Estratégias de forrageamento do muriqui-do-norte (Brechyteles hypoxanthus) em um fragmento florestal em Santa Maria de Jetibá, ES

dc.contributor.advisor1Mendes, Sérgio Lucena
dc.contributor.authorSilva, Mariana Petri da
dc.contributor.referee1Joyeux, Jean-Christophe
dc.contributor.referee2Fagundes, Valéria
dc.contributor.referee3Gomes, Maurício Talebi
dc.date.accessioned2016-08-29T15:09:10Z
dc.date.available2016-07-11
dc.date.available2016-08-29T15:09:10Z
dc.date.issued2010-02-24
dc.description.abstractThe Muriquis (also known as woolly spider monkeys), the biggest non-human primates, are endemic to the Brazilian Atlantic Forest and have suffered over the centuries, with the intense hunting, deforestation and habitat fragmentation. The northern muriqui (Brachyteles hypoxanthus) is critically endangered and can only be found in a few locations of Minas Gerais and Espírito Santo. Some of these locations are known forest fragments in private lands in the city of Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo, and range from 60 to 350 hectare. Little is known about these subpopulations responses to fragmentation and about what factors allow them to present a long-term survival. In this work, I intended to understand the strategies of a group of 13 northern muriquis in a 128-ha forest fragment, related to feeding behavior and space using, in two annual periods with different bioclimatic features (rainy and dry seasons). During 60 days, 30 in each season, I collected data about diet, temporal budget and space use from behavioral scan samples. In the wet season, muriquis spent more time eating fruits, had more traveling hours and less resting hours, apparently maximizing the energy gain. In the dry season, they spent more time feeding on leaves and resting and less time traveling, probably in order to minimize their energy expenditure. In different periods of the year, they ate different plant species, some of them being particularly important in the diet as a whole. They consumed more fruits than expected for such a highly fragmented environment and more unripe fruits than what was found in other studies. About 84% of the total study area was used for foraging in both periods and almost all of this area was used in each season, separately. Knowing that nearly all of the available area has already been used, spatial constraints could be critical to the growth of the group and unripe fruits appear to be widely consumed because of the need for revisitating the food sources. The great floristic diversity in the region, however, is possibly minimizing the effects of a very restricted spatial area, what could allow muriquis to eat more high quality items, as fruits. The increase of the foraging area and the connection with other forest fragments, therefore, seem to be the mainly actions for maintaining the muriqui population in the studied fragment
dc.description.resumoO muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é um primata folívoro-frugívoro e o principal componente de sua dieta é determinado pelo ambiente e pela disponibilidade de recursos. Neste estudo, foram investigadas as variações sazonais entre os itens, fontes e espécies vegetais utilizados por um grupo de 13 muriquis-do-norte em um fragmento florestal de 128 ha (20º 03S e 40º 41'W), situado no município de Santa Maria de Jetibá, ES. As observações foram realizadas entre os meses de dezembro de 2008 a fevereiro de 2009 e de junho de 2009 a agosto de 2009, correspondendo às estações chuvosa e seca na região, respectivamente. Durante 60 dias completos, 30 em cada estação, dados sobre a dieta dos muriquis foram sistematicamente coletados a partir de amostras de varredura, obtendo-se 683 horas de observação e 4.200 registros alimentícios. Os muriquis alteraram significativamente a contribuição de itens alimentares na dieta, principalmente em relação ao consumo de frutos e folhas. Na estação chuvosa, 26,26% do período em alimentação foi dedicado à ingestão de folhas e 51,14% à ingestão de frutos, enquanto na seca 62,12% do tempo em alimentação foi investido no consumo de folhas e 20,79% no consumo de frutos. Ao contrário de outros estudos, frutos imaturos corresponderam à maior parte da contribuição de frutos na dieta dos muriquis (79,09%) e, de maneira geral, o consumo de frutos (34,39%) foi maior do que o esperado para um ambiente fortemente fragmentado. Concordando com as necessidades ecológicas de um primata de grande tamanho corporal, árvores foram as principais fontes utilizada, em ambas as estações. As principais espécies vegetais na dieta foram diferentes entre as estações, e a contribuição das 3 principais espécies aumentou no período em que os muriquis ingeriram primordialmente folhas. Apenas uma espécie, Schefflera calva, foi responsável por um quarto da dieta na estação seca, a despeito da sua disponibilidade na floresta, sugerindo que os muriquis alimentam-se seletivamente dessa espécie. Além desta, espécies como Helicostyles tomentosa, Miconia cinnamomifolia, Piptocarpha macropoda e Vochysia sp. foram importantes fontes alimentares para os muriquis no fragmento de estudo e devem ser levadas em consideração em planos conservacionistas que incluam o reflorestamento. A teoria do forrageamento ótimo prevê que os animais irão se comportar de maneira a maximizar a energia obtida, balanceando custos e benefícios do forrageamento. Como os principais itens da dieta dos muriquis (folhas e frutos) variam em disponibilidade espacial e nas propriedades nutricionais, avaliou-se se o consumo diferenciado desses itens, por um grupo de 13 muriquis em um fragmento florestal de 128 ha, situado no município de Santa Maria de Jetibá, ES (20º 03S e 40º 41'W), implica em mudanças nas atividades comportamentais e no padrão de uso do espaço. A partir de 60 dias de observações realizadas entre os meses de dezembro de 2008 a fevereiro de 2009 e de junho de 2009 a agosto de 2009 (estações chuvosa e seca, respectivamente) obteve-se 683 horas de observação e 15.253 registros individuais de atividades. Os muriquis repousaram menos (31,78% do tempo) e deslocaram-se mais (35,29%) na estação chuvosa, quando consumiram mais frutos, empregando uma estratégia de maximização do ganho energético. Na estação seca, de maior consumo de folhas, os muriquis empregaram uma estratégia de minimização do gasto, repousando mais (41,19%) e deslocando-se menos (28,35%). O tempo em alimentação não diferiu significativamente entre as estações (29,24% e 28,76%) As distâncias percorridas e a velocidade de deslocamento também foram maiores quando consumiram mais frutos, provavelmente devido à distribuição mais esparsa deste recurso no ambiente. A área utilizada foi praticamente a mesma nas duas estações e correspondeu a uma grande extensão do fragmento, o que provavelmente é um reflexo das limitações espaciais sofridas pelo grupo e da necessidade de explorar o máximo de áreas possíveis para obter recursos. O ciclo de atividades diárias também foi diferente entre as estações, mas provavelmente esteve relacionado a estratégias termorreguladoras. Os muriquis ajustaram seu comportamento de acordo com o item utilizado e, embora não seja possível afirmar que o balanço energético (energia ganha menos energia gasta) tenha sido o mesmo entre as duas estações, eles pareceram comportar-se de acordo com a lógica da otimização do forrageamento.
dc.formatText
dc.identifier.citationSILVA, Mariana Petri da. Estratégias de forrageamento do muriqui-do-norte (Brechyteles hypoxanthus) em um fragmento florestal em Santa Maria de Jetibá, ES. 2010. Dissertação (Mestrado em Biologia animal) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais, Vitória, 2010.
dc.identifier.urihttp://repositorio.ufes.br/handle/10/3818
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal do Espírito Santo
dc.publisher.countryBR
dc.publisher.courseMestrado em Biologia Animal
dc.publisher.initialsUFES
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Ciências Biológicas
dc.rightsopen access
dc.subject.br-rjbnEcologia
dc.subject.br-rjbnPrimata
dc.subject.br-rjbnMata Atlântica - Conservação
dc.subject.br-rjbnMuriqui - Conservação
dc.subject.cnpqZoologia
dc.subject.udc57
dc.titleEstratégias de forrageamento do muriqui-do-norte (Brechyteles hypoxanthus) em um fragmento florestal em Santa Maria de Jetibá, ES
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