Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3589
Título: Gênese da estrutura agrária do Espírito Santo : estudo comparativo entre os domínios da pecuária no Extremo Norte e as áreas de pequenas propriedades no Centro-Sul
Autor(es): Bernardo Neto, Jaime
Orientador: Scarim, Paulo Cesar
Data do documento: 17-Mai-2012
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: Este trabalho visa contribuir com a compreensão do profundo contraste da estrutura fundiária do Espírito Santo, em especial no que tange à gênese dos grandes imóveis rurais no extremo norte do Estado, onde o percentual da área agropecuária total ocupado pelos pequenos imóveis é muito pequeno se comparado com realidade da maior parte de seu território. Tendo em vista, entre outras coisas, a distância dos núcleos irradiadores da colonização e a forte resistência indígena no norte capixaba que perdurou até o início do século XX, a colonização dessa porção do Espírito Santo somente ocorreu a partir das décadas de 1930 e 1940, sendo condicionado por uma estrutura diferente daquela que marcou a colonização da maior parte do território capixaba, que ocorreu entre fins do século XIX e início do século XX, em um contexto de crise dos latifúndios, por conta da abolição da escravidão, e de hegemonia política do capital comercial, personificado na figura dos comerciantes de café, aos quais era benéfica a disseminação de pequenos produtores rurais descapitalizados, que necessitassem de intermediários para a comercialização de sua produção voltada ao mercado externo (notadamente o café), criando assim condições favoráveis à apropriação de terras na forma de pequenas glebas por famílias camponesas, ainda que houvesse uma forte seletividade étnico-racial nesse processo, privilegiando os imigrantes estrangeiros e seus descendentes. Todavia, a partir da década de 30 essa estrutura passa por profundas transformações que de certa forma incentivaram a inserção de entes mais capitalizados na produção agropecuária. Verifica-se nesse momento a consolidação das condições necessárias para que a propriedade fundiária funcionasse como reserva de valor e passasse a ser utilizada também para fins especulativos; houve mudanças no contexto político, sendo a hegemonia assumida por entes ligados ao capital industrial e à oligarquia agrária; e verifica-se também a emergência de novas atividades econômicas no meio rural capixaba, como a expansão da extração de madeira e rápido crescimento da pecuária bovina. A sinergia desses diversos fatores gerou um contexto cada vez mais adverso aos camponeses em geral, que tiveram que disputar as terras dessa última fronteira de colonização do território capixaba com personagens de maior poder econômico e político, como fazendeiros e empresas, ampliando a exclusão social no acesso à terra de tal forma que já no início da década de 1970 era evidente o quadro de concentração fundiária nessa porção do Espírito Santo. Paralelamente, verificou-se também, a partir de meados do século XX, mudanças nas formas de produção dos pequenos imóveis rurais do território capixaba, resultando em gradativo abandono da produção para consumo próprio e/ou para comercialização local, tipicamente camponesas, em detrimento de uma crescente tendência à especialização produtiva, em partes decorrente da maior inserção dos camponeses no mercado de consumo capitalista, causado pela própria intensificação da urbanização, que alterou sua forma de vida, mas também consequente de incentivos governamentais que visavam intensificar a inserção (e consequentemente a subordinação) da agricultura camponesa à lógica do capital. Essa tendência à especialização produtiva veio a conformar uma divisão territorial do trabalho no espaço agrário capixaba, dentro da qual o extremo norte tornou-se profundamente dependente da prática da pecuária extensiva, o que foi altamente adverso aos camponeses detentores de pequenas propriedades, tendo em vista a baixa renda por unidade de área proporcionada por essa atividade. Tal transformação veio a intensificar a concentração fundiária dessa área nas últimas décadas.
This work aims to contribute to the understanding of Espírito Santo rural land structure´s contrast, specially in what regards the large rural landed state genesis over the state´s extreme north, where the farming and cattle raising area´s percentage occupied by short rural landed state is low if compare to most of it´s territory reality. Due to the distance from the colonization irradiation´s cores and indigenous strong stand which lasted until the twentieth century´s beginning, among other factories, the colonization of this part of Espírito Santo only occur from the 1930´s and the 1940´s forward, being conditioned by a different structure from that which marked the colonization over most of it´s territory, which occur between the 19th century´s end and the 20th century beginning, in a context of large rural landed state crisis, due to the slavery abolishment, and commercial capital´s political hegemony, personified by the coffee dealer´s, to whom the spreading of uncapitalized short rural landed state owners which demanded intermediaries to accomplish their foreign marketing oriented commodities commercialization (notedly coffee) was beneficial, what resulted in favourable conditions for land appropriation in short glebes by peasant families, despite there has been a strong ethnic-racial selectivity benefiting foreign immigrants and their decedents. Nevertheless, this structures experiences deep changes from the 1930´s on which contributed to the entrance of more capitalized beings in rural production. From this moment on, the conditions demanded for rural land state to be used as a capital reserving fund turned out to be concrete, allowing it to be used for speculative means; there has also been changes in politics, as the industrial capital and rural oligarchy took over the hegemony; and It is verified the emergence of new economic activities in Espírito Santo´s rural space, such as the spreading of wood extracting and the fast increasing in bovine cattle raising. This factors´ synergy created a context of increasing adversity for peasants in general, who had to compete against characters who held more political and economic power, such as cattle farmers and enterprises, on the run for land appropriation over this last colonization frontier in Espirito Santos’s territory. It intensified the social exclusion in what regards access to land owning in such a way that in the 1970´s beginning the land owning concentration in this part of Espírito Santo was pretty much evident. Parallelly, from the middle twentieth century on it is verified changes in short landed state´s production over it’s territory which resulted in gradual forsake of self-consume production and/or local marketing production, both typical of peasant´s agriculture, due to a growing tendency to farm and cattle raising specialization, partially due to peasant´s ingress in capitalism marketing as a consequence of urbanization´s increasing, but also as a consequence of State´s politics aiming to increase peasant´s agriculture entrance in capital´s logic, which would consequently subordinate that. This increasing tendency turn out to confirm a territorial labour division in Espirito Santo´s agrarian space in which it´s Extremely North became deeply dependent of extensive bovine cattle raising, what was strongly adverse to short landed state owners due to the low value per area unit provided by this economic activity. Such changes came out to intensify this area´s land owning concentration in the last decades.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3589
Aparece nas coleções:PPGGEO - Dissertações de mestrado

Arquivos associados a este item:
Arquivo TamanhoFormato 
tese_5643_DISSERTAÇÃO Jaime.pdf5.67 MBAdobe PDFVisualizar/Abrir


Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.