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Título: Na corda bamba: reforma psiquiátrica e saúde mental na atenção primária
Autor(es): Romanholi, Andréa Campos
Orientador: Andrade, Ângela Nobre de
Palavras-chave: Sistema Único de Saúde
Data do documento: 23-Ago-2004
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: Esse estudo discute os limites e possibilidades da implementação da reforma psiquiátrica brasileira na rede básica de saúde. Os serviços desse nível são considerados como porta de entrada do sistema brasileiro de saúde (SUS), contudo, com relação à pessoas afetadas pela loucura, eles não tem sido percebidos como parte da rede voltada à sua atenção. Procurando investigar esse fato, este estudo trabalhou com os profissionais da rede básica de saúde de Vitória/ES, com aplicação de entrevistas semi-estruturadas, de questionários e de um grupo de discussão, por meio dos quais se procurou conhecer as dificuldades e possibilidades de transformar essa realidade de modo a poder contar com esses serviços no processo da reforma. Pôde-se constatar que, na visão dos profissionais, as Unidades de Saúde têm papel fundamental na reforma psiquiátrica, por serem serviços efetivamente territoriais, o que lhes permite conhecer os usuários e sua realidade, e acompanhá-los nos diversos momentos de sua vida. Porém, os profissionais relatam várias dificuldades que têm tornado extremamente difícil o cumprimento da expectativa de abandonarem as práticas tradicionais de saúde, aparecendo como pessoas afetadas pela realidade que enfrentam, pela demanda excessiva e pelo processo de trabalho que continua burocratizado e incoerente com as propostas de transformação. Essas dificuldades concernem a atenção aos problemas gerais da área de saúde, interferindo, também, na possibilidade de assumirem a atenção às pessoas com transtornos mentais que são vistas como apresentando algumas especificidades que refletem na necessidade de maior flexibilidade dos serviços para seu atendimento. Contudo, exceto pela necessidade de maior conhecimento técnico, as dificuldades citadas são as mesmas enfrentadas para a construção de um novo modelo de atenção à saúde, sendo a interlocução com a área de saúde mental recebida de forma positiva, havendo a expectativa de que esta possa, com seus conhecimentos e técnicas, auxiliar no enfrentamento das dificuldades. Por outro lado, o trabalho nesse nível tem trazido à tona uma realidade ainda mais complexa que aquela com que se trabalha no campo da reforma, pois esta se dirige mais diretamente aos usuários atingidos pela violência e exclusão próprias da lógica manicomial, enquanto o que se encontra no nível básico são estes e mais uma enorme quantidade de pessoas que sofrem a violência da exclusão social e econômica, em situação de miséria, falta de perspectivas de vida e ameaçadas pelas redes informais, mas poderosas, do poder local (leia-se tráfico de drogas e violência familiar). Assim, avalia-se que a interlocução desses dois campos reforma psiquiátrica e atenção básica/PSF pode enriquecer a ambos, provocando a desinstitucionalização de suas práticas e a ampliação das oportunidades de invenção.
This study discusses about the limits and possibilities of the Brazilian psychiatric reform implementation in the primary health care. Services on this issue have been assumed as a doorway to the Brazilian health system (SUS), however, they are not understood as part of the net of this system when it is concerning to people affected by madness. Trying to investigate that fact, this study has been worked with the primary health care professionals, through application of semi-structured interviews, questionnaires and focus group; so that, it was possible to get to know the difficulties and possibilities in order to transform that reality, and count on this service during the reform process. It could be assumed that, in the professionals point of view, the Basic Health Units have an important role in the psychiatric reform, once they are effectively territorial services, which allows one to get to know the users and their reality; and to accompany them throughout the several moments of their lives. However, those professionals reported several difficulties that make their possibilities to abandon the traditional practices of health extremely tough. They are very affected by the reality they face, by the excessive demand, and by the work process that is still bureaucratic and incoherent with the transformation proposals. Those difficulties refer to the attention to the general problems of the health field, and also interferes in the possibility to assume the attention of the people with mental problems that are seen as people who are required larger flexibility from the services to be attended. However, regardless the need of larger know-how, the mentioned difficulties are the same ones faced for the construction of a new model of attention to the health and the relationship with the mental health area is received in a positive way. About it, there are some expectations that this mentioned area, with its know-how and techniques, helps them to overcome difficulties. On the other hand, the work in the primary health care has shown a more complex reality than that which has being worked on the field of the reform. The last one deals with users who are victims of violence and exclusion that which is typical in the traditional psychiatric thought and in the primary health care there are those and more the enormous amount of people that suffer the violence of the social and economical exclusion, by living in poverty with lack of life perspectives and threatened by the informal but influential nets of the “local power” (coming from drug traffic and family violence). So, it is evaluated that the union of those two fields (psychiatry reformation and primary heath care) may enrich both, so that, it will cause the transformation of their practices and the enlargement of the invention opportunities.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3044
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