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Título: Aspectos relacionais da criança com autismo em situação de brincadeira
Autor(es): Araujo, Fabiana Zanol
Orientador: Chicon, José Francisco
Data do documento: 31-Mai-2019
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: Em diversas descrições da criança com autismo é salientado que o modo de se relacionar e brincar dessas crianças se apresenta de forma muito restrita e bastante peculiar, devido ao grave comprometimento geral de seu psiquismo. Essa situação direcionou este estudo para os aspectos relacionais de criança s com autismo considerando que os fatores biológicos não são imutáveis. As transformações comportamentais ocorrem a partir da inserção dessas crianças em ambientes socioculturais e na crença do potencial humano. Assim, o estudo objetiva compreender os aspectos relacionais de crianças com autismo em uma brinquedoteca universitária. Em destaque, esta pesquisa busca identificar as relações da criança com autismo com os adultos em um contexto inclusivo e analisar os aspectos relacionais da criança com autismo com os colegas na realização de brincadeiras. Trata se de uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, tendo por base a abordagem histórico cultural. Para proceder ao estudo de campo, utiliza a base de dados organizada pelo orientador deste estudo que realiza uma pesquisa mais ampla intitulada O brincar da criança com autismo na brinquedoteca: inclusão, mediação pedagógica e linguagem, que teve início em março de 2016, com duração de três anos. O banco de dados organizado contém 24 aulas realizadas durante o período de março a novembro de 2016, com registro s em videogravação; em diário de campo, fotografias e entrevista semiestruturada realizada com os familiares das crianças com autismo integrantes da proposta. Os participantes foram 17 crianças, com idades de três a seis anos dez crianças não deficientes de um Centro de Educação Infantil, seis com autismo e uma com síndrome de Down, pertencentes ao município de Vitória/ES. Elas foram atendidas por 13 estagiários do Curso de Educação Física, em um encontro semanal, todas as quintas feiras, das 14 às 15 horas. Durante as intervenções, os estagiários assumiam funções de conduzir a aula, acompanhar as crianças com deficiência e registrar as atividades por meio de videogravação e fotografias. Diante das observações dos dados, duas categorias apareceram de forma recorrente na fase de investigação, a saber: a constituição de vínculos, para analisar a interação da criança com autismo com o adulto em situação de brincadeira; e a dimensão corporal em sua subcategoria espaço-tempo vivencial da criança com autismo na relação com os colegas em situação de brincadeiras, para analisar a interação da criança com autismo com os colegas. Os resultados mostram que na categoria de constituição de vínculos o que se percebe é que enquanto a criança com autismo não estabelece vínculo com o adulto, sua ação no meio fica empobrecida, limitada somente aos seus interesses; e quando a criança com autismo mantém uma relação de vínculo com o adulto, sua ação no meio se enriquece, ampliando suas possibilidades de sentir, pensar e agir. Da categoria da dimensão corporal, após configurar o vínculo com o adulto, amplia se, então, a interação da criança com autismo com os seus pares, brinquedos e brincadeiras. Por meio da análise proxêmica, isto é, análise da ocupação pessoal do espaço social pelos sujeitos, percebe se que há um distanciamento social das crianças com autismo em relação aos pares. Porém, foram identificadas algumas situações e ações que contribuíram para reduzir essa distância física para os níveis pessoal e íntimo a saber: as atitudes solidárias e de amizade, o estabelecimento de novas amizade, a problematização da questão da diferença/diversidade e as ações colaborativas. O estudo é revelador de que, ao inserir nas ações pedagógicas a interação entre crianças com e sem deficiência/autismo, exige se recuperar valores e conhecimentos que incluem o corpo e suas expressões, o movimento, o gesto, o afeto, as emoções, a ludicidade e o encantamento, como também valores e conhecimentos capazes de lidar com as diferenças. Portanto, é importante motivar as crianças a aprender pelo campo da significação, incluindo as contribuições que elas podem dar a partir de suas vivências, tendo a brincadeira como mo la propulsora no que se refere à interação das crianças.
In several descriptions of a child with autism it is pointed out that the way of relating and playing of these children demonstrates a very restricted and quite peculiar way, due to the serious general impairment of their psyche. This situation directed this study to the relational aspects of children with autism, considering that the biological factors are not immutable. Behavioral transformations occur from the insertion of these children in sociocultural environments and in the belief of human potential. Thus, the study aims to understand the relational aspects of children with autism in a university playroom. The research aims to identify the relationships between children with autism and adults in an inclusive context, and to analyze the relational aspects of autistic children with their peers in playing games. It is a qualitative research of the case study type, based on the historical-cultural approach. In order to carry out the case study, it uses the database organized by the counselor of this study that carries out a broader research, entitled "The playing time of the child with autism in the toy library: inclusion, pedagogical mediation and language", which began in March 2016, with a duration of three years. The organized database contains 24 classes conducted during the period from March to November of 2016, with video recordings, a routine diary, photographs and semi-structured interview with the relatives of children with autism who are members of the study. The participants were 17 children, aged between three and six years old. Ten non-disabled children from a Center for Early Childhood Education, six with autism and one with Down syndrome, all from the City of Vitória/ES. The children were assisted by 13 trainees of the Physical Education Course, in a weekly meeting, every Thursday, from 2 to 3 pm. During the playing time, trainees took on the role of leading the class, accompanying children with disabilities and recording lessons through video recording and photographs. Throughout the investigation phase, two categories recurrently appeared, namely:- the constitution of bonds, to analyze the interaction of the child with autism with the adult during playing time; - the body dimension in its experiential space-time subcategory of the child with autism in the relationship with their playmates, to analyze the interaction of the child with autism with colleagues. The results show that, in the category of bonding, what is perceived is that, while the child with autism does not establish bond with the adult, its actions with the environment becomes poor, limited only to its interests; and when the child with autism establishes a relationship of bond with the adult, its actions with the environment is enriched, expanding its possibilities to feel, to think and to act. With regards to the category of the corporal dimension, after configuring the bond with the adult, the interaction of the child with autism with his peers, toys and games is increased. Through the proxemic analysis, which consists in the analysis of the personal occupation of the social space by the child itself, it is perceived that there is a social distancing of the children with autism in relation to the peers. However, some situations and actions have been identified and have contributed to reduce this physical distance to the personal and intimate levels, those are: the solidarity and friendship, the establishment of new friendships, the difference / diversity issues and collaborative actions. The study reveals that by inserting in the pedagogical activities the interaction between children with and without disabilities / autism, it becomes necessary to recover values and knowledge that include the body and its expressions, movement, gesture, affection, emotions, playfulness and enchantment, as well as values and knowledge capable of dealing with differences. Therefore, it is important to motivate children to learn by the meaning manner, including the contributions they can make from their experiences, and play as a driving force in the interaction of children.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/11231
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