidade que as de COI (número médio de diferenças par-a-par = 4,5884), é possível sugerir que esse último é mais conservado e, portanto, remete a um passado mais remoto na história das genealogias das populações de Te. sooretamae. Os resultados dos testes de neutralidade (Tabelas 14-15) e da distribuição mismatch (Figuras 2-7) com os dois marcadores sugerem que as populações dessa espécie no Sudeste e no Nordeste estão passando por uma recente expansão, enquanto a disposição dos haplótipos em rede sugere que não há estruturação genética entre as populações dessas duas regiões. As populações de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por outro lado, não apresentam fluxo gênico com Sudeste e Nordeste, e a tendência é que se tornem grupos cada vez mais isolados em relação aos demais. A segregação observada nos indivíduos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pode ser explicada pelo fato de se encontrarem num ecossistema distinto, onde a diferença de paisagens em relação àquela onde se encontram as populações do Sudeste e do Nordeste agiria como uma barreira que impedisse o fluxo gênico. Pereira-da-Conceicoa et al. (2012) observaram alta diversidade críptica em populações de Baetis harrisoni Barnard 1932 45 (Baetidae) na África do Sul, associando essa alta variação molecular à diversidade dos ambientes onde os indivíduos foram coletados. Os indivíduos de Te. sooretamae de Mato Grosso ocorrem em ambientes do Cerrado, próximos à área de transição com a Amazônia, enquanto os de Mato Grosso do Sul ocorrem em regiões próximas à Serra da Bodoquena, no Centro-Oeste brasileiro, em altitudes bem mais elevadas do que aquelas observadas para os indivíduos do Sudeste e Nordeste, que se encontram em regiões costeiras de Mata Atlântica. Portanto, a presença das populações dessa espécie em biomas diferentes pode estar interferindo diretamente no fluxo dos indivíduos entre as diversas regiões onde eles estão distribuídos, e refletindo, consequentemente, nas taxas de fluxo gênico baixas entre essas populações. 2. Dispersão Por algum tempo, autores sugeriram que os insetos da ordem Ephemeroptera teriam baixa vagilidade, limitando sua área de vida ao corpo d’água, quando juvenis, e na fase alada os mesmos se restringiriam à vegetação próxima ao local da emergência (Brittain & Sartori, 2003). Contudo, estudos recentes mostraram que a capacidade de dispersão dos efemerópteros tem sido subestimada, através de trabalhos com filogenia molecular que evidenciaram relações muito próximas entre grupos que ocorriam tanto no continente como em ilhas relativamente distantes (Monaghan et al. 2005; Vuataz et al. 2013; Rutschmann et al., 2014). Entre o ponto de coleta mais ao norte do Espírito Santo e aquele no território do estado do Alagoas há uma distância de aproximadamente 1100 quilômetros. O valor de Fst manteve- se significativamente baixo entre as amostras das duas regiões, indicando fluxo gênico entre as populações; entretanto, o mesmo não foi observado entre as populações de Mato Grosso + Mato Grosso do Sul e as demais, apesar de serem igualmente distantes geograficamente. Isso pode ser explicado de duas maneiras: uma alta capacidade de dispersão nos indivíduos Te. 46 sooretamae, o que corroboraria com a ideia de que os Ephemeroptera apresentam uma área de vida bem mais abrangente do que aquela que se convencionou na literatura, ou a presença de populações na região localizada entre essas duas últimas, propiciando um continuum populacional. 3. Identidade de Te. sooretamae: presença de mais de uma espécie? As populações de Te. sooretamae encontradas no Sudeste e no Nordeste mostram evidências de que se tratam de uma mesma espécie, com presença de fluxo gênico (Tabelas 12-13) e com valores de divergência para COI dentro do esperado para Ephemeroptera (Tabela 10) (Cardoni et al. 2015). Como a localidade-tipo encontra-se no Sudeste, no município de Alfredo Chaves, no estado do Espírito Santo (Boldrini et al., 2009), assume-se que essas populações representam de fato a espécie Te. sooretamae. Os indivíduos de Mato Grosso do Sul apresentaram uma divergência molecular muito alta em relação aos indivíduos das demais regiões, dados os valores elevados de distância par- a-par, principalmente nas análises com COII (Tabela 11). Outro fator importante é sua posição na árvore de máxima-verossimilhança, excluído do grupo formado pelos demais indivíduos de Te. sooretamae, onde espécies de outros gêneros, Fittkaulus e Tikuna, ficaram mais próximas de Te. sooretamae do que os indivíduos de Mato Grosso do Sul; essa conformação na árvore obteve um valor de bootstrap alto (bootstrap = 100) (Figura 16). O mais notável, porém, são os valores elevados de Fst (Tabelas 12-13), indicando que não há fluxo gênico entre Mato Grosso do Sul e os demais grupos (Sudeste, Nordeste e Mato Grosso) e é justamente o fluxo gênico entre populações que, se estivesse presente, impediria que as mesmas não evoluíssem em espécies distintas (Slatkin 1987). Além disso, esses espécimes apresentam uma diferença notável no padrão de coloração do abdome, não observada nos demais representantes da espécie. Essas alterações a nível molecular e morfológico permitem 47 questionar a identidade dos mesmos, levando a considerar a possibilidade de que os espécimes analisados possam vir a ser representantes de uma espécie distinta (espécie críptica). Os indivíduos de Mato Grosso, por sua vez, parecem não estabelecer fluxo gênico, mas os valores encontrados não se encontram tão elevados como os observados para Mato Grosso do Sul (Tabelas 12-13). Além disso, Mato Grosso divergiu dos grupos do Sudeste e do Nordeste numa escala de tempo mais recente (Figura 17). Outro fator são os valores de distância par-a-par para COI em relação à demais regiões (Tabela 10), pois apresentam faixa de variação entre 0,02 e 0,03, ou seja, dentro da média de divergência intraespecífica esperada para Ephemeroptera, que é de 0,002 a 0,087 (Cardoni et al. 2015). Portanto, não há evidências suficientes de que a população amostrada de Mato Grosso represente uma espécie distinta. 48 CONCLUSÕES As populações atribuídas a Te. sooretamae estão estruturadas em, no mínimo, três grandes grupos: Sudeste + Nordeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A partir dos resultados obtidos, é possível afirmar que esses grupos ora citados não mantém mais fluxo gênico entre si. Entretanto, as populações em geral de (Espírito Santo + Nordeste) apresentam altas taxas de fluxo gênico, apesar das grandes distâncias geográficas que os separam; portanto, para os indivíduos dessa espécie o fator limitante à dispersão em regiões continentais não é a distância geográfica, mas a ocorrência em ecossistemas distintos. Quanto à identidade dos indivíduos atribuídos à Te. sooretamae, o caso dos representantes de Mato Grosso do Sul merece ser considerado, pois há uma grande chance de os mesmos representarem um espécie nova. Estudos envolvendo taxonomia são necessários, a fim de corroborar com a suspeita acima levantada. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Angeli KB, Rozário EMM, Salles FF (2015) Checklist of Ephemeroptera (Insecta) from São Mateus River Basin, Espírito Santo, Brazil. Revista Brasileira de Entomologia, 59, 197– 204. Bandelt H-J, Forster P, Röhl A (1999) Median-joining networks for inferring intraspecific phylogenies. Molecular Biology and Evolution, 16, 37-48. Banhos A, Hrbek T, Sanaiotti TM, Farias IP (2016) Reduction of Genetic Diversity of the Harpy Eagle in Brazilian Tropical Forests. PLoS ONE, 11 (2), 1-12. Banks N (1900) New genera and species of Nearctic Neuropteroid insect. Transactions of the American Entomological Society, 26, 239–259. Barber-James HM, Gattolliat JL, Sartori M, Hubbard MD (2008) Global diversity of mayflies (Ephemeroptera, Insecta) in freshwater. Hydrobiologia, 595, 339–350. Barnard KH (1932) South African May-flies (Ephemeroptera). 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Relação dos indivíduos utilizados que tiveram ao menos uma das regiões do DNA mitocondrial amplificado, com respectivo número de tombo na CZNC, número do espécime e localidades amostradas Nº de tombo Nº do espécime Espécie Localidade Coordenadas geográficas Ep-6416 Ep-6416A Terpides sooretamae Quebrangulo (AL), Bica da Juliana 9°14’21”S;36°27’11,7”W Ep-6417 Ep-6417 Terpides sooretamae Quebrangulo (AL), Bica da Juliana 9°14’21”S;36°27’11,7”W Ep-6344 Ep-6344A Terpides sooretamae Afonso Cláudio (ES), Cachoeira Santa Luzia 20°9’19.9”S;41°8’32.3”W Ep-2066 Ep-2066 Terpides sooretamae Afonso Cláudio (ES), Cachoeira Santa Luzia 20°9’19.9”S;41°8’32.3”W Ep-6343 Ep-6343A Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6343 Ep-6343B Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6343 Ep-6343C Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6345 Ep-6345A Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6345 Ep-6345B Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6345 Ep-6345C Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6345 Ep-6345D Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6345 Ep-6345E Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W Ep-6346 Ep-6346A Terpides sooretamae Alfredo Chaves (ES), Junção Rio Benevente 20°37’53.2”S;40°45’43.98”W 57 Nº de tombo Nº do espécime Espécie Localidade Coordenadas geográficas Ep-3637 Ep-3637A Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-3637 Ep-3637F Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-3637 Ep-3637G Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-3637 Ep-3637J Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-3637 Ep-3637K Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-3637 Ep-3637L Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-3637 Ep-3637M Terpides sooretamae Colatina (ES), Cachoeira do 8 19°28’13.8”S;40°36’40.7”W Ep-6553 Ep-6553A Terpides sooretamae Domingos Martins (ES), Panelas, Rio Jucu 20°18'59.5"S;40°39'24.4"W Ep-6553 Ep-6553B Terpides sooretamae Domingos Martins (ES), Panelas, Rio Jucu 20°18'59.5"S;40°39'24.4"W Ep-3622 Ep-3622A Terpides sooretamae Ibiraçu (ES), Cachoeirão 19°53'23.4''S; 40°25'42''W Ep-6347 Ep-6347 Terpides sooretamae Ibitirama (ES), Cachoeira Ponte do Araçá 20°34’09.9”S;41°38’49.5”W Ep-6541 Ep-6541 Terpides sooretamae Ibitirama (ES), Cachoeira do Firmino 20°37’11.4”S; 41°37’35.4”W Ep-3635 Ep-3635F Terpides sooretamae Iconha (ES), Cachoeira do Meio 20°48'49.9''S; 40°51'25''W Ep-3635 Ep-3635G Terpides sooretamae Iconha (ES), Cachoeira do Meio 20°48'49.9''S; 40°51'25''W Ep-3635 Ep-3635H Terpides sooretamae Iconha (ES), Cachoeira do Meio 20°48'49.9''S; 40°51'25''W Ep-3635 Ep-3635I Terpides sooretamae Iconha (ES), Cachoeira do Meio 20°48'49.9''S; 40°51'25''W 58 Nº de tombo Nº do espécime Espécie Localidade Coordenadas geográficas Ep-3643 Ep-3643A Terpides sooretamae Iconha (ES), Cachoeira do Meio 20°48'49.9''S; 40°51'25''W Ep-3640 Ep-3640B Terpides sooretamae Jaguaré (ES), Cachoeira do Bereco 18º53'04.46"S;40º12'23.14"W Ep-3640 Ep-3640D Terpides sooretamae Jaguaré (ES), Cachoeira do Bereco 18º53'04.46"S;40º12'23.14"W Ep-3640 Ep-3640F Terpides sooretamae Jaguaré (ES), Cachoeira do Bereco 18º53'04.46"S;40º12'23.14"W Ep-3633 Ep-3633A Terpides sooretamae João Neiva (ES), Acioli, Rio Ubás 19°41'09.5''S; 40°28'37.2''W Ep-3620 Ep-3620E Terpides sooretamae Nova Venécia (ES), Santa Rita do Pip Nuck 18°39'51.4''S; 40°30'44.9''W Ep-3620 Ep-3620F Terpides sooretamae Nova Venécia (ES), Santa Rita do Pip Nuck 18°39'51.4''S; 40°30'44.9''W Ep-5205 Ep-5205B Terpides sooretamae Nova Venécia (ES), Santa Rita do Pip Nuck 18°39'51.4''S; 40°30'44.9''W Ep-5205 Ep-5205C Terpides sooretamae Nova Venécia (ES), Santa Rita do Pip Nuck 18°39'51.4''S; 40°30'44.9''W Ep-5135 Ep-5135 Terpides sooretamae Pancas (ES), Cachoeira do Giles 19º03'02.5"S; 40º52'27.9"W Ep-3621 Ep-3621A Terpides sooretamae São Gabriel da Palha (ES), Rio São José 19°2'53.1''S; 40°35'35.7''W Ep-3621 Ep-3621B Terpides sooretamae São Gabriel da Palha (ES), Rio São José 19°2'53.1''S; 40°35'35.7''W Ep-6548 Ep-6548A Terpides sooretamae São Gabriel da Palha (ES), Rio São José 19°2'53.1''S; 40°35'35.7''W Ep-6548 Ep-6548B Terpides sooretamae São Gabriel da Palha (ES), Rio São José 19°2'53.1''S; 40°35'35.7''W Ep-6548 Ep-6548C Terpides sooretamae São Gabriel da Palha (ES), Rio São José 19°2'53.1''S; 40°35'35.7''W Ep-6548 Ep-6548D Terpides sooretamae São Gabriel da Palha (ES), Rio São José 19°2'53.1''S; 40°35'35.7''W Ep-6049 Ep-6049A Terpides sooretamae São Mateus (ES), Rio Cotaxé, Cachoeira Japira 18º34'39.1"S; 40º16'58.0"W 59 Nº de tombo Nº do espécime Espécie Localidade Coordenadas geográficas Ep-1456 Ep-1456A Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-2190 Ep-2190D Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-5133 Ep-5133B Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-5133 Ep-5133E Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-5133 Ep-5133F Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-5134 Ep-5134A Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-5134 Ep-5134B Terpides sooretamae Sooretama (ES), Rio São José 19°07'33.1"S; 40°14'26.1"W Ep-6539 Ep-6539B Terpides sooretamae Nova Xavantina(MT), Córrego da Mata 14°59’59”S;52°26’29”W Ep-6539 Ep-6539D Terpides sooretamae Nova Xavantina(MT), Córrego da Mata 14°59’59”S;52°26’29”W Ep-6539 Ep-6539E Terpides sooretamae Nova Xavantina(MT), Córrego da Mata 14°59’59”S;52°26’29”W Ep-6539 Ep-6539G Terpides sooretamae Nova Xavantina(MT), Córrego da Mata 14°59’59”S;52°26’29”W Ep-6609 Ep-6609B Terpides sooretamae Bodoquena (MS), Rodovia MS 339, Córrego Serra 20°30’0.1”S;56°52’22.8”W Ep-6609 Ep-6609C Terpides sooretamae Bodoquena (MS), Rodovia MS 339, Córrego Serra 20°30’0.1”S;56°52’22.8”W Ep-6612 Ep-6612A Terpides sooretamae Caracol (MS), Rodovia BR-267/MS, Córrego Azul 21°40’51.4”S;56°45’45.9”W 60 Nº de tombo Nº do espécime Espécie Localidade Coordenadas geográficas Ep-6612 Ep-6612C Terpides sooretamae Caracol (MS), Rodovia BR-267/MS, Córrego Azul 21°40’51.4”S;56°45’45.9”W Ep-6612 Ep-6612E Terpides sooretamae Caracol (MS), Rodovia BR-267/MS, Córrego Azul 21°40’51.4”S;56°45’45.9”W Ep-3642 Ep-3642A Terpides sooretamae Nova Belém (MG), Cachoeira do Rodão 18°27’38”S;41°6’33.2”W Ep-3642 Ep-3642B Terpides sooretamae Nova Belém (MG), Cachoeira do Rodão 18°27’38”S;41°6’33.2”W Ep-6410 Ep-6410A Terpides sooretamae Amaraji (PE), Rio Amaraji próx. Usina Campo Belo 8°21’48.9”S;35°48’29”W Ep-6403 Ep-6403 Terpides sooretamae Amaraji (PE), Rio Amaraji, Cach. Rio Morto 8°20’59.1”S;35°30’21”W Ep-6408 Ep-6408B Terpides sooretamae Amaraji (PE), Rio Amaraji, Cach. Rio Morto 8°20’59.1”S;35°30’21”W Ep-6427 Ep-6427B Terpides sooretamae Amaraji (PE), Rio Amaraji, Cach. Rio Morto 8°20’59.1”S;35°30’21”W Ep-6406 Ep-6406 Terpides sooretamae Bonito (PE), Rio Verdinho, Cachoeira da Corrente 8°34’40”S;35°41’54.3”W Ep-6407 Ep-6407 Terpides sooretamae Bonito (PE), Rio Verdinho, Cachoeira da Corrente 8°34’40”S;35°41’54.3”W Ep-6409 Ep-6409A Terpides sooretamae Bonito (PE), Rio Verdinho, Cachoeira da Corrente 8°34’40”S;35°41’54.3”W 61 Nº de tombo Nº do espécime Espécie Localidade Coordenadas geográficas Ep-6409 Ep-6409B Terpides sooretamae Bonito (PE), Rio Verdinho, Cachoeira da Corrente 8°34’40”S;35°41’54.3”W Ep-6409 Ep-6409C Terpides sooretamae Bonito (PE), Rio Verdinho, Cachoeira da Corrente 8°34’40”S;35°41’54.3”W Ep-6418 Ep-6418 Terpides sooretamae Bonito (PE), Rio Verdinho, Cachoeira da Corrente 8°34’40”S;35°41’54.3”W Ep-6412 Ep-6412 Terpides sooretamae São Benedito do Sul (PE), Poço do Caboclo 8°45’53.4”S;35°55’16.1”W Ep-6413 Ep-6413 Terpides sooretamae São Benedito do Sul (PE), Poço do Caboclo 8°45’53.4”S;35°55’16.1”W Ep-6419 Ep-6419 Fittkaulus cururuensis Quebrangulo (AL), Bica da Juliana 9°14’21”S;36°27’11,7”W Ep-6423 Ep-6423 Fittkaulus cf. amazonicus Amaraji (PE), Rio Amaraji próx. Usina Campo Belo 8°21’48.9”S;35°48’29”W Ep-6546 Ep-6546A Fittkaulus maculatus Igarassu (PE), Riacho Jacocá, Refúgio Charles Darwin 7°48'57.5"S;34°57'19.1"W Ep-6546 Ep-6546B Fittkaulus maculatus Igarassu (PE), Riacho Jacocá, Refúgio Charles Darwin 7°48'57.5"S;34°57'19.1"W Ep-4502 Ep-4502 Tikuna bilineata Nova Venécia (ES), Santa Rita do Pip Nuck 18°39'51.4''S; 40°30'44.9''W Ep-4503 Ep-4503 Tikuna bilineata Nova Venécia (ES), Patrimônio do Bis 18°33'27.5"S; 40°20'6.5"W 62 Apêndice II. Lista de haplótipos dos genes COI e COII (Apenas para Terpides sooretamae) Lista de haplótipos do gene COI Haplótipo N Espécime (s) Localidade (s) População/Grupo Hap_1 1 Ep-6343B Alfredo Chaves-ES Benevente/Sudeste Hap_2 1 Ep-6343A Alfredo Chaves-ES Benevente/Sudeste Hap_3 14 Ep-6345A, Ep-6345B, Ep- 6345C, Ep-6345D, Ep-6345E, Ep-3637F, Ep-3637J, Ep-6553A, Ep6541, Ep-6347, Ep-5205B, Ep-3621A, Ep6548D, Ep6049A Alfredo Chaves-ES, Colatina- ES, Domingos Martins-ES, Ibitirama-ES (Cachoeira do Firmino e Cachoeira Ponte do Araçá), Nova Venécia-ES, São Gabriel da Palha-ES, São Mateus-ES Benevente, Doce, Jucu, Itapemirim e São Mateus/Sudeste Hap_4 5 Ep-6344A, Ep-3622A, Ep- 3635F, Ep-6548C, Ep3642A Afonso Cláudio-ES, Ibiraçu-ES, Iconha-ES, Nova Belém-MG, São Gabriel da Palha-ES Benevente, Piraquê- Açú, São Mateus e Doce/Sudeste Hap_5 2 Ep-3637L, Ep-3635H Colatina-ES, Iconha-ES Doce, Benevente/Sudeste Hap_6 1 Ep-3637M Colatina-ES Doce/Sudeste Hap_7 1 Ep-6553B Domingos Martins-ES Jucu/ Sudeste Hap_8 1 Ep-3633A João Neiva-ES Piraquê-Açú/Sudeste Hap_9 1 Ep-3620E Nova Venécia-ES São Mateus/Sudeste Hap_10 1 Ep-5205C Nova Venécia-ES São Mateus/Sudeste Hap_11 1 Ep-5135 Pancas-ES Doce/ Sudeste Hap_12 1 Ep-6548B São Gabriel da Palha-ES Doce/ Sudeste Hap_13 1 Ep-6548A São Gabriel da Palha-ES Doce/ Sudeste Hap_14 1 Ep-1456A Sooretama-ES Doce/ Sudeste Hap_15 1 Ep-5133F Sooretama-ES Doce/ Sudeste Hap_16 2 Ep-5134A, Ep-5134B Sooretama-ES Doce/ Sudeste Hap_17 1 Ep-3642B Nova Belém-MG São Mateus/ Sudeste Hap_18 8 Ep-6403, Ep-6408B, Ep-6427B, Ep-6406, Ep-6407, Ep-6409A, Ep-6409C, Ep6416A Amaraji-PE (Cachoeira do Rio Morto), Bonito-PE, Quebrangulo-AL Serinhaém, Una e Mundaú/Nordeste Hap_19 1 Ep-6409B Bonito-PE Una/Nordeste 63 Haplótipo N Espécime (s) Localidade (s) População/Grupo Hap_20 1 Ep-6418 Bonito-PE Una/Nordeste Hap_21 1 Ep-6413 São Benedito do Sul-PE Una/ Nordeste Hap_22 1 Ep-6417 Quebrangulo-AL Mundaú/ Nordeste Hap_23 1 Ep-6539G Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_24 1 Ep-6539E Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_25 1 Ep-6539B Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_26 1 Ep-6612A Caracol-MS Apa/Mato Grosso do Sul Hap_27 1 Ep-6612E Caracol-MS Apa/Mato Grosso do Sul Hap_28 1 Ep-6612F Caracol-MS Apa/Mato Grosso do Sul 64 Lista de haplótipos do gene COII Haplótipo N Espécime (s) Localidade (s) População/Grupo Hap_1 13 Ep-6343A, Ep-6343C, Ep-6345C, Ep- 3637A, Ep-3637J, Ep-6553A, Ep-3640F, Ep-6548A, Ep-6548B Ep-6548C, Ep- 6548D, Ep-5133B, Ep-6406 Alfredo Chaves-ES, Colatina-ES, Domingos Martins- ES, Jaguaré-ES, São Gabriel da Palha-ES, Sooretama-ES e Bonito-PE Benevente, Doce e Jucu/Sudeste Una/Nordeste Hap_2 1 Ep-6343B Alfredo Chaves-ES Benevente/Sudeste Hap_3 2 Ep-6345A, Ep-5133E Alfredo Chaves-ES, Sooretama-ES Benevente e Doce/ Sudeste Hap_4 1 Ep-6345D Alfredo Chaves-ES Benevente/Sudeste Hap_5 1 Ep-6345E Alfredo Chaves-ES Benevente/Sudeste Hap_6 1 Ep-6346A Alfredo Chaves-ES Benevente/Sudeste Hap_7 1 Ep-3637G Colatina-ES Doce/Sudeste Hap_8 1 Ep-3637K Colatina-ES Doce/Sudeste Hap_9 1 Ep-3637L Colatina-ES Doce/Sudeste Hap_10 1 Ep-3637M Colatina-ES Doce/Sudeste Hap_11 1 Ep-6553B Domingos Martins- ES Jucu/Sudeste Hap_12 1 Ep-3622A Ibiraçu-ES Piraquê-Açu/Sudeste Hap_13 1 Ep-6541 Ibitirama-ES (Cachoeira do Firmino) Itapemirim/Sudeste Hap_14 1 Ep-3635F Iconha-ES Benevente/Sudeste Hap_15 1 Ep-3635G Iconha-ES Benevente/Sudeste Hap_16 1 Ep-3635H Iconha-ES Benevente/Sudeste Hap_17 1 Ep-3635I Iconha-ES Benevente/Sudeste Hap_18 1 Ep-3643A Iconha-ES Benevente/Sudeste Hap_19 1 Ep-3640B Jaguaré-ES Doce/Sudeste Hap_20 1 Ep-3640D Jaguaré-ES Doce/Sudeste Hap_21 1 Ep-3633A João Neiva-ES Piraquê-Açu/ Sudeste Hap_22 1 Ep-3620B Nova Venécia-ES São Mateus/ Sudeste 65 Haplótipo N Espécime (s) Localidade (s) População/Grupo Hap_23 1 Ep-3620E Nova Venécia-ES São Mateus/ Sudeste Hap_24 1 Ep-3620F Nova Venécia-ES São Mateus/ Sudeste Hap_25 1 Ep-5205B Nova Venécia-ES São Mateus/ Sudeste Hap_26 1 Ep-5205C Nova Venécia-ES São Mateus/ Sudeste Hap_27 1 Ep-5135 Pancas-ES Doce/Sudeste Hap_28 1 Ep-3621A São Gabriel da Palha-ES Doce/Sudeste Hap_29 1 Ep-3621B São Gabriel da Palha-ES Doce/Sudeste Hap_30 1 Ep-6049A São Mateus-ES São Mateus/ Sudeste Hap_31 1 Ep-1456A Sooretama-ES Doce/Sudeste Hap_32 1 Ep-2190D Sooretama-ES Doce/Sudeste Hap_33 1 Ep-5133F Sooretama-ES Doce/Sudeste Hap_34 1 Ep-3642A Nova Belém-MG São Mateus/ Sudeste Hap_35 1 Ep-3642B Nova Belém-MG São Mateus/ Sudeste Hap_36 1 Ep-6403 Amaraji-PE (Cachoeira Rio Morto) Serinhaém/ Nordeste Hap_37 1 Ep-6427A Amaraji-PE (Cachoeira Rio Morto) Serinhaém/ Nordeste Hap_38 1 Ep-6427B Amaraji-PE (Cachoeira Rio Morto) Serinhaém/ Nordeste Hap_39 1 Ep-6408B Amaraji-PE (Cachoeira Rio Morto) Serinhaém/ Nordeste Hap_40 1 Ep-6407 Amaraji-PE (Cachoeira Rio Morto) Serinhaém/ Nordeste Hap_41 1 Ep-6409B Bonito-PE Una/Nordeste Hap_42 1 Ep-6409C Bonito-PE Una/Nordeste Hap_43 1 Ep-6418 Bonito-PE Una/Nordeste Hap_44 1 Ep-6405B São Benedito do Sul- PE Una/Nordeste 66 Haplótipo N Espécime (s) Localidade (s) População/Grupo Hap_45 1 Ep-6412 São Benedito do Sul- PE Una/Nordeste Hap_46 1 Ep-6413 São Benedito do Sul- PE Una/Nordeste Hap_47 1 Ep-6416A Quebrangulo-AL Mundaú/Nordeste Hap_48 1 Ep-6417 Quebrangulo-AL Mundaú/Nordeste Hap_49 1 Ep-6539B Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_50 1 Ep-6539D Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_51 1 Ep-6539E Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_52 1 Ep-6539G Nova Xavantina-MT Araguaia/Mato Grosso Hap_53 1 Ep-6609B Bodoquena-MS Miranda/ Mato G. do Sul Hap_54 4 Ep-6609C, Ep-6642B, Ep-6613, Ep-6612E Bodoquena-MS, Bonito-MS, Caracol- MS Miranda e Apa/Mato G. do Sul Hap_55 1 Ep-6612A Caracol-MS Apa/Mato G. do Sul Hap_56 1 Ep-6612C Caracol-MS Apa/Mato G. do Sul